1 de abril de 2007

Não há verdadeira alegria na alma, quando esta não se encontra em paz. E a nossa paz provém das nossas boas relações com Deus, a Quem tudo devemos.

Por isso, para saborearmos com autêntico júbilo a Ressurreição do Senhor, precisamos de ter a nossa alma em Graça, isto é, permeável a todos os benefícios que o Espírito Santo nela nos inculca, através da Sua acção santificadora.

Por vezes, a nossa fraqueza deixa penetrar na alma a mancha do pecado, que nos afecta a Graça. Precisamos então de pedir perdão a Deus, arrependidos de o termos cometido. Se se trata de um pecado grave ou mortal, para receber a Sagrada Comunhão, terei de me confessar antes.

Receber este Sacramento é saber apreciar a plenitude da misericórdia de Deus, que não quer a nossa alma toldada por problemas que só se solucionam através do arrependimento sincero, cuja manifestação mais visível da nossa parte é ajoelharmo-nos diante do confessor e contar-lhe com simplicidade e absoluta sinceridade a nossa conduta de pecadores.

Ele, que faz as vezes de Cristo, escutará com calma a nossa confissão e procurará, por todos os meios, sossegar-nos quanto ao perdão total e absoluto que Deus nos concede. Animar-nos-á a confiar na ajuda divina e a caminhar pela vida sabendo aproveitar a magnanimidade da sua misericórdia, tendo em conta a fragilidade da nossa natureza e também a nossa condição ímpar de filhos de um Deus que nos ama dum modo que não podemos imaginar. A parábola do filho pródigo revela-nos que à hora do perdão, suposto o nosso arrependimento, não existe no Pai qualquer ressentimento. E que a sua alegria leva-O, uma vez mais, a festejar, com toda a energia, o nosso regresso à sua casa, ao estado de Graça.

Depois de rezarmos o acto de contrição e ouvirmos, "Eu te absolvo, em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo", ficamos com a certeza de que a nossa alma e todo o nosso ser, que acaba de receber o perdão de Deus, volta a ser templo do Espírito Santo, alvo do amor de predilecção de toda a Trindade e da nossa Mãe, Maria Santíssima. A paz e a serenidade instalam-se com vigor. E toda a vida volta a ter o seu verdadeiro sentido, porque acabamos de lançar por terra tudo aquilo que verdadeiramente nos tornava infelizes, isto é, o pecado.

Se ainda o não fizemos até agora, aproveitemos os dias da Semana Santa para nos abeirarmos do Sacramento da Confissão e incentivarmos algum amigo nosso a acompanhar-nos. A alegria de vermos Cristo ressuscitado, no Domingo de Páscoa, com todas as condições que ela requer, merece bem este pequeno esforço.

Boa Páscoa a todos!

P. Rui Rosas da Silva

Sem comentários:

Enviar um comentário