1 de fevereiro de 2009

Uma velha tradição piedosa da Igreja procura honrar de uma forma especial o grande santo que é São José. Trata-se dos 7 Domingos de São José, que, neste ano, começam no dia 1 de Fevereiro e se prolongam até ao Domingo imediatamente anterior ao dia 19 de Março, Solenidade em honra do pai legal de Jesus. Ao longo deste tempo acompanhamos o carpinteiro de Nazaré nas suas vicissitudes alegres e dolorosas, que ele soube agradecer e aceitar como um bom filho de Deus, sem nunca se queixar ou protestar.

Por desconhecimento ou má interpretação da virtude da castidade, houve quem pensasse que o esposo de Maria era já idoso quando casou com a Virgem Santíssima. Desta maneira, não seria difícil a José conviver com a Mãe de Jesus, respeitando a sua virgindade. No entanto, os costumes em Israel, nos seus tempos, não tinham nada a ver com esta suposição.

Os homens casavam com cerca de dezoito anos e as mulheres mais cedo. José, nesta perspectiva, devia ser um jovem cheio de robustez, de calma e de prudência. Um bom judeu, que respeitava com rigor a vontade de Iavé, tornando-se sempre disponível para aceitar os seus desígnios. Com grande delicadeza interior, ouvia a sua voz na consciência, mostrando-se imediatamente capaz de aderir às sugestões divinas para realizar o que Ele lhe pedia. Não resmungava, nem punha em causa a sua oportunidade ou a sua lógica, que nem sempre é fácil de entender.

Percebemos assim a celeridade de José em fugir com a sua família para o Egipto: a viagem tinha de ser imediata, apesar dos incómodos e perigos que importava. José não hesita: parte imediatamente. Assim também, quando, avisado por um anjo, volta para a Palestina de novo, ficando a seu pleno cargo a maneira de sustentar Maria e Jesus, que lhe competia.

Não existe uma palavra de S. José no Evangelho, escrita no discurso directo. Se falar é um dom que Deus nos concedeu, podemos adulterá-lo com o mau uso da nossa liberdade, recorrendo à lisonja, à mentira, ao ódio e, enfim, a tudo aquilo que nos pode manchar. A racionalidade, que é um dom divino, foi feita, para que a nossa inteligência, juntamente com a vontade e a afectividade, coordene o uso da língua de modo correcto e honesto.

Falar com oportunidade e sentido de verdade; nunca dizer o que é falso, ou simplesmente duvidoso como certo, eis como deve ser o nosso comportamento. José assim o manifesta, no seu silêncio prudente e voluntário, em circunstâncias difíceis de aceitar e decidir. Vive com a preocupação dominante de não prejudicar os outros com a sua conduta. Neste sentido, vejamos como foi forte ao afastar-se de cena, quando se apercebe da gravidez de Maria, a fim de que sobre ela – que José considerava totalmente isenta de qualquer mau proceder – recaia alguma suspeita de desonestidade. Evita o risco de a sua esposa poder vir a ser maltratada na fama da sua honra e até no perigo da sua vida, tendo em conta o que dizia a lei de Moisés a este respeito.

José é escolhido por Deus para ser o pai e o educador, em conjunto com Maria, do Verbo Encarnado, Jesus Cristo. Desempenha esse papel com simplicidade e, sobretudo, com o exemplo de um chefe de família zeloso, que procura o bem dos seus através do trabalho quotidiano bem feito e santificado. A sua passagem pelo Novo Testamento é discreta e humilde. Aparece quando é preciso e deixa de se ver quando Jesus, já crescido, pode substitui-lo nas suas funções e se prepara para a sua missão de Redentor. Quantos traços da vida do Messias não denunciariam a fonte onde foram bebidos. A fortaleza de Cristo, a sua humildade, o seu abandono na vontade de Deus, a sua linguagem humilde e cheia de exemplos e parábolas, são sinais que desvendam o nome de um homem rijo e cumpridor, ou seja, o nome de José.

Durante estes sete domingos, que coincidem em boa parte com o tempo exigente da Quaresma, peçamos a José que nos ensine a ser humildes e fortes como ele, a fim de que não recusemos a Deus tudo aquilo que ele nos for pedindo, sobretudo quando as solicitações divinas não são fáceis de viver.

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