7 de setembro de 2008

Do Pároco

Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi a vós, e vos destinei para que vades e deis fruto …” (Jo 15,16). Estas palavras – que são Palavra de Deus –, recolhidas por S. João Evangelista directamente da boca do próprio Cristo, fala-nos simultaneamente de uma obrigação grave de todo o cristão e de uma dimensão fundamental da sua vivência da caridade. Não é possível receber a mensagem do Senhor, torná-la nossa e não se preocupar em dá-la a conhecer aos outros. Sobretudo aos que se cruzam de mais perto nas ruas da nossa vida, isto é, aos que são nossos próximos. Evangelizar ou fazer apostolado é um dever que todos temos de ter em mente e muito bem gravado no coração. Como diz sabiamente o nosso povo, ninguém pretenda ir para o Céu sozinho, sem arrastar almas para lá.

O exemplo e o mandato de Jesus é claro. A sua vida terrena foi um constante apostolado, dizendo a todos os seus discípulos dum modo nítido e prescritivo, pouco antes da sua Ascensão: “Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda a criatura” (Mc 16, 15).

Nenhum cristão pode, pois, pôr de lado este ensinamento do Senhor sem negar a sua própria condição de seguidor de Jesus. O mandato é um mandato universal, para todos os homens de todos os tempos. Quem é de Cristo, tem obrigação – e mais do que obrigação – a missão amorosa de viver a caridade, ensinando aos outros o que Ele nos deixou como testemunho da sua palavra e da sua vida.

As desculpas não são sérias nem convincentes: “Os tempos são difíceis”, “as pessoas não querem ouvir”, “os costumes mudaram muito”, etc. Isto mesmo podiam dizer os primeiros cristão e os cristãos de todos os tempos, já que nunca foi fácil evangelizar. Quanta gente não pagou com a sua vida o apostolado que fez, quanta gente não sentiu na pele e na honra o facto de testemunhar a sua adesão incondicional ao Senhor! Não nos esqueçamos que é próprio do verdadeiro cristão ser sinal de contradição e que seguir a Cristo importa pegar na cruz quotidiana. Ora, a cruz era instrumento doloroso de morte corporal e de humilhação de todo o condenado, que se via assim julgado indigno de viver no seu ambiente social. Este rejeitava-o de um modo absolutamente radical, fazendo-o desaparecer do mundo.

O zelo apostólico que nos deve caracterizar, se é verdadeiro, funciona também, até sob o ponto de vista humano, como uma espécie de factor de equilíbrio da nossa própria personalidade. Tendencialmente, inclinamo-nos a viver ensimesmados, de uma forma egoísta e sem grandes horizontes, para além daqueles que nos dita a nossa comodidade, o nosso desejo de boa imagem e a relevância habitualmente excessiva que nos atribuímos . O apostolado leva-nos a pensar nos outros, a querer o seu bem por excelência e a dar às nossas problemáticas o seu real lugar: se eu devo amar o próximo como a mim mesmo – diz-nos Jesus comentando os mandamentos fundamentais da Lei de Deus – tenho que dar às questões alheias a mesma qualidade e intensidade de importância com que me ocupo das minhas. Além de que, por dever e por justiça, o “amar a Deus sobre todas as coisas”, conduz-nos a colocar as coisas que Deus quer que nós realizemos no topo das nossas preocupações. Entre estas, não podemos pôr a um canto a ordem de apostolado que Jesus deixou para todos nós.

E não se pense que, apesar das dificuldades que se tenham de enfrentar, não sentiremos a grande satisfação, não já de cumprir um mandato divino, mas de ver com os nossos olhos como a graça actua e as pessoas melhoram, ao tornarmo-nos “semeadores de paz de alegria”, de acordo com a frase tão chamativa de S. Josemaria. É que, diz-nos o profeta Isaías, “Os meus escolhidos não trabalharão em vão (Is 65, 23).” E Deus nunca falha nas suas promessas.

Está um ano laboral a começar. Tantas ocasiões que o Senhor nos vai dar para comunicar aos outros a alegria de Jesus. Não percamos esta oportunidade para fazermos um bom exame de consciência, procurar pôr de lado razões sem fundamento que não passam de respeitos humanos, e lançar-nos a falar de Deus aos nossos amigos e conhecidos. Nossa Senhora, Rainha dos Apóstolos, lembrar-nos-á o exemplo extraordinário de S. Paulo, no seu ano comemorativo. E apoiará a nossa boa vontade com a sua intercessão poderosíssima.

FUNCIONAMENTO DA PARÓQUIA EM SETEMBRO 2008

Missas:
  • De 2ª Feira a Sábado: 18.30h
  • Domingos: 10.00h, 12.00h e 19.00h
Horários de abertura e de encerramento da Igreja:
  • De 3ª Feira a 6ª Feira: 11.00h-13.00h; 16.00h-19.30h
  • 2ªs Feiras e Sábados: 17.00h – 19.45h
  • Domingos: 9.30h – 13.00h; 17.00h – 20.00h
Serviço de atendimento de Secretaria:
  • De 3ª Feira a 6ª Feira: 16.30h-18.00h

Agrupamento n. 683, de Telheiras

Durante este mês, o Agrupamento, através das suas chefias, está preparando as actividades e os objectivos a atingir durante 2008/9.

Recolecções Mensais em Setembro

Homens – 2ª Feira, dia 1, 19.10h – No Salão da Igreja
Senhoras – 5ª Feira, dia 11, 19.15h – Na Igreja

Ausência de Sacerdotes em Setembro 2008

Prior – P. Rui: 29, 2ª Feira a 5/10, Domingo. Regressa na tarde desse dia.
P. José Miguel – 1, 2ª Feira a 14, Domingo, ao fim da manhã.

Catequese: Matrículas

Estão abertas desde Junho passado as matrículas. Recordamos que é necessário renovar a matrícula de todos os alunos, incluindo os que já frequentaram as nossas aulas em anos anteriores. Agradecemos que o façam com rapidez, de preferência até ao próximo dia 14, Domingo. Como foi anunciado atempadamente, os horários serão afixados na 2ª Feira, 15/09. As aulas iniciar-se-ão na semana de 13 a 18/10/08.

No Mês passado:

Sendo Agosto um mês de férias por excelência, ausentaram-se muitos paroquianos. E também nos escreveram ou saudaram dos seus locais de veraneio, pelo que queremos agradecer aqui a sua gentileza.

Roupas e outras dádivas

Reabre-se o nosso serviço de recepção de roupas e outras dádivas. Em virtude de aparecer cada vez maior número de pessoas com carências alimentares, pedíamos que nos trouxessem géneros alimentícios duráveis. Ao longo do mês, distribui-los-emos a quem necessite.

BAPTISMOS NESTE MÊS NA NOSSA PARÓQUIA

Dia 06, Sábado:
  • 10.00h – Maria Gabriela Moitinho Bueri Baptista
Dia 13, Sábado:
  • 11.30h – Lourenço Vitorino Serras
Dia 20, Sábado:
  • 10.00h – Margarida e Daniela Dias Coutinho
  • 12.00h – Gonçalo Metelo da Costa
Dia 21, Domingo:
  • 13.00h – Beatriz Fortes Marques
Dia 27, Sábado:
  • 11.00h – Marta da Cunha Figueiredo
  • 12.00h – Leonor Barbosa Marta
  • 12.45h – Francisca Ramalhão de Almeida
  • 16.00h – Miguel Amado de Albuquerque Lopes Matos

A piedade da Beata Jacinta

«Quando, nesse dia [14 de Maio de 1917], chegámos à pastagem, a Jacinta sentou-se pensativa, em uma pedra.

– Jacinta! Anda brincar.

– Hoje não quero brincar.

– Porque não queres brincar?

– Porque estou a pensar. Aquela Senhora disse-nos para rezarmos o Terço e fazermos sacrifícios pela conversão dos pecadores. Agora, quando rezarmos o Terço, temos que rezar a Avé Maria e o Padre Nosso inteiro. E os sacrifícios como os havemos de fazer?

O Francisco discorreu em breve um bom sacrifício:

– Demos a nossa merenda às ovelhas e fazemos o sacrifício de não merendar!

Em poucos minutos, estava todo o nosso farnel distribuído pelo rebanho. E assim passámos um dia de jejum, que nem o do mais austero cartuxo! A Jacinta continuava sentada na sua pedra, com ar de pensativa e perguntou:

– Aquela Senhora disse também que iam muitas almas para o inferno. O que é o inferno?

– É uma cova de bichos e uma fogueira muito grande (assim mo explicava minha Mãe) e vai para lá quem faz pecados e não se confessa e fica lá sempre a arder.

– E nunca mais de lá sai?

– Não.

– E depois de muitos, muitos anos?!

– Não; o inferno nunca acaba. E o Céu também não. Quem vai para o Céu nunca mais de lá sai. E quem vai para o inferno também não. Não vês que são eternos, que nunca acabam?

Fizemos, então, pela primeira vez, a meditação do inferno e da eternidade. O que mais impressionou a Jacinta foi a eternidade. Mesmo brincando, de vez em quando, perguntava:

– Mas olha: Então, depois de muitos, muitos anos, o inferno ainda não acaba?

Outras vezes:

– E aquela gente que lá está a arder não morre? E não se faz em cinza? E se a gente rezar muito pelos pecadores, Nosso Senhor livra-os de lá? E com os sacrifícios também? Coitadinhos! Havemos de rezar e fazer muitos sacrifícios por eles!

Depois acrescentava:

– Que boa é aquela Senhora! Já nos prometeu levar para o Céu!

(Memórias da Irmã Lúcia, 1ª memória, I,8, Postulação, Fátima, 1976, p. 27)

4 de setembro de 2008

As orações da manhã

«Já é hora de acordardes do sono, pois a salvação está agora mais perto de nós do que quando começámos a acreditar. A noite adiantou-se e o dia está próximo. Despojemo-nos, por isso, das obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz» (Rom 13,11-12). Estas palavras de São Paulo escritas aos fiéis de Roma, estão cheias de ânimo, de santa galhardia. O Apóstolo não pretende chamar «dorminhocos» àqueles seus irmãos, mais ainda tratando-se da Igreja de Roma, pretende entusiasmá-los pelo trabalho que os espera: o trabalho da própria santificação e da evangelização.

Esta passagem da Epístola aos Romanos está na conclusão do escrito. São Paulo já explicou em que consiste a nossa santificação, a vida nova a que fomos chamados, e as consequências práticas no nosso dia-a-dia. Agora puxa pelo seu destinatário para o levantar de uma admiração passiva. Toca a mexer-se.

Algo de semelhante sucede connosco em cada manhã. Tendo dormido bem ou mal é a hora de acordar do sono, de nos levantarmos e de nos despojarmos uma vez mais das obras das trevas para nos revestirmos das armas da luz. O Senhor espera-nos e a nossa família, os nossos amigos, as pessoas que se servem do nosso trabalho, também.

É então que nos podemos recolher e rezar. Tratam-se de orações breves: o oferecimento das obras do dia, a consagração a Nossa Senhora, uma invocação ao nosso Anjo da Guarda e fora. Pode ajudar-nos, a essas horas da manhã, ler as orações nalgum papel, ou num desses livrinhos de orações habituais. Também podemos ter uma oração pessoal ou uma lembrança do dia anterior e renovar a nossa contrição pelo que não esteve bem, assim como o propósito que tínhamos formulado para aquele dia. É sempre bom que nos levantemos sem hesitações, sem ceder à preguiça ou à comodidade.