4 de maio de 2008

Com que satisfação não verá Nossa Senhora, Mãe de Deus e nossa Mãe, começar o seu mês - o mês de Maio - com uma celebração em honra de seu marido, S. José, considerando a sua faceta de artesão, de trabalhador.

Efectivamente, foi o trabalho de S. José a fonte principal do sustento da Sagrada Família, durante os anos da infância de Jesus, nos tempos difíceis do Egipto e, depois, da adaptação, decerto complexa, à aldeia de Nazaré, onde Jesus cresceu e foi educado da melhor maneira pelos seus pais.

Também desta forma simples e concreta, quis o Deus humanado dar o seu testemunho de apreço pelo trabalho profissional, que sempre foi, ao longo dos tempos, desde a criação do homem – diz a Bíblia que Deus o colocou no "jardim do Éden para o cultivar e também para o guardar" (Gén. 2, 15) -, o modo através do qual ele se insere no meio ambiente, transformando-o e dele retirando com o seu esforço laboral os meios para viver.

Deus não quis que o Seu Filho estivesse entre nós à custa de milagres constantes, que o eximissem de trabalhar. Pelo contrário, fê-lo participar integralmente na aventura humana da labuta profissional. Nos primeiros tempos da sua vida pública, Jesus impressionou - era inevitável! - pelos prodígios que operou e pela autoridade com que falava aos seus conterrâneos, que se admiravam por verem proceder assim quem era o "carpinteiro, filho de Maria... (Mc 6, 3)". Ao realizar o seu trabalho quotidiano, Jesus afirma-o como uma actividade santificante e santificável. E, por isso mesmo, que a santidade é um chamamento que Deus faz a todos os homens, porque todos eles devem encontrar, por intermédio da sua profissão, o meio de subsistência principal para a satisfação das suas necessidades vitais.

S. Paulo lembra, a este respeito, a todos os cristãos que a sua vida não pode ser a de um parasita ou de um ocioso inútil, declarando com todo o vigor: "Quem não quiser trabalhar, não tem o direito de comer" (2 Tes 3, 10).

Começa, assim, da melhor maneira, o mês de Maria, que também se santificou sendo uma magnífica e humilde dona de casa, como acontecia com a maior parte das mulheres do seu tempo e do seu meio social. Hoje, este tipo de funções talvez se encontre um pouco desvalorizado. Mas é pena, porque um lar só se torna atraente e agradável, quando há quem cuide dos seus aspectos materiais e, por assim dizer, mais comezinhos, que o tornam, juntamente com o amor essencial a toda a vida familiar, um recanto de paz e de alegria.

E Jesus? De sua Mãe aprendeu tudo o que pode aprender um filho daquela que, como observava S. Josemaria, não precisa de fazer propósitos para gostar dos filhos que Deus lhe concede. O amor maternal é uma realidade espontânea e natural, que enche o coração de todas as mães, como o de Maria Santíssima. E de José, além da profissão por que era conhecido, apreciou a fortaleza de um homem que nunca recusou a Deus nenhum desígnio, por mais difícil e embaraçante que pudesse ser. Todo o comportamento sereno de Cristo na Cruz e na Paixão recorda muito a aceitação com que S. José abraçou as solicitações que Deus lhe enviou na sua vida.

Procuremos neste mês de Maria abrir-nos de forma total e incondicional ao cumprimento da vontade de Deus, tendo como modelo da nossa conduta os três membros da Casa de Nazaré. E veneremos e exaltemos especialmente Nossa Senhora para invocar a protecção de quem é a Medianeira de todas as Graças, rezando em família o seu Terço.


Madonna Conestabile, Rafael

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