7 de abril de 2008

O oferecimento do trabalho

"Que hei-de dar ao Senhor em troca de tudo aquilo que Ele me deu?" [Sal 116(115), 12] Esta interrogação do Salmista pode também vir à nossa alma: que tenho eu para oferecer ao Senhor?

Deus não necessita de nada mas aceita com satisfação aquilo que Lhe pudermos oferecer, como uma mãe recebe cheia de alegria uma flor, um desenho, uma construção do filho pequeno. É tudo o que ele sabe fazer.

Cada um de nós, diante de Deus, é ainda mais pequeno do que um menino (cf. SÃO JOSEMARIA, Caminho 860). Por importante que seja o nosso trabalho e por decisivo na vida dos outros, ele não é, aos olhos de Deus, importante nem decisivo pela eficácia ou pelo êxito mas pelo amor com que é feito.

Jesus ensinava no Sermão da Montanha: "Olhai para as aves do céu que não semeiam nem ceifam, nem fazem provisões nos celeiros, e, contudo, o vosso Pai celeste as sustenta. Porventura não valeis vós muito mais do que elas?" (Mt 6,26).

Ao trabalhar devemos querer servir os outros mas, ao mesmo tempo, crescer no amor, sem ficar excessivamente presos ao resultado do nosso esforço. Para isso convém oferecer o nosso trabalho a Deus, tanto no início, como no seu decorrer, como no fim.

"Senhor, isto que vou fazer (ou "isto que estou a fazer", ou ainda "isto que acabo de fazer") é para Ti". Podemos ter a certeza de que Lhe agradamos. Além disso é possível que esse movimento espiritual e íntimo provoque em nós uma rectificação do próprio trabalho: não queremos oferecer a Deus uma coisa defeituosa. E o oferecimento pode ser feito por uma intenção: alguém que está a sofrer, alguém que está longe de Deus, alguém que nós amamos. Finalmente, se o nosso trabalho for em vão, destruído por um acidente, anulado por um fracasso, perdido por qualquer contrariedade, ele nunca perde o seu verdadeiro valor porque está oferecido a Deus.

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