1 de dezembro de 2008

Do Pároco

Mais uma vez o Natal nos bate à porta. E, com ele, todas as esperanças que, para nós, cristãos, representa a Encarnação de Jesus Cristo, de acordo com a promessa que Deus fez aos nossos primeiros pais, logo após a tremenda desobediência do pecado original. Advertindo o demónio, disse Iavé: Estabelecerei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela. Esta há-de pisar-te a cabeça, e tu armarás traições ao seu calcanhar (Gén 3, 15).

O Senhor fala para seres inteligentes, que dominam as coisas quando as conhecem e as compreendem e, por isso mesmo, as podem governar ou servir-se delas para seu próprio benefício. É óbvio que Adão e Eva, ao cederem à tentação que o demónio lhes lançou, ficaram seus escravos, pois deram mais crédito ao que o diabo lhes insinuou do que à palavra veracíssima de Deus. Nesta nova condição, perderam o dom de um dia viverem na eternidade com Deus, e passaram a sofrer e a morrer. No entanto, o homem tinha sido dotado com uma alma imortal, de natureza espiritual, por criação divina. Esta continuaria a existir depois da morte, podendo alcançar, quando muito, uma felicidade natural, de acordo com os méritos maiores ou menores que conquistasse na sua vida terrena. Ou então, ser condenada à convivência horrorosa com todos os seres que recusaram soberbamente o Amor de Deus, como os anjos rebeldes que deram origem ao inferno.

Mas se há alguém, que, da descendência da mulher, é capaz de pisar a cabeça do demónio, isto significa que retirará dele o poder com que ficou sobre os nossos primeiros pais e os seus descendentes. E ainda, que os ataques que ele conseguir armar aos que forem libertados do seu jugo – as tais “traições ao seu calcanhar” – serão ineficazes se houver fidelidade a Deus. Vemo-lo com evidente clareza na forma como o próprio Jesus Se negou a seguir os caminhos que o demónio Lhe sugeriu, quando O tentou.

Esse alguém da descendência da mulher, dizem os exegetas da Sagrada Escritura e o Magistério da Igreja, é Cristo, concebido miraculosamente, por obra e graça do Espírito Santo, sem o concurso de varão, no seio puríssimo da Virgem Maria. Deste modo, a passagem do Génesis citada, é considerada como o primeiro anúncio da Encarnação de Jesus, ou seja, o chamado proto (= primeiro) Evangelho.

À Encarnação une-se o seu fim, que foi a Redenção, isto é, a reconquista, por parte de Cristo com os seus méritos, da condição original do homem ser candidato à felicidade eterna, junto de Deus (o Céu), dom que havia perdido com o pecado original.

Com a concepção de Jesus, manifesta-se essa acção divina de Amor pelo homem. Depois, concretiza-se ainda mais, se se pode assim dizer, quando O vemos nascer, totalmente pobre e totalmente inerme, no presépio de Belém, sob os olhares maravilhados de Nossa Senhora e de S. José, aos quais rapidamente se juntam os dos pastores das imediações, alertados pelos anjos que aparecem nos céus.

É esta criança simples e pobre, que veremos mais tarde, já adulta, pregar o Reino de Deus, sofrer a Paixão e Morte, ressuscitar e subir aos Céus e aí nos esperar nas muitas moradas que, com o seu Amor e o seu sacrifício, nos veio preparar nos anos que passou aqui na terra.

Olhemos o presépio que vamos fazer nas nossas casas. Procuremos descobrir todas as lições de Amor e de desprendimento que ele comporta. O Menino Jesus, deitado na manjedoura, é o Deus-feito-Homem que nos ama loucamente, nos perdoa os nossos pecados, nos alenta a segui-Lo nos caminhos nem sempre fáceis que a Sua Cruz comporta e nos quer estreitar no abraço eterno do Céu, a fim de que sejamos inteiramente felizes. Para isso nos criou.

A todos, votos de um Santo Natal e de Boas Festas.

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