7 de setembro de 2008

A piedade da Beata Jacinta

«Quando, nesse dia [14 de Maio de 1917], chegámos à pastagem, a Jacinta sentou-se pensativa, em uma pedra.

– Jacinta! Anda brincar.

– Hoje não quero brincar.

– Porque não queres brincar?

– Porque estou a pensar. Aquela Senhora disse-nos para rezarmos o Terço e fazermos sacrifícios pela conversão dos pecadores. Agora, quando rezarmos o Terço, temos que rezar a Avé Maria e o Padre Nosso inteiro. E os sacrifícios como os havemos de fazer?

O Francisco discorreu em breve um bom sacrifício:

– Demos a nossa merenda às ovelhas e fazemos o sacrifício de não merendar!

Em poucos minutos, estava todo o nosso farnel distribuído pelo rebanho. E assim passámos um dia de jejum, que nem o do mais austero cartuxo! A Jacinta continuava sentada na sua pedra, com ar de pensativa e perguntou:

– Aquela Senhora disse também que iam muitas almas para o inferno. O que é o inferno?

– É uma cova de bichos e uma fogueira muito grande (assim mo explicava minha Mãe) e vai para lá quem faz pecados e não se confessa e fica lá sempre a arder.

– E nunca mais de lá sai?

– Não.

– E depois de muitos, muitos anos?!

– Não; o inferno nunca acaba. E o Céu também não. Quem vai para o Céu nunca mais de lá sai. E quem vai para o inferno também não. Não vês que são eternos, que nunca acabam?

Fizemos, então, pela primeira vez, a meditação do inferno e da eternidade. O que mais impressionou a Jacinta foi a eternidade. Mesmo brincando, de vez em quando, perguntava:

– Mas olha: Então, depois de muitos, muitos anos, o inferno ainda não acaba?

Outras vezes:

– E aquela gente que lá está a arder não morre? E não se faz em cinza? E se a gente rezar muito pelos pecadores, Nosso Senhor livra-os de lá? E com os sacrifícios também? Coitadinhos! Havemos de rezar e fazer muitos sacrifícios por eles!

Depois acrescentava:

– Que boa é aquela Senhora! Já nos prometeu levar para o Céu!

(Memórias da Irmã Lúcia, 1ª memória, I,8, Postulação, Fátima, 1976, p. 27)

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