9 de janeiro de 2009

Votos de Bom Ano!

Começa 2009 sob a égide de S. Paulo, o grande apóstolo que espalhou a fé em Cristo por tão diferentes regiões do Império Romano.

Quando Deus quer atingir um objectivo, escolhe as pessoas que melhor o podem servir. Habitualmente, servindo-se da sua providência ordinária. Mas não recusa também socorrer-se de meios menos habituais para o conseguir. Assim devemos olhar para o que aconteceu ao jovem Saulo quando se dirigia a Damasco, com o intuito de prender e dar um golpe fatal naqueles seus compatriotas que se tinham deixado seduzir por esse Jesus Nazareno. Ou não tinham as autoridades religiosas de Jerusalém conseguido que fosse para o suplício da Cruz, através de Pôncio Pilatos, Procurador Romano da altura, e única autoridade que O podia mandar executar legalmente?

Pouco antes, Saulo tinha patrocinado, com a sua anuência, a morte de Estêvão, deixando guardar a seus pés as roupas daqueles que o lapidavam sem piedade. Inesperadamente, quando já se aproximava da cidade de Damasco, Jesus trocou-lhe as voltas, fazendo-lhe ver que perseguir os seus discípulos era o mesmo que O perseguir a Ele: “Saulo, Saulo – inquiriu em tom recriminatório –, por que me persegues?” (Act. 9, 4).

A nobreza de carácter do futuro apóstolo leva-o a consciencializar o seu erro e, duma forma imediata, põe-se à disposição do Senhor para fazer o que Ele lhe disser. Depois, a vida de S. Paulo é um constante fazer o que Deus lhe pede, no meio das maiores dificuldades e tribulações. Não desiste, prega sempre a Cristo crucificado (1 Cor 2, 2) e entre Ele e o Redentor há uma união íntima de sentimentos e propósitos, que o levam a exclamar: “Já não sou eu quem vive. É Cristo que vive em mim (Gál 2, 20) ”.

Esta frase deve levar-nos a pensar seriamente na qualidade das nossas relações com Jesus. Se não tivermos a disponibilidade demonstrada por Paulo para assumir o que Cristo nos solicita a cada momento, encontrar-nos-emos sempre numa posição de defesa e de afastamento de Quem pode dar-nos (e só Ele o pode) a alegria de viver com sentido pleno a nossa existência. E recordemos que o tom daquilo que o apóstolo pregava aos que Deus lhe punha no seu caminho era sempre o tema da Paixão do Senhor, do Filho de Deus que morre por nós, a fim de que um dia possamos ressuscitar para a vida eterna, sendo nós também filhos do mesmo Pai divino.

Não o fazia dum modo triste ou revoltado, mas convicto de que o sacrifício de Jesus era a fonte da graça e do Céu reconquistados. Por isso, se custava segui-Lo, o cumprimento da sua vontade era a razão de ser única da nossa paz e da nossa alegria. Aceitar as vias a que Cristo nos convidava era a fonte de toda a consolação e também o sal que dava sabor a tudo o que fazíamos. Um Cristianismo sem Cruz não existe, mas a Cruz nunca nos amarfanha ou destrói, porque ela pertence a Cristo e é Ele que a carrega. Nós apenas somos o cireneu que O ajudou a transportá-la. No Calvário, se há sofrimento, há fundamentalmente a convicção de que ele é passageiro e o que nos espera, se formos fiéis, na vida eterna não tem comparação com o que Deus permite que nos mortifique na nossa passagem pela terra.

No início deste novo ano, em que tantas esperanças se nos abrem, não esqueçamos que elas devem ser alicerçadas em Cristo e Cristo crucificado, loucura para os gentios e escárnio para os judeus (1 Cor 1, 22-25). Maria Santíssima estará sempre connosco nos momentos decisivos dos “calvários” da nossa vida. Será sempre a Mãe que nos consola e incita a ir até ao fim no cumprimento do que Deus nos pede. Como o fez no verdadeiro Calvário com Jesus, seu Filho.

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