3 de agosto de 2008

O apostolado epistolar

Epístola» e «apóstolo» são nomes gregos que têm um corpo comum: o verbo stello que significa «enviar». A diferença reside na preposição que antecede o verbo: epi quer dizer «sobre» e apo «desde», i.e., uma é o termo de chegada do envio e a outra o termo de partida. O Apóstolo faz referência a quem envia, que é Cristo, a epístola faz referência ao destinatário.

A realidade substancial, no entanto, permanece a mesma: o apostolado e a carta são sempre formas de comunicação e podem chegar a ser a mesma coisa. O apostolado é a actividade do cristão que se sabe enviado por Cristo aos outros para lhes comunicar a mensagem do Evangelho. A carta é um meio excelente de apostolado.

Hoje a carta parece ter concorrentes no telefone ou no correio electrónico. No entanto a carta permanece, de certo modo insubstituível porque permite uma intimidade que os outros meios não garantem, porque está envolvida num clima de maior serenidade e recolhimento, e porque envolve uma série de operações que denotam a estima que se tem por aquele a quem se escreve: conseguir caneta, papel, envelope e selo, procurar a morada e um marco do correio, além de pensar no conteúdo do que se vai escrever.

Através de cartas os Apóstolos, sobretudo São Paulo, realizaram um intensíssimo trabalho de consolidação da fé, de abertura de horizontes, de reflexão, que beneficia ambas as partes: quem escreve tem ocasião de olhar de novo a realidade que conhece e quem lê tem ocasião de entrar em comunhão com outro, e onde dois ou três estão unidos em nome do Senhor, Ele está no meio deles (cf. Mt 18,20).

O Verão é uma ocasião excelente para escrever cartas e postais como manifestação de amizade e também como forma de evangelização. A própria amizade é a primeira forma de evangelização e não é a menos importante. Ao escrever contando notícias pessoais podemos animar quem nos lê a aproximar-se mais de Deus, que é aproximar-se mais dele próprio.

FUNCIONAMENTO DA PARÓQUIA EM AGOSTO 2008

Horários de abertura e de encerramento da Igreja:
  • De 2ª Feira a 6ª Feira: 16.00h – 19.45h
  • Sábados: 17.00h – 19.45h
  • Domingos e dia 15 (6ª Feira, Feriado da Assunção de Nossa Senhora):
    10.00h – 13.00h; 17.30h – 20.00h
Confissões:
  • Se não encontrar algum sacerdote no confessionário, salvo se houver qualquer celebração, dirija-se à Secretaria e solicite a sua presença.
Missas:
  • De 2ª Feira a Sábado: 18.30h
  • Domingos e dia 15, 6ª Feira (Assunção de Nossa Senhora): 11.00h e 19.00h
Serviço de atendimento de Secretaria:
  • De 3ª Feira a 6ª Feira: 16.30h-18.00h

Ausência de Sacerdotes em Agosto 2008

Vigário Paroquial, P. João Campos – 1 (6ª F.) a 21 (5ª F.)
P. José Miguel – 1 (6ª F.) a 31 (Dom.)

Agrupamento n. 683, de Telheiras

Estando em Agosto encerradas as actividades habituais, o nosso Agrupamento participará, nos primeiros dias deste mês, no Acampamento organizado pelo Núcleo a que pertence.

No Mês passado

Na sequência do que se vem realizando desde o ano em que a Paróquia começou a funcionar, no passado dia 16 de Julho, Nossa Senhora do Carmo, na Missa das 18.30h, foi imposto o Escapulário de Nossa Senhora do Carmo, tão recomendado pela Igreja, aos paroquianos que o requisitaram.

Esta manifestação de amor maternal da Virgem Santíssima, que promete a morte nas melhores circunstâncias – em estado de graça – a todos os que usarem este seu sinal com o devido respeito e dignidade, é uma oportunidade de aperfeiçoamento da nossa vida cristã que não devemos ignorar.

Catequese: Matrículas

Continuam abertas as matrículas para a frequência da Catequese no próximo ano pastoral de 2008/2009. Recorda-se, uma vez mais, que a frequência das aulas não é automática, tanto mais que sempre existem situações de alunos que mudam de paróquia, outros novos que provêm de comunidades diferentes, etc. Por isso, é necessária a renovação da inscrição. Como se anunciou, as aulas começarão na semana de 13 a 18/10/08 e os horários serão afixados a 15/09/08, 2ª Feira.

Roupas e outras dádivas

Durante o mês de Agosto, os nossos serviços de recepção de roupas e outras dádivas encontram-se encerrados.

As duas formas de tristeza segundo Bento XVI

Bento XVI publicou recentemente uma reflexão pessoal sobre a vida e a figura de Cristo, com o título Jesus de Nazaré, à qual prometeu um segundo volume que está ainda por aparecer. Ao comentar a 2ª Bem-Aventurança – «Bem-aventurados os que choram porque serão consolados (Mt 5,4) – o Papa escreve:

«Há duas espécies de tristeza: uma que perdeu a esperança, que deixou de confiar no amor e na verdade e, consequentemente, insidia e destrói o homem por dentro; mas há também a tristeza que deriva da comoção provocada pela verdade e leva o homem à conversão, à resistência contra o mal. Esta tristeza cura, porque ensina o homem a esperar e a amar de novo. (...)»

«[Esta] espécie positiva de tristeza (...) constitui um poder contra o domínio do mal (...). Trata-se de pessoas que não se deixam ir na onda, que não se deixam levar por espírito gregário a pactuar com a injustiça reinante, antes sofrem por causa disso; embora não esteja no seu poder alterar globalmente a situação, todavia contrapõem ao domínio do mal a resistência passiva do sofrimento, a tristeza que coloca um limite ao poder do mal.»

«A tradição encontrou ainda outra imagem de tristeza que cura: Maria, que está ao pé da cruz (...) Quem não endurece o coração perante o sofrimento e a necessidade do outro, quem não abre a alma ao mal mas sofre sob a sua pressão dando assim razão à verdade, a Deus, esse escancara a janela do mundo para fazer entrar a luz. A estes que choram é prometida a grande consolação (...)»

«A tristeza de que o Senhor fala é o não-conformismo com o mal, é um modo de opor-se àquilo que todos fazem e que se impõe ao indivíduo como modelo de comportamento. O mundo não suporta este tipo de resistência, exige que se participe. Esta tristeza parece-lhe uma denúncia que se opõe ao aturdimento das consciências. E é-o.»

(RATzINGER, J. - BENTO XVI, Jesus de Nazaré, A esfera dos livros, Lisboa, 2007, pp. 125-127)

1 de agosto de 2008

Ao longo do ano, na vida de todos os dias, Nossa Senhora surge sempre como uma constante companheira das nossas horas. Aliás, que outra coisa podemos dizer de uma Mãe que nos ampara com o seu amor, os seus desvelos e, também, se somos humildes e fiéis ao exame de consciência quotidiano, com as advertências que nos faz, porque o nosso comportamento nem sempre se apresenta exemplar, como o do seu Filho primogénito, Jesus Cristo.

A Igreja, de quem é também Mãe e protectora, povoa os tempos litúrgicos e os dias do ano com celebrações, onde recorda a todos os fiéis as suas glórias e o grande amor que a Santíssima Trindade lhe dedica.

É bom não esquecer que a Virgem Santíssima mantém com Deus Uno e Trino uma intimidade ímpar: Maria é Filha de Deus Pai, por adopção, como todos nós, embora de modo mais eminente, mas também, e aqui em perfeita exclusividade, Mãe de Deus Filho e Esposa de Deus Espírito Santo.

Quis Deus, para realizar a Redenção do género humano, que a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade encarnasse. Fê-lo, porém, da maneira, por assim dizer, o mais humana possível, para que o homem compreendesse facilmente a dignidade da sua natureza, criada à imagem e semelhança do seu Autor.

A paternidade de Deus é perene, pelo que Jesus Cristo manteve a filiação ao Pai que O gerou desde toda a eternidade. No entanto, todo o homem tem uma mãe humana, que lhe transmite a sua natureza. O nosso Redentor é Filho de Maria, como nós o somos da nossa mãe. E Deus abençoa o nascimento do seu Unigénito, por obra e graça do Espírito Santo, que torna a Virgem Santíssima sua Esposa Puríssima.

Com estes elos de relação a Deus, Maria é a criatura mais excelsa da nossa humanidade, excepção feita a Cristo Homem. Coube-lhe, de um modo especial, criar e educar Jesus Cristo, que foi, tal como nós, uma criança inerme, entregue por completo, aos cuidados de Sua Mãe e do seu pai legal, S. José.

Maria e o seu marido devem ter sido indubitavelmente os maiores educadores de sempre, pois ajudaram Jesus, com o seu exemplo e com a sua dedicação, a ser homem perfeito, Senhor de todas as virtudes, que nós podemos contemplar ao ler a sua vida e, sobretudo, nos momentos dolorosos da Paixão e Morte, onde Ele nos ensina como é possível manter o espírito livre e o perfeito domínio da vontade para pensar nos outros e no seu bem supremo. Lembremos, a propósito, a oração constante de Cristo, a conversão do bom ladrão, o pedido de perdão ao Pai para aqueles que O condenavam, a petição a Nossa Senhora para aceitar a nossa maternidade e, por fim, a consciência perfeita do dever cumprido, quando diz: “Tudo está consumado!”

Não estranha, pois, que a Igreja destine a Maria muitas celebrações. Neste mês, no calendário litúrgico universal, apresenta duas. A sua Assunção ao Céu e a sua condição de Rainha de todas as criaturas, incluindo as angélicas.

A primeira, que tem a categoria de Solenidade, corresponde, no nosso país, a um dia santo de preceito. Honremos nesse dia a nossa Mãe, recebendo, desde que estejamos convenientemente preparados, o Seu Filho Jesus na Sagrada Eucaristia. Cristo, como bom Filho, e tendo em conta os méritos de santidade de Maria Santíssima, quis a sua presença integral no Céu, em corpo e alma, para que ela, junto de Si, tal como a conheceu na terra, pudesse intervir a favor de todos os filhos que aceitou no Calvário, a Seu pedido.

E no segundo, reconheçamos a Mãe de Jesus e nossa Mãe, como Rainha, sobretudo como Rainha do nosso coração, a fim de que Cristo seja, de facto, Nosso Senhor. Assim, ele se tornará “manso e humilde” para realizar tudo aquilo que Jesus nos pedir, em nome de Deus.

Imagem: André Gonçalves, Óleo, 1730, Palácio Nacional de Mafra