1 de julho de 2007

"Deus criou o homem à sua imagem, criou-o à imagem de Deus, e criou-os homem e mulher (...) Entretanto fez-se tarde e depois se fez manhã: sexto dia (...)"

"E Deus acabou no sétimo dia a obra que tinha feito; e descansou no sétimo dia de toda a obra que tinha feito. E abençoou o dia sétimo, e o santificou, porque nele tinha cessado de toda a sua obra, que tinha criado e feito."
(Gén 1,27.31.2,3)

Este pequeno texto do primeiro livro do Antigo Testamento manifesta como Deus aprecia o descanso, como meio de revigorar forças. Dir-se-ia que é um acto justo para quem trabalha e realiza uma boa obra, que beneficia todos os homens. A criação acaba de ver surgir a criatura preferida pelo Senhor, pois é parecido com Ele. Em prol da sua futura conduta, Deus ensina-lhe que deve haver momentos em que ele pare a sua actividade laboral e retempere a energia que nela gastou.

Esta lição exemplar destina-se ao homem e apenas a ele, já que Deus, pela sua perfeição essencial, não necessita de descanso. Por isso, quer mostrar-lhe que o seu comportamento deve ser ordenado e exige moderação: não pode exaurir-se num corrupio de actividade superior às suas próprias capacidades. Precisa de pausas para pensar melhor no que está a fazer e como está a fazer. Caso contrário,esgota-se ou deixa que o seu orgulho o convença vamente de que é senhor de todo o seu procedimento, não tendo de prestar contas a ninguém do que realiza. Quantas desilusões e desalentos não surgem na vida do homem dos nossos dias pelo facto de se esquecer de que é um ser limitado, que necessita de remansos sadios para descansar! A imaginação infla e passamos a encontrar complicações desnecessárias. São Josemaría observava com razão que a maior parte dos problemas que nos afectam são produto da nossa imaginação deletéria.

Com Julho, começam as férias de uma boa parte de todos nós. Elas são desejadas desde há muito tempo. Não esqueçamos, porém, que não temos o direito de esquecer a Deus durante os seus dias, vivendo num completo esquecimento das nossas obrigações de seus filhos.

Nestes tempos, quando nos apartamos dos nossos lares e fazemos alguma viagem, temos por bom costume escrever alguma mensagem, que enviamos pelo correio ou pelos meios que o avanço tecnológico nos permite. É um sinal da nossa amizade, um dever que não descuramos e até o cumprimos com gosto.

A Deus, que devemos amar sobre todas as coisas, as férias encontram-nO em toda a parte, porque o seu poder e a sua presença não se esvaem ou se sumem. Pode acontecer que O rejeitemos no nosso coração, considerando a sua companhia incómoda, durante uns dias em que queremos viver como se Ele desaparecesse da nossa vida. Nesta ordem de ideias, julgamo-nos livres para nos comportarmos como nos apetecer, sem contar conSigo e esquecendo os seus mandamentos.

É preciso estar bem ciente de que Deus é o senhor das férias, porque foi Ele que desejou que o homem descansasse. Não O acantonemos na gaveta do esquecimento. Que nos acompanhe sempre e sempre Lhe manifestemos o nosso amor. Nem sequer punhamos de parte as obrigações que para com Ele temos. Dizia João Paulo II que o coração de um bom cristão, no fim de semana, está posto no cumprimento do preceito dominical. Também nas férias, que devem ser tempo de maior intimidade com o Senhor de todas as coisas e de todos os tempos. Não O defraudemos, invocando a protecção da sua Mãe e nossa Mãe, Nossa Senhora, a fim de com ela nos sentirmos muito bem acompanhados e juntos de Deus.

P. Rui Rosas da Silva

A tocadora de viola, Vermeer, 1672 (aproximadamente)

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