18 de maio de 2007

As três Avé-Marias da Santa Pureza

Há muitas maneiras de honrar Nossa Senhora, há muitas maneiras de lhe agradecer, muitas maneiras de lhe pedir. Um dos costumes arraigados no povo cristão é o de recorrer a Ela para a virtude da Santa Pureza. Não é a maior das virtudes cristãs mas é imprescindível para alcançar a visão de Deus, tanto nesta terra, no meio do nosso caminho de peregrinos, como na visão definitiva do Céu: "Bem-aventurados os puros de coração porque verão a Deus", disse o Senhor no Sermão da Montanha (cf. Mt 5,8).

Maria é modelo de pureza: n'Ela não há nada que se incline para a satisfação do próprio egoísmo, carnal ou mesmo espiritual. Quis sempre ser só a escrava do Senhor (cf. Lc 1,38), a sua serva (cf. Lc 1,48), alguém que estivesse às ordens de Deus. Por isso Ela recebeu uma fecundidade universal: sendo a Mãe de Deus tornou-se também a Mãe de todos os homens (cf. Jo 19,26-27). A pureza é uma condição para amar e exige uma tarefa de limpar do nosso coração tudo o que o mancha, por mais pequeno que pareça.

A doçura de Nossa Senhora pode aquietar o nosso pobre coração que, por vezes, nos faz sentir com força que é de carne: Ela é a Mãe do Amor Formoso (cf. SÃO JOSEMARIA, Caminho 504). A sua beleza atrai-nos ao amor das coisas árduas, das coisas difíceis.

Sempre podemos recorrer a Maria para lhe pedir ajuda nesta luta: quando estamos a sentir o ardor da nossa inclinação para o prazer, quando o pressentimos, ou mesmo quando fomos derrotados e nos encontramos envergonhados e desanimados. Há um momento, porém, em que esse pedido é mais oportuno: quando nos vamos deitar. Então, talvez com o olhar numa imagem d'Ela, ajoelhamo-nos e recitamos três Avé-Marias com pausa e com atenção: pedimos que nos ajude a nós, que ajude todos os nossos e que ajude todo o mundo na luta por ser limpo de corpo e de coração. E Ela, que nos escuta sempre, encarrega-se de conseguir isso de Deus.

13 de maio de 2007

Bernardo de Claraval

São Bernardo de Claraval (1090-1153) foi um dos Doutores da Igreja que mais pregou sobre a Virgem Maria. A ele se atribui a oração Lembrai-vos.
"Ouves falar de uma Virgem, ouves falar de uma humildade; se não podes imitar a virgindade da humilde, imita a humildade da Virgem. Louvável virtude é a virgindade, mas mais necessária a humildade: aquela é-nos aconselhada, esta mandada; convidam-te para aquela, mas a esta obrigam-te (...) Podes salvar-te sem a virgindade, mas não sem a humildade. Pode agradar a humildade que chora a virgindade perdida; mas sem a humildade - atrevo-me a dizê-lo - nem mesmo a virgindade de Maria teria agradado a Deus. (...) Porque como é que poderia conceber d'Ele sem Ele? (...) Então se em relação à virgindade de Maria só podes admirar, procura imitar a sua humildade, e isso te basta" (Sermo 6,7; PL 183,55; cit. in La Virgen Madre, Rialp, Madrid, 1957, pp.24-26)
"Sim, encontrou aquilo que procurava Aquela a quem se disse: Encontraste graça as olhos de Deus [cf. Lc 1,30]. Como? Está cheia de graça e ainda encontra mais graça? Digna é certamente de encontrar aquilo que procura porque não A satisfaz a própria plenitude, nem está contente mesmo com o bem que já possui, mas como está escrito: Aquele que me bebe, ainda terá sede (Sir 24,21), pede para poder transbordar para a salvação do universo" (Ib. p.106)

1 de maio de 2007

Novamente, o mês de Maio, com todo o seu encanto mariano, nos vem recordar, por um lado, quem temos no Céu como Medianeira de todas as graças, e por outro, o desprendimento de Jesus de tudo o que tinha de Seu e de mais querido nesta terra: além de nos dar a sua vida, desprendeu-Se da sua condição de Filho único de Maria, para tornar todos os seus discípulos filhos de Nossa Senhora, pouco antes de morrer na Cruz do Calvário.

A Virgem Santíssima, que nunca recusou a mínima solicitação inspirada por Deus, aceitou imediatamente a sua nova e profícua maternidade! Reuniu os apóstolos e evitou que se dispersassem de vez, a fim de que, no domingo seguinte, se apercebessem finalmente, apesar do cepticismo com que enfrentavam a Ressurreição, que Jesus cumpriria com rigor a sua promessa de voltar à vida e de lhes aparecer.

Maria, que é desde então nossa Mãe, tem a missão de reunir em torno a Cristo os seus novos filhos. Como boa educadora, é persistente e generosa. Não descansa. Cheia de amor maternal, ela compreende os nossos erros, sofre com os nossos pecados, mas, como todas as mães, tem o regaço pronto a todo o momento para o abraço da reconciliação e a sua boca não se fatiga, junto das três Pessoas da Trindade, de tecer elogios a cada um dos seus filhos, apesar de reconhecer que, tantas vezes, o nosso comportamento nada tem de exemplar. Talvez por isso, como observava S. Josemaría, "dá alegria verificar que a devoção à Virgem Santíssima está sempre viva, despertando nas almas cristãs um impulso sobrenatural como domestici Dei, como membros da família de Deus" (Cristo que passa, n. 139).

Não foi certamente por acaso que Cristo a incumbiu, frequentemente, ao longo da história da Igreja, de mandar alguns recados dolorosos aos homens. Assim Fátima, cujas aparições completam o seu nonagésimo aniversário exactamente no próximo dia 13 deste mês. Aí, ela veio uma vez mais pedir aos seus filhos que tivessem juízo, que abandonassem os seus maus costumes e se convertessem, fazendo para tanto penitência e oração. Insistiu na reza diária do terço e pediu aos pastorinhos sacrifícios pelos pecadores. Aos dois mais novos, levou-os para o Céu pouco depois e deixou a mais velha por cá mais algum tempo - ou seja, perto de 90 anos (na eternidade o tempo é uma realidade sem' relevância), a fim de nos lembrar a sua mensagem-convite, que nos fala de conversão e do grande amor que o Pai, o Filho e o Espírito Santo nos têm ao pedirem-lhe que descesse na Cova da Iria e falasse connosco em linguagem simples de Mãe.

Será possível não nos recordarmos do bem que nos fez o "mês de Maria" que se rezava na nossa casa nos dias de Maio? Provavelmente, foi ele um dos grandes pilares da fé que nos orientou ao longo da vida. Nossa Senhora, porque é Mãe, não faz propósitos para gostar de nós e deixa-se cativar por estes gestos de amor simples, com que lhe manifestamos a nossa devoção. Não será de repensarmos o nosso "mês de Maria" familiar? Pais e filhos à volta de Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe. Que mais afortunada reunião poderá haver? Quantos frutos de Fé e de piedade sólida não nascerão para sempre no coração dos seus participantes!

P. Rui Rosas da Silva