1 de junho de 2007

Dois Corações, o mesmo Amor de Deus que deles transparece. O primeiro é o de Jesus, Nosso Senhor, que dele dizia com naturalidade as suas características fundamentais: a mansidão e a humildade. (...) Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de Coração: Mt 11, 29.

No entanto, um coração não é o fruto espontâneo da natureza de uma pessoa. Ao contrário, ele forma-se ao longo dos anos, através da educação que recebe, dos exemplos que contempla e da luta por ser virtuoso. Por outras palavras: não se é manso e humilde de coração sem um esforço perseverante por torná-lo assim. Jesus, enquanto homem, conseguiu que o seu Coração tivesse em sumo grau essas duas qualidades tão apreciáveis, porque pugnou pela sua conquista. No Calvário e em todas as circunstâncias da sua vida pública pôde evidenciá-Ias de maneira clara, não porque natural e espontaneamente o seu Coração possuísse a mansidão e a humildade sem qualquer luta. Isso seria a negação da sua Humanidade: como Homem perfeito, teve de percorrer as mesmas etapas, os mesmos estímulos e as mesmas batalhas de formação de qualquer um de nós, excepto no pecado.

E aqui entra - e de que maneira! - um outro coração, que teve como principal missão proporcionar a Jesus todos os aspectos que uma pessoa deve aprender para que o seu coração seja verdadeiramente manso e humilde. Exemplo constante, sem exibicionismos desnecessários, o Imaculado Coração de Maria foi o padrão constante que ensinou, sob o ponto de vista humano, o Sagrado Coração de Jesus. Maria, Mãe do nosso Redentor, com a sua vida simples e santa, manifestou ao seu Filho como deve ser manso e humilde um coração para aceitar em tudo a vontade de Deus e pô-la em prática.

Nossa Senhora não precisou de fazer discursos complexos, ou citar mestres em pedagogia para ensinar Jesus. Ela limitou-se a mostrar ao Filho esse "Sim" incondicional que proferiu no momento em que arcanjo S. Gabriel lhe anunciou o que Deus pretendia dela: ser a Mãe do Messias prometido desde os primórdios da humanidade, quando Iavé, depois do pecado de Adão e de Eva, não os abandona ao seu destino de pecadores, ao dizer ao demónio tentador, na presença dos nossos primeiros pais: (...) Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a dela; esta te esmagará a cabeça...: Gén 3, 15.

Sendo o mês de Junho um tempo em que a Igreja dedica especial devoção ao Sagrado Coração de Jesus, façamos nós um exame profundo de consciência, procurando entender se, nas lutas diárias que a vida nos oferece, reagimos de facto como bons alunos de Jesus, não dando lugar ao desespero e à ira, quando as contrariedades nos batem à porta. Chegaremos com certeza à conclusão de que teremos ainda um grande percurso a palmilhar para que as nossas respostas sejam as de um coração manso e humilde como as de Cristo.

Da sua conduta nos trinta e três anos que passou entre nós retiraremos sem dúvida as melhores lições. Não esqueçamos, porém, que Maria Santíssima pode e deve ser a nossa mestra em tal matéria. Ela, como Mãe de Jesus, ensinou-O, humanamente, de modo eficacíssimo. E com o mesmo carinho e empenho, desde que no Calvário aceitou ser nossa Mãe, ela nos guiará pelos verdadeiros caminhos da mansidão e da humildade.

P. Rui Rosas da Silva

S. Paulo visita S. Pedro na Prisão: Fresco de Filippino Lippi, séc. XV

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