1 de maio de 2009

Flores para Nossa Senhora

Uma flor é aparentemente um objecto inútil: não satisfaz qualquer das nossas necessidades primárias, não serve para comer, nem para vestir ou abrigar, nem é útil para o trabalho profissional. E, no entanto, as flores foram queridas por Deus como elementos que adornam e manifestam a sua beleza infinita.

«Olhai para o lírios do campo – exorta-nos Jesus –: não trabalham nem fiam. Pois Eu vos digo: nem Salomão, em toda a sua magnificência, se vestiu como qualquer um deles» (Mt 6,28b-29). Ao olhar as flores somos convidados a pensar na beleza de quem as concebeu.

Para que fez Deus as flores? Para nos dar o gosto do seu aroma e da sua cor e da sua forma e da sua harmonia com as outras criaturas. Parece que uma flor possui a capacidade de se adequar a qualquer sítio embelezando-o. A beleza parece consistir precisamente num apelo de Deus à nossa subjectividade, uma espécie de declaração gratuita de interesse por cada um de nós.

Será que isto é necessário? Podemos dizer que sim. Ninguém morre por estar num sítio feio mas o amor de Deus, que é o que nos dá a vida, manifesta-se melhor na beleza; Deus preparou a natureza para nos acolher e nós sentimos gratidão por isso.

Do mesmo modo, a obra da salvação realizado por Cristo a nosso favor, entende-se melhor com a entrega da sua Mãe. Deus quis dar-nos n’Ela a beleza do seu amor por nós. Não foi Ela quem nos salvou mas a sua presença é-nos necessária. Talvez por isso a Igreja a chame “Rosa Mística” (Ladainha da Virgem Maria), por ser Ela como que uma flor misteriosa que nos comunica os bens de seu Filho.

Maria possui, à semelhança de uma flor, a capacidade do arom, da cor e da forma que produzem o acolhimento e o aconchego, e é enviada por Deus a cada um de nós para nos abraçar como Mãe, adaptando-se a nós.

A nossa gratidão manifesta-se com flores. É uma resposta lógica, adequada à natureza do favor recebido. Por isso enfeitamos as suas imagens com flores e sentimo-nos também capazes de embelezar a vida daqueles que vivem perto de nós.

CATEQUESE

As aulas de Catequese terminam na última semana de Maio para todos os alunos. Para aqueles que participam nas diversas Festas que se assinalam, no próprio dia em que elas se realizam:

FESTAS DA CATEQUESE DURANTE O MÊS DE MAIO

Confirmação: Sábado, 2 de Maio, 16.00h (Missa): Preside e administra o Sacramento D. Joaquim Mendes, Bispo Auxiliar de Lisboa

Profissão de Fé: Domingo, 17, Missa das 10.00h

Festa do Pai-nosso: Domingo, 24, Missa das 10.00h

Primeira Comunhão: Alunas das 5ªs Feiras e Domingos: Domingo, 31, Missa das 10.00h

Obs. - Alunos das 2ªs Feiras e Sábados: Domingo, 07 de Junho, Missa das 10.00h

CURSOS QUE PODE FREQUENTAR NA NOSSA PARÓQUIA NESTE MÊS

Curso de Catecúmenos – 2ª Feiras, 19.15h: Dias 11, 18, 25 – Para as pessoas interessadas em ingressar no catecumenato e, eventualmente, receberem os Sacramentos da Iniciação Cristã.

Curso de Teologia para Todos – Uma vez por mês. Próxima sessão: Dia 11, 2ª Feira, 19.15h: Sacramento do Matrimónio – II; 

Curso Bíblico sobre S. Paulo – Quem és Tu, Senhor? (Uma vez por mês. Próxima sessão: Dia 14, 5ª Feira, 21.30h.

AGRUPAMENTO Nº 683 DO CNE – MAIO DE 2009

Não haverá actividades no Dia 2, Sábado.

Dia 9, Sábado: Missa às 18.30h, com as Promessas de dois Exploradores.

Dia 16, Sábado: Participação de todo o Agrupamento na Eucaristia Paroquial

Dia 23, Sábado: Todo o Agrupamento participará, fora das instalações, numa actividade do seu Núcleo: I Secção – participará na Festa do Sol, cujo imaginário serão os Jogos Olímpicos, designados como “Solimpíadas”; II Secção estará ocupada com a Ilha Verde, actividade denominada como “A descoberta de Nós”; III Secção – Participação no Raid TT.

FOLAR DA PÁSCOA – AJUDAR OS QUE MAIS PRECISAM

Foram distribuídos mais de cinquenta Folares da Páscoa a famílias carenciadas, que beneficiaram da generosidade dos paroquianos de Telheiras. O que sobrou dos géneros alimentícios foi entregue às Irmãs do Bom Pastor, nossas paroquianas também.

Certamente que agradecemos a todos os paroquianos que contribuíram, com a generosidade do costume, para se poder efectivar esta iniciativa. E, de um modo especial, ao Colégio Planalto pela colaboração prestada, quer em géneros, quer na preparação dos Folares.

A todos, muito obrigado e que Nossa Senhora da Porta do Céu tenha em conta esta manifestação de solidariedade para com os mais necessitados a quem ajudou.

RECOLECÇÕES MENSAIS

2ª Feira, dia 4: Homens: 19.15h – Salão da Igreja

5ª Feira, dia 14: Senhoras; 19.15h – Igreja

O que é uma recolecção?

BAPTISMOS NESTE MÊS DE MAIO

Sábado, dia 2, 12.15h – Manuel de Abreu Castelo Branco Campos

Sábado, dia 9, 13.00h – Madalena Escarameia Serra Afonso

Sábado, dia 16,
12.00h – Rosa Margarida Ribeiro Gonçalves
16.00h – Maria do Carmo Lorena de Brito

Sábado, dia 23, 16.00h – Mariana e Margarida Costa

NO MÊS PASSADO

Casamento: Dia 06 – Manuel Paulo Pinto Coutinho e Casimira Arminda Lourenço de Carvalho

Baptismos:
Dia 19 – Dinis Vaz Osório de Penalva Boto
Dia 25 – Joana Nascimento Duarte Dourado de Aguiar

Sacramentos da Iniciação Cristã
Dia 11, Sábado (Vigília Pascal): Afonso Romão Júlio Guerreiro, Ana Sofia José Carlos de Aguiar, Eugénia da Costa Pina, Inês Isabel Pereira Braz Campos, Maria Cardoso dos Santos Lopez de Carrizosa e Salvador Maria Cardoso dos Santos Lopez de Carrizosa

Maria no Concílio Vaticano II

O Concílio Vaticano II, a última reunião ecuménica de todos os Bispos do mundo católico com o Papa, que decorreu entre 1962 e 1965, teve como fruto um longo e riquíssimo magistério. Talvez o documento mais importante seja a Constituição dogmática sobre a Igreja Lumen gentium, a qual tem como último capítulo o oitavo, dedicado à Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus e o seu papel no mistério de Cristo e da Igreja.

«Querendo Deus, na Sua infinita benignidade e sabedoria, levar a cabo a redenção do mundo, "ao chegar a plenitude dos tempos, enviou Seu Filho, nascido de mulher,... a fim de recebermos a filiação adoptiva" (Gál. 4,4-5). "Por amor de nós, homens, e para nossa salvação, desceu dos céus e encarnou na Virgem Maria, por obra e graça do Espírito Santo" (Símbolo Constantinopolitano). Este divino mistério da salvação é-nos revelado e continua na Igreja instituída pelo Senhor como Seu corpo; nela, os fiéis, aderindo à cabeça que é Cristo, e em comunhão com todos os santos, devem também venerar a memória "em primeiro lugar da gloriosa sempre Virgem Maria Mãe do nosso Deus e Senhor Jesus Cristo" (Missale Romanum, cânon).

Efectivamente, a Virgem Maria, que na anunciação do Anjo recebeu o Verbo no coração e no seio, e deu ao mundo a Vida, é reconhecida e honrada como verdadeira Mãe de Deus Redentor. Remida dum modo mais sublime, em atenção aos méritos de seu Filho, e unida a Ele por um vínculo estreito e indissolúvel, foi enriquecida com a excelsa missão e dignidade de Mãe de Deus Filho; é, por isso, filha predilecta do Pai e templo do Espírito Santo, e, por este insigne dom da graça, leva vantagem a todas as demais criaturas do céu e da terra. Está, porém, associada, na descendência de Adão, a todos os homens necessitados de salvação; melhor, "é verdadeiramente Mãe dos membros (de Cristo)..., porque cooperou com o seu amor para que na Igreja nascessem os fiéis, membros daquela cabeça" (S. Agostinho, De S. Virginitate, 6: PL 40, 399). É, por esta razão, saudada como membro eminente e inteiramente singular da Igreja, seu tipo e exemplar perfeitíssimo na fé e na caridade; e a Igreja católica, ensinada pelo Espírito Santo, consagra-lhe, como a mãe amantíssima, filial afecto de piedade.

Por isso, o sagrado Concílio, ao expor a doutrina acerca da Igreja, na qual o divino Redentor realiza a salvação, pretende esclarecer cuidadosamente não só o papel da Virgem Santíssima no mistério do Verbo encarnado e do Corpo místico, mas também os deveres dos homens resgatados para com a Mãe de Deus, Mãe de Cristo e Mãe dos homens, sobretudo dos fiéis. (...)

Com profunda ponderação, ensina o sagrado Concílio esta doutrina católica, e ao mesmo tempo recomenda a todos os filhos da Igreja que fomentem generosamente o culto da Santíssima Virgem, sobretudo o culto litúrgico, que tenham em grande estima as práticas e exercícios de piedade para com Ela, aprovados no decorrer dos séculos pelo magistério, e que mantenham fielmente tudo aquilo que no passado foi decretado acerca do culto das imagens de Cristo, da Virgem e dos santos (cfr. Conc. Niceia II). (...) E os fiéis lembrem-se de que a verdadeira devoção não consiste numa emoção estéril e passageira, mas nasce da fé, que nos faz reconhecer a grandeza da Mãe de Deus e nos incita a amar filialmente a nossa mãe e a imitar as suas virtudes.»

(Concílio Vaticano II, Const. Dogm. Lumen gentium, nn. 52-54.67)

Começa o mês de Maio, para todos os portugueses, com a alegria recente da canonização de São Nuno de Santa Maria. Este homem, que tanto contribuiu para a manutenção da nossa identidade nacional, acabou os seus dias na cidade de Lisboa, como irmão da Ordem do Carmo, vivendo no Mosteiro que ele mesmo fundou e espalhando o seu amor a Deus no cuidado dos seus próximos mais desfavorecidos e com uma vida exemplar de oração e de penitência.

Um amor e uma devoção muito fortes a Nossa Senhora, fizeram dele, D. Nuno Álvares Pereira, Frei Nuno de Santa Maria, depois de ter sido condestável do reino e inseparável apoiante do Mestre de Avis, o nosso futuro rei D. João I. D. Nuno foi o grande obreiro de várias vitórias portugueses sobre as hostes inimigas, nomeadamente em Aljubarrota.

A sua figura é sempre digna de recordar, ainda de que uma forma breve e a traços largos. Nascido em 1360, filho de D. Álvaro Gonçalves Pereira, cedo entrou na corte de D. Fernando, o último rei da nossa I dinastia, como pajem de sua esposa, a rainha D. Leonor Teles.

Com a morte deste soberano em 1383, abriu-se uma crise dinástica, que poderia ter levado ao trono de Portugal o rei de Castela, o que facilitaria a inclusão do nosso país como uma parte desse reino.

Levantou-se em Portugal um movimento de apoio ao então Mestre de Avis, D. João, irmão do nosso falecido rei D. Fernando, contrário à ingerência estrangeira nos destinos portugueses. Assim foi nomeado primeiramente como Regedor e Defensor do Reino. A ele deu o seu assentimento D. Nuno Álvares Pereira. O Mestre de Avis, reconhecendo as qualidades e virtudes deste jovem cavaleiro, nomeia-o para o seu Conselho de Guerra, atribuindo-lhe as funções de fronteiro entre os rios Tejo e Guadiana.

A partir de então, D. Nuno manifesta-se um pilar fundamental da luta contra Castela, vencendo, como se sabe, as tropas inimigas em várias batalhas e lutas, de que os nomes de Atoleiros, Trancoso, Valverde e, sobretudo, Aljubarrota (ano de 1385), são os mais veementes da sua carreira de bom chefe militar, que prima pelo mérito das suas virtudes pessoais e tácticas e não pelos meios humanos e recursos materiais, francamente escassos. A guerra, com as inevitáveis disputas e intervalos de tréguas, prolonga-se por muito tempo, até que se celebra um acordo de paz duradoiro entre Portugal e Castela em 1411.

D. Nuno vê-se beneficiado pelo então já rei de Portugal, D. João I, com inúmeras honras e terras, que dele fazem quase dono de meio país. Por sua vontade, teria distribuído boa parte dos seus bens pelos que o tinham ajudado. No entanto, por deliberação do rei, não foi assim, que aproveitou o casamento da única filha de D. Nuno, já então viúvo, D. Branca, com um seu filho, D. Afonso, para dar outro curso a tantas riquezas. Desse matrimónio nasceu a Casa de Bragança, que deu origem à estirpe real da IV dinastia portuguesa, inaugurada por D. João IV, em 1640.

A figura de D. Nuno Álvares Pereira é uma prova constante de determinação e capacidade de decisão, aliadas a um conjunto de virtudes humanas e de conhecimentos tácticos da arte militar, que ditaram, em parte, a sorte da luta a favor de Portugal. Certamente que nada disso seria possível se não tivesse sido bem ajudado por colaboradores à altura dos acontecimentos e das situações. Mas sempre é necessário que haja alguém capaz de tomar as medidas certas nos momentos oportunos. E isso provou-o D. Nuno, que, de resto, se mostrou depois um bom administrador dos seus bens, aos quais não se apegou, o que manifesta, da sua parte, uma atitude humana cheia de dignidade e de responsabilidade social, além do sentido cristão da partilha, como se acentuou.

Há um ditado escolástico que diz que "a graça não destrói a natureza; pelo contrário, completa-a e aperfeiçoa-a". D. Nuno Álvares Pereira parece ser um seu exemplo claro. Admiramos a sua capacidade para de tudo se despojar e servir a Deus, quando se faz carmelita. Mas não deve esquecer-se o enorme valor humano das suas qualidades, enquanto leigo, onde, de resto, viveu sempre como um primoroso cristão.

Aliás, não podemos pensar que, de outra forma, tivesse coragem de tomar uma decisão tão radical para fazer a vontade de Deus, ao viver, pobre e humildemente, como irmão, no Convento do Carmo.