1 de setembro de 2007

Passou-se o período forte de férias e, outra vez, o mês de Setembro surge no nosso horizonte de vida como tempo de recomeçar: o novo ano de trabalho, o novo ano escolar, o novo ano pastoral.

Cada um experimenta a necessidade de enfrentar a vida como um repto que o mundo onde nos inserimos nos lança para realizar o que devemos. E, na nossa consciência, desperta certamente a necessidade de nos abeirarmos mais de Deus e pedir-Lhe que nos ajude.

Pode acontecer e é isso com certeza que notamos – que o panorama das ocupações e das circunstâncias não sejam diferentes das dos anos anteriores. Contudo, existe em nós o desejo normal, bom e recto, de melhorar o que fazemos. É uma ambição natural, que devemos cultivar, sem que para isso contemos apenas com as nossas próprias forças e os nossos propósitos.

Deus deve intervir nesses desígnios. Em primeiro lugar, para nos ajudar a cumprir rectamente o que nos propomos. Depois, para orientar os caminhos a seguir, compartilhando com Ele as formas de os executar. Assim, manteremos sempre a rectidão de intenção, porque estamos a fazer não apenas aquilo que projectámos, mas a seguir as indicações que Deus nos sugeriu. Ou seja, se somos fiéis aos seus conselhos, estamos a cumprir a sua vontade.

Não esqueçamos que Ele não nos exige, habitualmente, coisas extraordinárias. O que pretende é apenas que cumpramos bem as obrigações diárias com que a nossa vida se preenche. E levá-las a bom termo, com constância e perseverança, não é apenas uma sequência monótona onde se repete muitas vezes as mesmas coisas; é o esforço heróico por fazer sempre bem o que devemos. E se esse dever resulta de um acordo que nós combinámos com Deus, de modo a que ele e o cumprimento da sua vontade sejam a mesma realidade, assim nos santificaremos.

“Está no que fazes e faz o que deves”, animava S. Josemaría . É um percurso exigente, que só se consegue com luta sistemática, que vence a tibieza, a preguiça, a desordem, a tendência para a sesta comodista, o egoísmo de procurar compensações que minoram o esforço e desculpam os adiamentos que adormecem a nossa vontade.

Mas esta luta seria orgulhosa e inútil se não contássemos com a graça de Deus. Esta não destrói nem se opõe às nossas forças naturais: inteligência, vontade, afectividade, etc.. Pelo contrário, aperfeiçoa-as e completa-as, como reza um velho ditado. É através dela que Deus nos ajuda.

Acolhamo-nos à sua eficácia, sejamos permeáveis à sua influência e assim também, com humildade, colaboraremos com o Senhor na nossa santificação. Nossa Senhora, a quem o mês de Setembro consagra três celebrações em sua honra (Natividade da Virgem Santa Maria, Santíssimo Nome de Maria, Nossa Senhora das Dores) será, nesta luta, não só a Mãe que nos acalenta, como a Mãe que nos saberá exigir carinhosamente que sejamos fiéis no cumprimento da santíssima e amabilíssima vontade de Deus em todos os momentos e circunstâncias da nossa vida diária. Foi assim que ela viveu em Nazaré, criando e educando o Filho de Deus, de Quem é Mãe.

P. Rui Rosas da Silva

São Mateus e o Anjo, Caravaggio (1602), óleo sobre tela, 295 x 195 cm, destruído

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