1 de junho de 2008

A bênção da mesa

Tomar alimento é uma necessidade do nosso corpo. Qualquer ser humano necessita de se alimentar, tal como acontece com todos os animais. Mas esse acto, ao ser realizado por alguém que possui uma alma adquire umas características que o tornam essencialmente diferente.
«Comer» é um verbo que procede do latino edere, que significa «alimentar-se», ao que se acrescenta a preposição cum, «com»; ou seja, na linguagem corrente ficou a marca de que não faz sentido comer de um modo solitário: come-se sempre com alguém, é um acto social, realizado na companhia de outros.
A nossa cultura foi dando a esta prática modalidades várias: o almoço de negócios, a refeição festiva, particularmente o banquete de bodas, a reunião de todos os familiares dispersos. É frequente que o encontro entre amigos se realize à volta de uma mesa. O jantar tem-se tornado a reunião específica da família que habita uma mesma casa: é então que se contam os acontecimentos do dia e, de um modo natural, se constrói o amor.
Também Jesus Cristo usou as refeições para nos salvar: aceitou o convite para tomar lugar à mesa de outros (cf. Lc 7,36; 11,37; 14,1; Jo 12,1) e aproveitou a ocasião para o anúncio do Reino e o convite à conversão (cf. Mt 9,10ss; Lc 7,47ss; 15,2); quis alimentar a multidão (cf. Mc 6,30ss; 8,1ss) e os seus inimigos chegaram a acusá-l’O de ser um «glutão e um bebedor» (cf. Lc 7,34). Foi no decurso de uma refeição pascal que o Senhor instituiu a Eucaristia e o sacerdócio cristão (cf. Mt 26,26ss) e nos deixou tantos ensinamentos como o mandamento do amor (cf. Jo 13-17).
Também havemos de imitar Jesus neste aspecto, que pode parecer intranscendente: as refeições devem ser uma ocasião para crescer no amor a Deus e ao próximo, mesmo se motivadas por negócios ou assuntos profissionais. Procuremos que o clima que se respire à nossa mesa seja o de Cristo, o de Maria, o de um filho de Deus. Um modo prático é procurar abençoar no início e dar graças ao terminar a refeição. Teremos então convidado o Senhor a ficar connosco e com aqueles que nos acompanham no caminho da nossa vida (cf. Lc 24,28ss), e Ele será mais facilmente reconhecível por todos.

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