1 de novembro de 2008

A devoção às Almas do Purgatório

Sabemos que a alma que se separa do corpo não morre. Ela permanece viva. Mas que tipo de vida é que pode ela ter fora do corpo? A nossa alma está feita para um corpo e por isso esse estado de separação é violento para ela, ou seja, faz violência à própria natureza humana.

Sabemos que as almas são imediatamente julgadas e que o juízo é definitivo, ou de salvação ou de condenação. Mas aquelas que se salvam podem ter imediatamente uma vida feliz, misteriosa para nós, uma vez que ainda não receberam o seu corpo ressuscitado, ou uma vida de purgação, que é feliz e infeliz ao mesmo tempo.

Sabemos enfim que essas almas que se purgam, que ainda não podem ter uma vida plenamente feliz, são felizes porque sabem, sem temor de se enganar, que o seu estado é passageiro e que acabarão por gozar da felicidade plena, e são infelizes porque a sua visão não é a de Deus no Céu, como poderia ser já, se não tivessem pecado.

A devoção pelas Almas do Purgatório é uma comunhão com a sua dor e com a sua alegria. Alegramo-nos com elas pela esperança. Elas, ao contrário de nós, não esperam com imperfeição, mas com perfeição. Esperam aquilo que sabem que receberão com certeza. Que grande felicidade saber que se conseguiu o sumo Bem, mesmo que ainda não se possua! Estão mais acima de nós nesse ponto. Nós ainda podemos atraiçoar o Senhor. A nossa esperança não é tão perfeita, porque admite alguma incerteza e o temor de ofender a Deus. Elas já não O ofendem mais.

Sofremos com elas porque não vemos a Deus cara a cara, pela separação da sua presença. Que dor tão aguda que nada nesta terra se lhe pode comparar. Nós podemos sempre aliviar-nos, porque estamos no tempo, vivendo no corpo que nos distrai. Não há nada que possa fazer esquecer e aliviar a essas a pena terrível da visão dos próprios pecados e a ausência da presença beatífica de Deus. Por isso tentamos aliviá-las. Oferecemos pela sua purificação tudo o que podemos. A meditação no seu sofrimento ajuda-nos a ser muito generosos neste alívio.

Como fruto notamos uma presença mais viva do Céu em nós. Esta devoção produz, naquele que a pratica, um grande aumento da fé, porque se põe em prática aquilo em que se crê, da esperança porque se comunga da perfeita esperança dessas Almas e da caridade porque já não se pensa em si mesmo mas naqueles que sofrem.

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