18 de dezembro de 2007

A Coroa do Advento

Durante o mês de Dezembro temos ocasião de preparar o Natal. Este é um dos tempos fortes da liturgia pela alegria da visita que esperamos: um Menino que nos vai ser dado e que é o próprio Deus, o Criador.

Essa alegria é tanto maior quanto mais consciente a preparação da celebração. Nesse sentido o Advento também implica algum jejum: é como quando se quer receber uma pessoa muito amiga e não se consegue comer na ânsia de que chegue depressa. Contam-se os dias até que o possamos ir esperar ao aeroporto ou à estação de comboio.

Existe uma antiga tradição da Igreja que consiste em fazer uma coroa de ramos de plantas perenes – não de folha caduca – de árvores que se mantêm verdes no Inverno, simbolizando talvez a fidelidade de Deus à sua promessa de nos vir salvar e colocar sobre essa coroa quatro velas em cruz, uma por cada Domingo de Advento.

Podemos então atribuir um significado a cada vela e semana, enriquecendo a nossa preparação A primeira vela é a da alegria, da surpresa e da gratidão; não esperávamos que essa pessoa ainda se lembrasse de nós e que quisesse mesmo empreender a viagem para nos vir visitar. Assim os primeiros dias de Advento podem ser de acção de graças pelo cumprimento da promessa de salvação.

A segunda vela é a dos preparativos para receber o amigo: onde o vamos alojar, onde vamos tomar as refeições, que sítios gostaria de visitar, que coisas lhe podemos mostrar? Assim, a segunda semana do Advento poderia estar marcada pelo desejo, pela imaginação, pelo Presépio, pelos enfeites de Natal.

A terceira vela é a da pena ao recordarmos que, no passado, nem sempre nos portámos bem com aquele amigo que agora nos visita e gostávamos que esta fosse uma ocasião para pedir desculpa. Assim a terceira semana do Advento pode estar marcada pela contrição, por uma Confissão especialmente bem feita.

A quarta vela é a partida ao encontro do amigo que chega, levando-lhe talvez um presente, e aperaltando-nos no vestir e na presença. Assim, os últimos dias do Advento podem estar marcados por esforço mais sincero por viver a caridade sobretudo com os mais próximos, especialmente os mais débeis.

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