25 de julho de 2007

O que são as indulgências?

Os nossos pecados são perdoados quando nos confessamos. Esse perdão diz respeito à culpa, mas não à pena que lhe é devida. Deus absolve, mas o homem pode continuar apegado ao pecado que cometeu. O pecado deixa na alma uma inclinação. Essa inclinação para o mal prende o homem e não o deixa saborear Deus em plenitude. É para purificar a marca deixada pelo pecado que existe um tempo de purgatório nas almas que morrem na graça de Deus. O homem pecador pode, no entanto, também purificar-se durante a sua vida na terra. A contrição pelo pecado pode chegar a ser tão grande que dele não fique nada na alma.
A Igreja deseja que todos nos purifiquemos e que ajudemos aqueles que estão ainda no Purgatório a libertar-se das marcas dos pecados, e concede a indulgência ou perdão da pena, a partir do tesouro de graças que lhe deixou Cristo e também os Santos, a qual se pode aplicar por nós mesmos ou pelos defuntos.
O Papa afirma: "O uso das indulgências ajuda-nos a compreender que não somos capazes, só com as nossas forças, de reparar O mal cometido e que os pecados de cada um causam dano a toda a comunidade" (BENTO XVI, Exortação Apostólica Sacramentum caritatis, n. 21).
As indulgências podem ser parciais ou plenárias, isto é, de parte ou de toda a pena devida pelos pecados. Para obter uma indulgência plenária requer-se:
  • o recurso ao Sacramento da Penitência, pelo menos na semana anterior, e não ter consciência de nenhum pecado mortal ainda não confessado;
  • a Comunhão eucarística;
  • a realização de uma obra penitencial que a Igreja determina;
  • a oração pelo Santo Padre, como representante na terra da Comunhão dos crentes;
  • a detestação de todo o pecado mesmo venial;
  • a aplicação por uma alma do Purgatório ou a realização de uma obra de caridade se se pretende aplicar por si mesmo;
  • o desejo explícito de lucrar a indulgência (só se pode lucrar uma por dia)

Indulgências

São obras penitenciais que permitem obter a indulgência plenária, entre outras:

  • a oração diante do Santíssimo Sacramento durante meia hora;
  • a prática da Via Sacra;
  • a recitação de uma parte do Rosário numa igreja ou em família.

Durante o mês de Julho, no dia 16, celebra-se a memória de Nossa Senhora do Carmo. É uma invocação que está ligada à aparição da Virgem Maria a Simão Stock, um santo carmelita, no monte Carmelo (o monte ligado à pregação do Profeta Elias), onde Ela quis deixar um sinal da sua protecção e do seu interesse por levar-nos para o Céu: o Escapulário.

O uso devoto do Escapulário do Carmo é também uma obra penitencial que permite obter indulgência plenária nos seguintes dias do ano:

  • 16 de Julho, memória de Nossa Senhora do Carmo
  • o dia em que se recebeu a imposição do Escapulário e seus aniversários;
  • os dias em que se comemoram santos carmelitas: São Simão Stock (16 de Maio), Santa Teresa de Jesus (15 de Outubro), São João da Cruz (14 de Dezembro), Santa Teresinha do Menino Jesus (1 de Outubro) e Todos os Santos Carmelitas (14 de Novembro);
  • 20 de Julho (dia do Santo Profeta Elias).

1 de julho de 2007

"Deus criou o homem à sua imagem, criou-o à imagem de Deus, e criou-os homem e mulher (...) Entretanto fez-se tarde e depois se fez manhã: sexto dia (...)"

"E Deus acabou no sétimo dia a obra que tinha feito; e descansou no sétimo dia de toda a obra que tinha feito. E abençoou o dia sétimo, e o santificou, porque nele tinha cessado de toda a sua obra, que tinha criado e feito."
(Gén 1,27.31.2,3)

Este pequeno texto do primeiro livro do Antigo Testamento manifesta como Deus aprecia o descanso, como meio de revigorar forças. Dir-se-ia que é um acto justo para quem trabalha e realiza uma boa obra, que beneficia todos os homens. A criação acaba de ver surgir a criatura preferida pelo Senhor, pois é parecido com Ele. Em prol da sua futura conduta, Deus ensina-lhe que deve haver momentos em que ele pare a sua actividade laboral e retempere a energia que nela gastou.

Esta lição exemplar destina-se ao homem e apenas a ele, já que Deus, pela sua perfeição essencial, não necessita de descanso. Por isso, quer mostrar-lhe que o seu comportamento deve ser ordenado e exige moderação: não pode exaurir-se num corrupio de actividade superior às suas próprias capacidades. Precisa de pausas para pensar melhor no que está a fazer e como está a fazer. Caso contrário,esgota-se ou deixa que o seu orgulho o convença vamente de que é senhor de todo o seu procedimento, não tendo de prestar contas a ninguém do que realiza. Quantas desilusões e desalentos não surgem na vida do homem dos nossos dias pelo facto de se esquecer de que é um ser limitado, que necessita de remansos sadios para descansar! A imaginação infla e passamos a encontrar complicações desnecessárias. São Josemaría observava com razão que a maior parte dos problemas que nos afectam são produto da nossa imaginação deletéria.

Com Julho, começam as férias de uma boa parte de todos nós. Elas são desejadas desde há muito tempo. Não esqueçamos, porém, que não temos o direito de esquecer a Deus durante os seus dias, vivendo num completo esquecimento das nossas obrigações de seus filhos.

Nestes tempos, quando nos apartamos dos nossos lares e fazemos alguma viagem, temos por bom costume escrever alguma mensagem, que enviamos pelo correio ou pelos meios que o avanço tecnológico nos permite. É um sinal da nossa amizade, um dever que não descuramos e até o cumprimos com gosto.

A Deus, que devemos amar sobre todas as coisas, as férias encontram-nO em toda a parte, porque o seu poder e a sua presença não se esvaem ou se sumem. Pode acontecer que O rejeitemos no nosso coração, considerando a sua companhia incómoda, durante uns dias em que queremos viver como se Ele desaparecesse da nossa vida. Nesta ordem de ideias, julgamo-nos livres para nos comportarmos como nos apetecer, sem contar conSigo e esquecendo os seus mandamentos.

É preciso estar bem ciente de que Deus é o senhor das férias, porque foi Ele que desejou que o homem descansasse. Não O acantonemos na gaveta do esquecimento. Que nos acompanhe sempre e sempre Lhe manifestemos o nosso amor. Nem sequer punhamos de parte as obrigações que para com Ele temos. Dizia João Paulo II que o coração de um bom cristão, no fim de semana, está posto no cumprimento do preceito dominical. Também nas férias, que devem ser tempo de maior intimidade com o Senhor de todas as coisas e de todos os tempos. Não O defraudemos, invocando a protecção da sua Mãe e nossa Mãe, Nossa Senhora, a fim de com ela nos sentirmos muito bem acompanhados e juntos de Deus.

P. Rui Rosas da Silva

A tocadora de viola, Vermeer, 1672 (aproximadamente)