1 de março de 2007

Mais uma vez, a Quaresma espera-nos com todo o seu convite à conversão, a voltar-nos decididamente para Cristo, prestar-Lhe atenção, dar-Lhe importância, sabendo ver n'Ele o verdadeiro amigo, que manifesta através da Sua Paixão e Morte a maior prova de amizade que alguém pode dar ao seu próximo.

Jesus incita-nos a acompanhá-Lo no percurso doloroso do Calvário. Quer que vamos com Ele, dando-nos a companhia de Sua Mãe, que nos ensinará a ser generosos na dor, serenos no sofrimento, generosos na entrega. Maria é a companhia inestimável que nos ensina o que é preciso saber para amar o Seu Filho. Se, porventura, por cobardia ou medo, quisermos fugir da Cruz que Jesus transporta, com a sua mão de mãe, vigorosa pelo sentimento e pelo carinho, não nos deixará partir e fará de nós companheiros de Simão de Sirene, que diminuiu com a sua ajuda o peso do madeiro.

Já no alto do monte, se chorarmos lágrimas amargas ao vermos Jesus crucificado e, num gesto de revolta, quisermos tirar o Senhor da Cruz, com firmeza de mãe consciente e boa educadora, dir-nos-á que mortifiquemos a nossa imaginação deletéria de sonhos quixotescos, lembrando-nos que o seu divino Filho está onde e como está para cumprir um mandato imperativo do Pai, que Lhe pediu o sacrifício supremo: "Pela mão de Maria - escreve S. Josemaría -, tu e eu queremos também consolar Jesus, aceitando sempre e em tudo a Vontade de Seu Pai, do nosso Pai" (Via Sacra, IV Estação). Por isso, a nossa presença amiga, se serve para suavizar o Seu sofrimento, deverá servir sobretudo para O acalentar a sofrer até à morte o que Deus Lhe pede, a fim de que a Sua vontade se cumpra integralmente e a obra da Redenção se ultime.

Não fujamos ao sacrifício nestes dias quaresmais, cumprindo com desvelo e humildade o que a Igreja determinou: o jejum e a abstinência de 4ª Feira de Cinzas e 6ª Feira Santa, além do dever de guardar abstinência obrigatoriamente todas as 6ªs Feiras destes quarenta dias. Não é muito o que se nos pede, apesar de a nossa tibieza, nesses momentos, exagerar os custos de tais renúncias. Funda-mental: passar um pouco de fome nos dias de jejum; escolher uma alimentação simples e pobre, que poderá ser não comer carne, nos dias de abstinência. Como fazem muitos bons cristãos, procuremos evitar as festas e as comemorações que se marquem para as 6ªs Feiras, a fim de vivermos com devoção e integridade o que nos está indicado para este dia da semana na quadra quaresmal.

E, por fim, recordemos que a Igreja nos estimula, neste tempo, a recorrer ao Sacramento da Reconciliação, sempre que necessário. Um exame de consciência criterioso, mostrar-nos-á, ajudados pelo Espírito Santo, como é oportuno, no início da Eucaristia, rezarmos assim: "Irmãos, reconheçamos as nossas culpas (...)". E prosseguindo: "Confessemos os nossos pecados".

Para quem, como Deus, é capaz de perdoar sempre e nos ama mais do que as mães aos seus filhos (Is 49, 15), com que alegria não assistirá do trono celeste à nossa contrição e, depois, à confissão íntegra dos nossos pecados. O perdão virá, como sempre, generoso, universal, sem ressentimentos, cheio de compaixão e de misericórdia. E a nossa alma, movida pela graça reconquistada, sentirá a alegria e a paz imensa que só Deus, origem e Senhor de toda a felicidade, pode dar.

O vosso pároco e amigo,

P. Rui Rosas da Silva

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