6 de julho de 2008

Os últimos dias de São Tomás More

Thomas More (1477-1535) foi chanceler do reino da Inglaterra no tempo de Henrique VIII. Era casado e teve quatro filhos. Homem recto e exemplar, quando o rei se afastou da Igreja Católica por pretender a anulação do seu primeiro casamento, e se constituiu chefe da Igreja de Inglaterra, demitiu-se do cargo. O rei encarcerou-o na Torre de Londres e graças a um perjúrio foi condenado à morte e recebeu a palma do martírio no dia 6 de Julho.
Carta enviada da Torre de Londres em 1534 à sua filha Margaret que lhe tinha escrito «Então poderemos dizer com São Paulo: o meu viver é Cristo e a morte um lucro; e também: tenho o desejo de me ver livre das ataduras deste corpo e estar com Cristo (cf Fil 1,21-23)»:
«Minha querida filha, que o Senhor Se digne conceder-me a graça de dizer essa santa oração que ele te infundiu, diariamente, e a ti que a escreves, te dê a força de a rezar diariamente de joelhos… Reza sempre essa oração por nós os dois; eu no futuro farei o mesmo. Ao mesmo tempo pedirei a graça de que nós, que nos enriquecemos aqui em baixo com a nossa amizade (já que assim une o amor natural do pai com a filha), nos possamos alegrar juntos eternamente na glória do Céu, e que também participem connosco todos os outros membros da família, todos os nossos amigos…»
Palavras ditas perante o tribunal que tinha acabado de ditar a sentença de morte no dia 1 de Julho de 1535, quando se lhe perguntou se tinha ainda alguma coisa que alegar em sua defesa:
«Não mais do que o seguinte: como podemos ler nos Actos dos Apóstolos, Paulo esteve presente na morte de Santo Estêvão e guardou as vestes daqueles que o apedrejaram. Apesar disso, ambos são hoje santos no Céu e serão ali amigos para sempre. Assim eu espero – e rezarei de todo o coração por isso – que embora me tenhais condenado aqui na terra, nos venhamos a encontrar para a nossa eterna salvação no Céu»
Última oração:
«Santa Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo – três Pessoas iguais e igualmente eternas numa divindade omnipotente – tem piedade de mim, mísero, desprezável, e detestável pecador, que diante da tua soberana majestade confesso que a minha vida foi em todo o tempo pecadora. Assim como me concedes, bom e clemente Senhor, a graça de reconhecer os meus pecados, concede-me também que me doa deles, não só em palavras, mas do profundo do coração, e que me desdiga inteiramente deles. Perdoa-me também aqueles pecados que, pela minha própria culpa, pelas minhas más qualidades e baixos costumes, não reconheço como tais, já que a minha razão está tão cega pela sensualidade. Ilumina, Senhor, o meu coração, concede-me a tua graça para conhecer e ver todos os pecados, e perdoa aqueles que esqueci por descuido; recorda-mos na tua clemência para que seja purificado completamente deles…»
(retirado de BERGLAR, P., La hora de Tomás Moro. Solo frente al Poder [tradução do original Die Stunde des Thomas Morus. Einer gegen die Macht], Palabra, Madrid, 1993, pp. 341-342, 380-382)

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