1 de maio de 2007

Novamente, o mês de Maio, com todo o seu encanto mariano, nos vem recordar, por um lado, quem temos no Céu como Medianeira de todas as graças, e por outro, o desprendimento de Jesus de tudo o que tinha de Seu e de mais querido nesta terra: além de nos dar a sua vida, desprendeu-Se da sua condição de Filho único de Maria, para tornar todos os seus discípulos filhos de Nossa Senhora, pouco antes de morrer na Cruz do Calvário.

A Virgem Santíssima, que nunca recusou a mínima solicitação inspirada por Deus, aceitou imediatamente a sua nova e profícua maternidade! Reuniu os apóstolos e evitou que se dispersassem de vez, a fim de que, no domingo seguinte, se apercebessem finalmente, apesar do cepticismo com que enfrentavam a Ressurreição, que Jesus cumpriria com rigor a sua promessa de voltar à vida e de lhes aparecer.

Maria, que é desde então nossa Mãe, tem a missão de reunir em torno a Cristo os seus novos filhos. Como boa educadora, é persistente e generosa. Não descansa. Cheia de amor maternal, ela compreende os nossos erros, sofre com os nossos pecados, mas, como todas as mães, tem o regaço pronto a todo o momento para o abraço da reconciliação e a sua boca não se fatiga, junto das três Pessoas da Trindade, de tecer elogios a cada um dos seus filhos, apesar de reconhecer que, tantas vezes, o nosso comportamento nada tem de exemplar. Talvez por isso, como observava S. Josemaría, "dá alegria verificar que a devoção à Virgem Santíssima está sempre viva, despertando nas almas cristãs um impulso sobrenatural como domestici Dei, como membros da família de Deus" (Cristo que passa, n. 139).

Não foi certamente por acaso que Cristo a incumbiu, frequentemente, ao longo da história da Igreja, de mandar alguns recados dolorosos aos homens. Assim Fátima, cujas aparições completam o seu nonagésimo aniversário exactamente no próximo dia 13 deste mês. Aí, ela veio uma vez mais pedir aos seus filhos que tivessem juízo, que abandonassem os seus maus costumes e se convertessem, fazendo para tanto penitência e oração. Insistiu na reza diária do terço e pediu aos pastorinhos sacrifícios pelos pecadores. Aos dois mais novos, levou-os para o Céu pouco depois e deixou a mais velha por cá mais algum tempo - ou seja, perto de 90 anos (na eternidade o tempo é uma realidade sem' relevância), a fim de nos lembrar a sua mensagem-convite, que nos fala de conversão e do grande amor que o Pai, o Filho e o Espírito Santo nos têm ao pedirem-lhe que descesse na Cova da Iria e falasse connosco em linguagem simples de Mãe.

Será possível não nos recordarmos do bem que nos fez o "mês de Maria" que se rezava na nossa casa nos dias de Maio? Provavelmente, foi ele um dos grandes pilares da fé que nos orientou ao longo da vida. Nossa Senhora, porque é Mãe, não faz propósitos para gostar de nós e deixa-se cativar por estes gestos de amor simples, com que lhe manifestamos a nossa devoção. Não será de repensarmos o nosso "mês de Maria" familiar? Pais e filhos à volta de Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe. Que mais afortunada reunião poderá haver? Quantos frutos de Fé e de piedade sólida não nascerão para sempre no coração dos seus participantes!

P. Rui Rosas da Silva

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