3 de outubro de 2008

A devoção aos Santos

Os primeiros cristãos designavam-se muitas vezes como «os santos». Por exemplo, quando São Paulo recém-convertido chegou a Damasco, levado pela mão dos seus companheiros, o Senhor apareceu a um cristão dessa cidade, chamado Ananias para o mandar ir ter com aquele que antes tinha sido perseguidor da Igreja e Ananias respondeu: «Senhor, tenho ouvido muita gente falar desse homem e contar todo o mal que ele tem feito aos teus santos, em Jerusalém» (Act 9,13). Muitos outros exemplos se poderiam dar desta prática (cf. Act 9,32.41; 26,10; Rm 1,7; 12,13 etc.).

Esta designação não indica que aqueles nossos primeiros irmãos na fé não pudessem trair o Senhor e comprometer definitivamente o seu caminho de santidade, mas indica a convicção que tinham de que abraçar a fé só pode ter uma finalidade: a santidade. Designavam-se como santos porque esperavam vir a sê-lo.

Nós também. E a devoção aos santos ajuda-nos na esperança pela santidade. A devoção por homens e mulheres que foram como nós, com defeitos como os nossos, com lutas como as nossas, e coroaram a sua existência com o Céu dá-nos um impulso a não desanimar pelo facto de verificarmos que também temos misérias.

Esta devoção é, por um lado, um conhecimento da sua vida, através da leitura de alguma biografia séria e historicamente apoiada. Por outro, a meditação dessa mesma vida, desses gestos e palavras que tanto nos impressionam e que revelam heroísmo e confiança em Deus. Em terceiro lugar, a devoção traduz-se numa certa comunhão com eles, porque não são pessoas mortas mas vivas, que actuam em nós através do Espírito Santo. Finalmente, a devoção leva-nos a pedir-lhes favores porque conhecemos a sua intimidade com Deus; por isso não devemos ter muitas devoções mas poucas e essas constantes.

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