1 de março de 2009

Mensagens Quaresmais

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE O PAPA
BENTO XVI PARA A QUARESMA DE 2009

MENSAGEM DE SUA EMINÊNCIA O CARDEAL-PATRIARCA
D. JOSÉ DA CRUZ POLICARPO PARA A QUARESMA DE 2009

São Tomás de Aquino e a Paixão do Senhor

São Tomás de Aquino (1225-1274) é provavelmente o maior teólogo de toda a história da Igreja. Chamado pelo Magistério o «doutor comum» por sobressair às disputas de escola ou de tendência, escreveu numerosas obras entre as quais o seu Comentário ao Credo.

«Que necessidade havia para que o Filho de Deus sofresse por nós? Uma necessidade grande e, por assim dizer, dupla: para remédio contra o pecado e para exemplo daquilo que devemos fazer.

Foi em primeiro lugar um remédio, porque na paixão de Cristo encontramos remédio para todos os males em que incorremos por causa dos nossos pecados.

Mas não é menor a utilidade que tem como exemplo. Na verdade, a paixão de Cristo é suficiente para orientar toda a nossa vida. Quem quiser viver em perfeição, basta que despreze o que Cristo desprezou na Cruz e deseje o que Ele desejou. Nenhum exemplo de virtude está ausente da Cruz.

Se queres um exemplo de caridade: Não há maior prova de amor do que dar a vida pelos seus amigos. Assim fez Cristo na Cruz. E se Ele deu a vida por nós, não devemos considerar penoso qualquer mal que tenhamos de sofrer por Ele.

Se procuras um exemplo de paciência, encontras na Cruz o mais excelente. Reconhece-se uma grande paciência em duas circunstâncias: quando alguém suporta com serenidade grandes sofrimentos, ou quando pode evitar os sofrimentos e não os evita. Ora Cristo suportou na Cruz grandes sofrimentos, e com grande serenidade, porque sofrendo não ameaçava; e como ovelha levada ao matadouro, não abriu a boca. É grande portanto a paciência de Cristo na Cruz: corramos com paciência à prova que nos é proposta, pondo os olhos em Jesus, autor e consumador da fé, que em lugar da alegria que Lhe era proposta suportou a Cruz, desprezando-lhe a ignomínia.

Se queres um exemplo de humildade, olha para o crucifixo: Deus quis ser julgado sob Pôncio Pilatos e morrer.»

(SÃO TOMÁS DE AQUINO, Collatio 6 super Credo in Deum)

Decorre todo o mês de Março como tempo quaresmal, pelo que devemos dar à Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo a relevância que ela tem para a nossa salvação.

É preciso saber encarar o sofrimento do nosso Mestre como uma grande manifestação de Amor por todos e cada um de nós. Pode parecer-nos exagerado o grau de sacrifício a que Ele Se entregou de forma voluntária. Não teria Deus outros processos mais sadios para nos voltar a dar o Céu, perdido irremediavelmente com o pecado original dos nossos primeiros pais?

A resposta a esta questão é positiva. Deus não se encontra limitado por nada quando quer obter um objectivo. Ele é omnipotente, pelo que bastaria um impulso da sua vontade para nos garantir a nossa salvação.

No entanto, em todos os gestos e atitudes de Deus para connosco há sempre uma intenção educadora. Não esqueçamos que Ele é Pai e é dever de um pai proceder para com os seus filhos, de modo a que eles entendam, tanto quanto lhes for possível, aquilo que ele lhes propõe.

Para poder morrer por nós na Cruz, Cristo teve de encarnar, isto é, fazer-Se homem. Ele foi, como qualquer um de nós, um bebé inerme, depois de estar no seio materno de Maria o tempo necessário para poder nascer. Teve de alimentar-se no peito de Nossa Senhora, aprender a andar, a falar, a rezar e a relacionar-se com os outros.

Cresceu normalmente, entregue aos cuidados dos seus pais, que Lhe ensinaram o que um casal de judeus, santo e irrepreensível, costumava dar aos seus filhos. Assim se desenvolveu, aprendendo com o exemplo santificante de Maria e de José, a amar a vontade de Deus e os outros, sobretudo aqueles que Lhe eram mais próximos.

Não chama a atenção e, salvo um pequeno episódio mais inusitado no templo de Jerusalém quando ali vai no princípio da sua adolescência, ninguém diria que Ele era o Messias prometido desde os primórdios da humanidade pelo seu Pai. Só por inspiração divina alguns O reconhecem como uma criança especial: João Baptista no ventre de sua mãe, os pastores que vão ao presépio, o velho Simeão e Ana na sua apresentação no Templo, os Magos que vêm de longes terras. No início da sua vida pública, conhecem-no como o "filho do carpinteiro" e surpreendem-se com a autoridade com que fala e expõe a sua mensagem.

Jesus não é, portanto, um E.T., mas um simples aldeão da Galileia. Com a particularidade de que conta histórias encantadoras – as parábolas tão pedagógicas – e, sempre com reserva e comedimento, faz milagres espantosos, que revelam da sua parte um poder divino. Até tem a ousadia de perdoar os pecados em nome pessoal – capacidade que só Deus possui!

A sua normalidade choca. Em breve ganha profundos inimigos e grandes seguidores. Alguns destes são mesmo capazes de abandonar tudo para O acompanhar nas suas caminhadas evangelizadoras. Os primeiros não toleram o seu ascendente sobre as massas e condenam-nO à morte de uma forma ilícita e vergonhosa. Um procurador romano adepto do "politicamente correcto", convencido da inocência de Jesus, cede à pressão dos seus acusadores e manda-O crucificar. Importa mais a paz do que a verdade. No seu cepticismo de homem de conciliações abstrusas, perguntou mesmo a Cristo: "O que é a verdade?"

Sem uma queixa, ciente de que está a cumprir um mandato de Deus, Seu Pai, Jesus deixa-Se conduzir até ao lugar da execução, onde é crucificado juntamente com dois malfeitores. Reza intensamente, pede perdão ao Pai pelos autores da sua condenação à morte, converte um dos companheiros de suplício e desprende-Se até do ser que mais amava nesta terra, a sua Mãe, pedindo-lhe para assumir a nossa maternidade espiritual, que ela aceita na pessoa do discípulo predilecto do seu Filho, João.

Com a consciência de que cumpriu até ao fim a tarefa que Deus Lhe tinha pedido, Jesus morre, dizendo: "Tudo está consumado". O seu sacrifício tem um valor infinito, porque é o de uma Pessoa divina que Se fez Homem. Redimiu-nos, isto é, obteve para nós o perdão dos nossos pecados, incluindo o da má herança recebida pelo que foi cometido por Adão e Eva nos primórdios do género humano. Voltamos a receber a graça de Deus e, com ela, a filiação divina, que nos torna herdeiros do Céu.

Continuamos a não entender o sofrimento de Jesus? Parece-nos um exagero? Pensemos que no Coração de Cristo, manso e humilde, palpita o Amor de Deus. E que este, por ser perfeito, tem contornos que nos serão sempre misteriosos. Se nos admiramos tantas vezes com os requintes do amor de uma mãe pelos seus filhos, quanto mais não teremos de render o juízo perante o Amor infinito do nosso Deus.

A Via-sacra

Uma das práticas de piedade mais estendidas entre o povo cristão é a consideração da Paixão do Senhor, sobretudo do seu caminho com a Cruz aos ombros até ao Calvário onde foi crucificado. Esta prática tem especial relevância na Quaresma, mais ainda à sexta-feira, que foi o dia da semana em que tudo aquilo sucedeu.

A Via-sacra – assim chamada esta prática por se tratar de um caminho (via) e por ser sagrado (sacra), por ser aquele caminho que nos trouxe a comunhão com Deus – consiste na representação à nossa imaginação de catorze cenas ou etapas às quais se dá o nome de estações.

No seu esquema tradicional, nove dessas estações estão tiradas da Escritura – a 1ª, 2ª, 5ª, 8ª, 10ª, 11ª, 12ª, 13ª e 14ª –; as outras cinco procedem da Tradição. Todas elas encerram ensinamentos sobre o modo como o Senhor nos quis amar e nos estimulam a corresponder com mais generosidade a esse amor.

Podemos fazer a Via-sacra como nos der mais devoção. Nas igrejas estão colocadas catorze cruzes para que os fiéis possam seguir visualmente esse percurso ao longo das suas paredes, tendo a Igreja concedido indulgências para quem as quiser seguir. Mas nada impede que a façamos em nossa casa. Podemos seguir um texto ou podemos simplesmente imaginar por nossa conta.

O que importa é reviver aqueles passos de Jesus. «A Via-sacra. – escrevia São Josemaria – Esta é que é devoção vigorosa e substancial! Oxalá te habituasses a rever esses catorze pontos da Paixão e Morte do Senhor, às sextas-feiras. – Asseguro-te que obterias fortaleza para toda a semana» (Caminho 556).

BAPTISMOS EM MARÇO

Dia 07, Sábado

  • 12.00h : Carolino Botelho Loureiro
  • 16.00h : Madalena Coutinho da Silva

Dia 21, Sábado

  • 12.00h : Miguel António Figueiredo Teixeira

CURSOS QUE PODE FREQUENTAR NA NOSSA PARÓQUIA NESTE MÊS

Curso de Catecúmenos –2ª Feiras, 19.15h: Dias 9, 16, 23 e 30 – Para as pessoas interessadas em ingressar no catecumenato e, eventualmente, receberem os Sacramentos da Iniciação Cristã.

Curso de Teologia para Universitários – Anatomia da Fé Católica (Em curso). 3ªs Feiras, 19.15h: Dia 10: Os primeiros capítulos do Génesis: verdade ou mitologia?; Dia 17: Foi Moisés quem escreveu o Pentatêuco?; Dia 24: O Messias e o messianismo; Dia 31: Qual a importância da deportação da Babilónia?

Curso de Teologia para Todos – (Em Curso). Uma vez por mês. Próxima sessão: Dia 9, 2ª Feira, 19.15h: Sacramentos Unção dos doentes e Ordem

Curso Bíblico sobre S. Paulo – Quem és Tu, Senhor? (Em curso). Uma vez por mês. Próxima sessão :Dia19, 5ª Feira, 21.30h.

Curso de Preparação para o Crisma –5ªs Feiras, 19.15h: Dias 5 e 19 - Para paroquianos e outras pessoas que desejem ser Crismados. 11 Aulas.

CATEQUESE

De acordo com o Calendário Catequético entregue aos pais dos alunos que frequentam a nossa catequese, as aulas interrompem-se com as férias escolares da Páscoa, que se iniciam 28 deste mês, Sábado. O seu recomeço está marcado para o dia 14 e Abril, 3ª Feira a seguir ao Domingo de Páscoa, 12 de Abril.

FOLAR DA PÁSCOA - AJUDAR OS QUE MAIS PRECISAM

Tal como no Natal, a Páscoa representa sempre para todos os agregados familiares um ponto de referência muito relevante.

Nela se reúnem os que habitualmente se encontram longe uns dos outros. No entanto, nem sempre é possível que isto aconteça a todas as famílias. Muitas, por questões económicas, agravadas agora pela forte crise em que nos encontramos. Por isso, o FOLAR DA PÁSCOA vai representar para as cerca de cinquenta famílias carentes que pretendemos atender, talvez a única possibilidade de festejarem condignamente esta data que tanto nos fala de Cristo, tendo em conta que nos mandou amar uns aos outros como Ele nos amou.

Além de voluntários para visitar famílias e preparar o FOLAR, pedíamos a todos os paroquianos que, como sempre, sejam generosos, entregando, a partir de Domingo, 22 deste mês, roupas, calçado, géneros alimentícios duráveis (massa, arroz, leite, azeite, óleo, bolachas, conservas, bebidas não alcoólicas, etc) e dinheiro. Também se agradece que nos indiquem pessoas necessitadas, servindo assim de garantes da idoneidade da sua inscrição do FOLAR.

Os candidatos devem inscrever-se, entre 2ª Feira, dia 9 e 6ª Feira, dia 19. Não serão aceites novos candidatos, para além dos que já receberam o CABAZ DO NATAL, que não sejam apresentados por um paroquiano ou por uma entidade condigna.

A distribuição do FOLAR far-se-á, como habitualmente, em dois dias:

  • ROUPAS: 4ª Feira (Santa), 8 de Abril;
  • COMIDA: 5ª Feira (Santa), 9 de Abril
  • Em ambos os dias, entre as 10.30h e as 12.00h.

RECOLECÇÕES MENSAIS

2ª Feira, 2: Homens: 19.15h – no Salão da Igreja

5ª Feira, 12: Senhoras: 19.15h – na Igreja

O que é uma recolecção?

CONSELHO ECONÓMICO: Informação sobre a última reunião de 12/02/2009

Por convocatória do Pároco, reuniu-se na data indicada o Conselho Económico, órgão consultivo da direcção da Paróquia. A principal iniciativa que dele saiu foi o aconselhamento de liquidar – uma vez que havia essa possibilidade –, o resto da dívida do empréstimo que se contraiu em 2006, com a anuência do Patriarcado, e a quando das obras de restauro da nossa Igreja. O empréstimo concedido por uma entidade bancária foi de 100.000 Euros. Tendo-se procedido, em duas etapas posteriores, a uma redução considerável do seu montante, em Janeiro deste ano, o débito ainda existente andava perto dos 7.000 Euros. Em conformidade com a opinião unânime dos membros do Conselho Económico, procedeu-se à sua liquidação, evitando assim o pagamento de mais juros mensais.

Também se concordou que se realizasse um peditório específico para custear a quantia que agora se entregou ao banco e para a aquisição de alguns paramentos que se encontram em pior estado. Este peditório terá lugar no primeiro domingo de Abril próximo.

AGRUPAMENTO Nº 683 DO CNE

Neste mês, a vida do Agrupamento centra-se sobre a Festa das Promessas, a realizar nos próximos dias 28 (Sábado) e 29 (Domingo). No primeiro dia, à noite, haverá a Vigília de Oração. Na manhã de Domingo, na Eucaristia serão feitas as Promessas. A partir de dia 30, os Pioneiros iniciarão uma actividade cujo título é “A PROCURA”.

VIA-SACRA ÀS 6ªs FEIRAS DA QUARESMA

Durante a Quaresma, rezar-se-á, às 6ªs Feiras, às 18.00h, antes da Missa das 18.30h, a Via-sacra, em lugar da recitação do Terço. Convidamos todos os paroquianos a participar neste momento tão adequado de oração quaresmal.