4 de março de 2008

Depois da Paixão e Morte do Senhor, vem a sua Ressurreição. A ela nos abraçamos no Domingo de Páscoa, com a alegria de quem sabe que Cristo nunca prometeu nada em vão. Tinha prometido que havia de ressuscitar e assim O fez.

Talvez sintamos alguma dificuldade em entender as dúvidas dos apóstolos, mormente daqueles três que O acompanharam ao tansfigurar-Se. Devemos colocar-nos nas suas circunstâncias concretas para perceber melhor tantas dúvidas e tanta falta de fé.

Eles tinham-se habituado a ver Jesus como um triunfador de todas as dificuldades que Se Lhe deparavam: a saber calar os detractores, a ensinar por parábolas encantadoras e acessíveis o sentido da vida humana, a ministrar com simplicidade uma doutrina de amor e de compreensão, e, enfim, como taumaturgo, a curar os doentes, a ressuscitar os mortos - o caso recente de Lázaro deixou a todos estupefactos.

A Paixão foi para eles uma prova e um choque de extrema perplexidade. Jesus apareceu-lhes como sofredor e, aparentemente, como um derrotado: não se furtou à prisão, não se defendeu das acusações, não evitou a condenação à morte, nem sequer correspondeu com um milagre - salvo a cura rápida do servo que Pedro feriu no Jardim das Oliveiras com um golpe de espada -, a todos aqueles assaltos à sua dignidade e até à sua liberdade física. Agonizou, na cruz, depois de condenado, durante várias horas, até expirar.

Algo, porém, caracterizou positivamente esse espaço de tempo, a que eles por temor não assistiram, com excepção de João Evangelista, que acompanhou Maria Santíssima nas horas tremendas do Calvário: Jesus sofreu com uma imensa serenidade todos os tormentos, sem um queixume e sem um protesto. Jamais pensou em Si; apenas teve em mente o bem dos outros. Rezando intensamente, pediu perdão a Deus pelos que O condenaram e maltrataram, converteu um dos companheiros de suplício e, por fim, ainda soube desprender-Se da Mãe, a quem pediu para ser, a partir daí, Mãe de todos os seus discípulos. Finalmente, sempre em paz e com a consciência de que tinha cumprido integralmente a vontade de Deus, seu Pai, pôde morrer após exclamar: "Tudo está consumado"(Jo 19, 30).

Temos a sorte de viver, historicamente, depois de toda a passagem do Senhor por esta terra. E os quatro Evangelhos, que Deus quis que testemunhassem, de uma forma muito simples, os principais passos do seu Filho pela terra, atestam unanimemente que Jesus venceu a morte e ressuscitou ao fim de três dias, conforme havia confidenciado aos seus apóstolos.

Se a Quaresma foi por nós bem vivida e soubemos aprender a lição da Cruz muito juntos de Nossa Senhora, temos agora a dita de saborear melhor todo o sentido da Ressurreição do Senhor, que é o momento fundamental da sua vida terrena, como se observa no n. 131 do Compêndio da Igreja Católica, que a considera o "culminar da Encarnação".

E compreenderemos a grande alegria dos apóstolos e dos discípulos ao acreditarem, finalmente, depois de serem tocados pela evidência, que Jesus, uma vez mais, não fizera uma promessa vã: "Nós vimos o Senhor" (Jo 20, 25), diziam eles ao incrédulo Tomé, que acabou por se render perante Cristo alguns dias mais tarde, afirmando inequivocamente a sua divindade: "Meu Senhor e meu Deus!" (Jo 20, 28).

Que a alegria da Ressurreição nos torne a todos melhores discípulos do Mestre e melhores filhos de Maria Santíssima, que no Céu e do Céu, como boa Mãe, nos ampara e nos educa, no sentido de sermos melhores filhos de Deus. Foi para isso que o Senhor, pouco antes de morrer, lhe pediu para assumir a nossa maternidade.

Noli me tangere
Noli me tangere

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