1 de dezembro de 2008

O Evangelho da Vida de João Paulo II

O Papa João Paulo II foi um grande lutador e também um sofredor pela causa da vida humana. No dia 13 de Maio de 1981 sofreu um atentado que o poderia ter morto e atribuiu à Virgem Maria a sua salvação. A partir de 1994 a sua saúde deteriorou-se muito e a 25 de Março de 1995 assinou uma Encíclica onde quis expor a doutrina da Igreja «sobre o valor e a inviolabilidade da vida humana».

«As opções contra a vida nascem, às vezes, de situações difíceis ou mesmo dramáticas de profundo sofrimento, de solidão, de carência total de perspectivas económicas, de depressão e de angústia pelo futuro. Estas circunstâncias podem atenuar, mesmo até notavelmente, a responsabilidade subjectiva e, consequentemente, a culpabilidade daqueles que realizam tais opções em si mesmas criminosas. Hoje, todavia, o problema estende-se muito para além do reconhecimento, sempre necessário, destas situações pessoais. Põe-se também no plano cultural, social e político, onde apresenta o seu aspecto mais subversivo e perturbador da tendência, cada vez mais largamente compartilhada, de interpretar os mencionados crimes contra a vida como legítimas expressões da liberdade individual, que hão-de ser reconhecidas e protegidas como verdadeiros e próprios direitos.

Chega assim a uma viragem de trágicas consequências um longo processo histórico, o qual, depois de ter descoberto o conceito de “direitos humanos” – como direitos inerentes a cada pessoa e anteriores a qualquer Constituição e legislação dos Estados –, incorre hoje numa estranha contradição precisamente numa época em que se proclama solenemente os direitos invioláveis da pessoa e se afirma publicamente o valor da vida, o próprio direito à vida é praticamente negado e espezinhado, particularmente nos momentos mais simbólicos da existência, como são o nascer e o morrer. (...)

O Evangelho da vida não é exclusivamente para os crentes: destina-se a todos. A questão da vida e da sua defesa e promoção não é prerrogativa unicamente dos cristãos. (...) Na vida, existe seguramente um valor sagrado e religioso, mas de modo algum este interpela apenas os crentes: trata-se, com efeito, de um valor que todo o ser humano pode enxergar, mesmo com a luz da razão, e, por isso, diz necessariamente respeito a todos.»

(Carta Encíclica Evangelium vitæ, 25-III-1995, nn. 18 e 101)

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