8 de fevereiro de 2009

O tempo da Quaresma em São Leão Magno

São Leão Magno (fins do século IV-461) é considerado como «guardião da ortodoxia e salvador da civilização ocidental», porque durante o seu pontificado (440-461) teve que defender a pureza da fé contra várias heresias e proteger Roma contra os assaltos dos bárbaros sobretudo Atila e Genserico. Foi chamado grande também pela sua eloquência.

«Em todo o tempo, irmãos caríssimos, a terra está cheia da misericórdia do Senhor, e todos os fiéis encontram na própria natureza motivos de adoração a Deus, uma vez que o céu, a terra, o mar e tudo o que eles contêm, nos falam da bondade e omnipotência d’Aquele que os criou, e a admirável beleza dos elementos postos ao nosso serviço reclamam da criatura racional uma justa acção de graças.

Mas quando se aproximam estes dias que comemoram de modo especial os mistérios da redenção humana e que precedem imediatamente as festividades pascais, devemos preparar-nos com maior diligência por meio da purificação espiritual.

Na verdade, é próprio da festa da Páscoa fazer com que toda a Igreja se alegre pelo perdão dos pecados, não só aqueles que então renascem pelo santo Baptismo, como também aqueles que pertencem desde há muito à família dos filhos adoptivos.

É sem dúvida o banho da regeneração que nos faz homens novos; mas todos têm necessidade de se renovarem quotidianamente para remediar a ferrugem inerente à nossa condição mortal, e não há ninguém que não tenha que esforçar para progredir no caminho da perfeição; por isso, todos sem excepção devemos empenhar-nos para que, no dia da nossa redenção, nenhum de nós se encontre ainda nos vícios de outrora.

Portanto, irmãos caríssimos, aquilo que cada cristão deve praticar em todo o tempo, deve praticá-lo agora com maior solicitude e devoção, para que se cumpra a santa instituição apostólica do jejum quaresmal, que consiste não só na abstenção dos alimentos, mas também e sobretudo na abstenção do pecado»

(SÃO LEÃO MAGNO, Sermão 6 sobre a Quaresma, 1; PL 54,285-286)

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