1 de agosto de 2008

Ao longo do ano, na vida de todos os dias, Nossa Senhora surge sempre como uma constante companheira das nossas horas. Aliás, que outra coisa podemos dizer de uma Mãe que nos ampara com o seu amor, os seus desvelos e, também, se somos humildes e fiéis ao exame de consciência quotidiano, com as advertências que nos faz, porque o nosso comportamento nem sempre se apresenta exemplar, como o do seu Filho primogénito, Jesus Cristo.

A Igreja, de quem é também Mãe e protectora, povoa os tempos litúrgicos e os dias do ano com celebrações, onde recorda a todos os fiéis as suas glórias e o grande amor que a Santíssima Trindade lhe dedica.

É bom não esquecer que a Virgem Santíssima mantém com Deus Uno e Trino uma intimidade ímpar: Maria é Filha de Deus Pai, por adopção, como todos nós, embora de modo mais eminente, mas também, e aqui em perfeita exclusividade, Mãe de Deus Filho e Esposa de Deus Espírito Santo.

Quis Deus, para realizar a Redenção do género humano, que a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade encarnasse. Fê-lo, porém, da maneira, por assim dizer, o mais humana possível, para que o homem compreendesse facilmente a dignidade da sua natureza, criada à imagem e semelhança do seu Autor.

A paternidade de Deus é perene, pelo que Jesus Cristo manteve a filiação ao Pai que O gerou desde toda a eternidade. No entanto, todo o homem tem uma mãe humana, que lhe transmite a sua natureza. O nosso Redentor é Filho de Maria, como nós o somos da nossa mãe. E Deus abençoa o nascimento do seu Unigénito, por obra e graça do Espírito Santo, que torna a Virgem Santíssima sua Esposa Puríssima.

Com estes elos de relação a Deus, Maria é a criatura mais excelsa da nossa humanidade, excepção feita a Cristo Homem. Coube-lhe, de um modo especial, criar e educar Jesus Cristo, que foi, tal como nós, uma criança inerme, entregue por completo, aos cuidados de Sua Mãe e do seu pai legal, S. José.

Maria e o seu marido devem ter sido indubitavelmente os maiores educadores de sempre, pois ajudaram Jesus, com o seu exemplo e com a sua dedicação, a ser homem perfeito, Senhor de todas as virtudes, que nós podemos contemplar ao ler a sua vida e, sobretudo, nos momentos dolorosos da Paixão e Morte, onde Ele nos ensina como é possível manter o espírito livre e o perfeito domínio da vontade para pensar nos outros e no seu bem supremo. Lembremos, a propósito, a oração constante de Cristo, a conversão do bom ladrão, o pedido de perdão ao Pai para aqueles que O condenavam, a petição a Nossa Senhora para aceitar a nossa maternidade e, por fim, a consciência perfeita do dever cumprido, quando diz: “Tudo está consumado!”

Não estranha, pois, que a Igreja destine a Maria muitas celebrações. Neste mês, no calendário litúrgico universal, apresenta duas. A sua Assunção ao Céu e a sua condição de Rainha de todas as criaturas, incluindo as angélicas.

A primeira, que tem a categoria de Solenidade, corresponde, no nosso país, a um dia santo de preceito. Honremos nesse dia a nossa Mãe, recebendo, desde que estejamos convenientemente preparados, o Seu Filho Jesus na Sagrada Eucaristia. Cristo, como bom Filho, e tendo em conta os méritos de santidade de Maria Santíssima, quis a sua presença integral no Céu, em corpo e alma, para que ela, junto de Si, tal como a conheceu na terra, pudesse intervir a favor de todos os filhos que aceitou no Calvário, a Seu pedido.

E no segundo, reconheçamos a Mãe de Jesus e nossa Mãe, como Rainha, sobretudo como Rainha do nosso coração, a fim de que Cristo seja, de facto, Nosso Senhor. Assim, ele se tornará “manso e humilde” para realizar tudo aquilo que Jesus nos pedir, em nome de Deus.

Imagem: André Gonçalves, Óleo, 1730, Palácio Nacional de Mafra

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