1 de novembro de 2008

Dedica a Igreja o mês de Novembro à devoção pelas almas. A sua realidade lembra-nos, em primeiro lugar, que a Redenção operada por Cristo foi para todos os homens de todos os tempos: anteriores a Ele, seus contemporâneos ou posteriores à sua vinda à terra.

A morte, que transporta diariamente para a outra vida nossos conhecidos, amigos, familiares e uma ingente multidão de seres humanos cuja existência desconhecemos, leva-os para a companhia daqueles que com ela se enfrentaram recentemente ou há muito tempo (anos, séculos ou mesmo milénios).

Ela é uma realidade irrecusável, que deve captar a nossa atenção, tendo sempre em conta a misericórdia infinita de Deus. Morrer não é uma desgraça, mas antes, como lembrava S. Josemaria, uma mudança de casa. E passar, se formos fiéis, para uma qualidade de morada e de vida muito mais feliz e totalmente compensadora.

Em seguida, recorda-nos que todos nós nos encontramos nas mãos de Deus. Criados para a eternidade felicíssima, devemos confiar que o seu Amor por nós, apesar das debilidades que nos acompanham, tenderá sempre para a nossa salvação. Precisamos, no entanto, como criaturas livres, de querer com toda a força da alma que ela seja alcançada, correspondendo à graça que Ele nos concede para fim tão sublime.

Neste mês, virão à nossa mente tantas pessoas que passaram, com maior ou menor proximidade, pela nossa vida. Por elas rezaremos abundantemente, solicitando de um modo especial a Maria, Mãe de Jesus e Mãe nossa, sob a invocação de Nossa Senhora da Porta do Céu, que use para com elas a mesma força intercessora das Bodas de Caná. Pedimos-lhe que tenha a mão mais rápida para abrir a porta do Céu, com a sua chave generosa e maternal, a fim de que muitos fiéis possam dar o grande salto do Purgatório para a visão beatífica de Deus durante estes trinta dias de Novembro.

Em família, tentaremos congregar todos os seus membros nestas orações de sufrágio por parentes, amigos, conhecidos, ou simplesmente, pelos filhos de Deus que ainda necessitem de que rezemos por eles. E também visitar os lugares onde se encontram sepultados os restos mortais dos nossos familiares. Connosco irá o nosso carinho, a nossa saudade e o nosso desejo de lhes prestar os bons cuidados que um filho, um familiar ou um amigo dedica a quem ama.

Estaremos particularmente atentos aos pequenos sacrifícios que devemos fazer, renunciando ao que nos apetece e é dispensável, ou dando uma boa esmola a quem a necessite. O Senhor olhará com especial enlevo pelo cumprimento dos deveres de todos os dias, vencendo a inércia ou a preguiça, cultivando a ordem nas prioridades das nossas acções e, sobretudo, passando por alto alguma pequena “ofensa” que alguém nos faça duma maneira quase inadvertida.

Por fim, poderemos ainda frequentar com mais assiduidade a Eucaristia, comungando o Corpo de Jesus com as melhores disposições. Ao tomarmos consciência de O termos realmente presente dentro de nós, falar-Lhe-emos dos nossos desejos de ver entrar muitas almas no Céu, apelando mais uma vez ao seu Amor e à sua Misericórdia.

O Senhor não nos recusará a nossa boa vontade e aceitará algum mérito que alcancemos. A sua Mãe, como a dos apóstolos Tiago e João, dir-lhe-á que gostará de ver muitas novas almas dos filhos que aceitou junto à Cruz, sentadas para sempre, à sua direita e à sua esquerda, no Reino dos Céus.

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