9 de janeiro de 2009

Os actos de contrição

Na vida de São Paulo há um acontecimento que deixa uma marca tão profunda que se poderia dizer que constitui o seu centro: é a conversão, a caminho de Damasco, um caminho determinado pela perseguição aos cristãos. É uma espécie de cambalhota, um movimento que assinala a inversão da marcha.

A vida de São Paulo tem uma transcendência particular mesmo comparada com outras vidas de pessoas boas, que seguiram Jesus. Na vida de São Paulo a conversão não foi um facto arquivado e vagamente recordado. Ela continuou a marcar o presente. Poderíamos até dizer que a vida de São Paulo é a vida de um homem em contínua conversão, quer dizer uma pessoa que procura corrigir o seu rumo todos os dias, ajustando-o à luz que ele recebera a caminho de Damasco. Foi uma luz que o acompanhou toda a vida, porque era íntima e cada vez se tornou mais íntima.

Nós não temos que imitar São Paulo em tudo. Deus não nos pede que persigamos a Igreja como ele a perseguiu, nem provavelmente que fundemos igrejas como ele fundou, ou que soframos tudo o que ele sofreu por amor ao Evangelho. Mas podemos imitá-lo na atitude de conversão contínua, graças aos actos de contrição.

A contrição é o resultado de uma luz que se projecta sobre a nossa vida e sobre a nossa pessoa. Nessa luz nota-se que há algum aspecto que ofende a Deus, ou que ofende os outros ou que ofende o projecto que Deus tem para cada um. Perante essa luz também nós paramos, caímos, reconhecemos o mal e pedimos perdão.

É nisto que consiste um acto de contrição. Um acto de contrição não é longo mas produz fruto abundante porque a alma se humilha perante Deus, e, por vezes, também perante os outros. A graça de Deus entra facilmente numa alma contrita e ajuda-a a melhorar. Em todo o caminho que nos leva a Cristo esta devoção deve ocupar um lugar de destaque.

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