18 de março de 2007

Exame de consciência para a Confissão

  1. Tenho assistido à Missa todos os Domingos e Dias de Preceito?
  2. Tenho procurado ser piedoso e atento nas minhas orações?
  3. Tenho vencido a vergonha ou a preguiça para falar de Deus aos meus familiares, amigos, colegas e vizinhos?
  4. Tenho faltado à caridade com as pessoas da minha família?
  5. Tenho-me impacientado com pessoas com quem convivo por razões de trabalho, de vizinhança ou mera casualidade?
  6. Tenho guardado a pureza com as imagens e com a minha imaginação?
  7. Tenho fomentado, em mim e à minha volta, a generosidade em relação à vida, reconhecendo que é um dom de Deus?
  8. Tenho sido generoso com os meus bens e procuro não gastar comigo mesmo desnecessariamente?
  9. Tenho sido sincero e assíduo na Confissão sacramental?
  10. Tenho procurado vencer a preguiça de manhã para me levantar e à noite para me deitar, e procuro fazer em primeiro lugar aquilo que mais me custa ou o que pode facilitar a vida aos outros?
  11. Tenho sido guloso ou destemperado na bebida?
  12. Tenho admitido pensamentos de inveja?

13 de março de 2007

São José, Esposo da Virgem Stª Maria

Desde a Antiguidade que a Igreja venera São José mas pode-se dizer que a sua veneração tem vindo a crescer com o tempo, em paralelo com a de Nossa Senhora. O argumento de São Josemaria era o mesmo que os primeiros Padres usavam para a Virgem Santíssima: Deus podia ter escolhido aquelas pessoas que iam desempenhar um papel importante na educação do seu Filho, Jesus Cristo, e dotá-Ias, tendo em vista essa missão, com muitas graças. Se Deus podia e se convinha que o fizesse então é porque o fez.

A Escritura corrobora este raciocínio teológico. Pelo que narra São Mateus, José e Maria ainda não viviam juntos quando Ela concebeu. A gravidez naquelas circunstâncias punha a honra da esposa em sério risco. "José, sendo justo e não a querendo difamar, pensou despedi-Ia secreta mente" (Mt 1,19). O texto é um pouco lacónico mas permite entender que José desconhece a origem da concepção, até porque será o Anjo quem há-de informar que "o que n'Ela se gerou é do Espírito Santo" (Mt 1,20). No entanto, se ele não quer que Maria seja difamada é porque está convencido da sua inocência. A solução então é um repúdio secreto. Mas o que é um repúdio secreto? O repúdio é uma declaração por parte do marido que permite à esposa casar com outro. Se ele é secreto, provavelmente, significa que a esposa fica com a possibilidade de o usar ou não. Ou seja, José dava a Maria a possibilidade de se casar com o pai da criança ou não. Só que esta solução só tem eficácia se é acompanhada pelo desaparecimento do marido actual de Maria, que é o próprio José. Desaparecendo José, Maria pode não casar com ninguém e a sua honra fica salva, porque, para todos os olhos, aquele que vai nascer é filho do marido desaparecido. E, ao mesmo tempo, a desonra cai sobre José, que é visto por todos como mau marido e mau pai.

De facto, o Anjo que lhe aparece em sonhos começa por dizer "José, filho de David, não tenhas receio de receber Maria, a tua Esposa" (Mt 1,20). Portanto José tinha medo de receber Maria, que seria a solução mais fácil. José temia fazer mal não por deixá-Ia sem castigo mas porque talvez se sentisse culpado.

Era um modo heróico de proceder. José perdia a esposa, perdia tudo o que possivelmente tinha ido guardando em vista do futuro casamento, e perdia ainda a sua boa fama. Mas não via outra saída. A sua actuação, no entanto, mereceu o envio do Anjo. José é o modelo do sacrifício completo e silencioso, por amor.

1 de março de 2007

Mais uma vez, a Quaresma espera-nos com todo o seu convite à conversão, a voltar-nos decididamente para Cristo, prestar-Lhe atenção, dar-Lhe importância, sabendo ver n'Ele o verdadeiro amigo, que manifesta através da Sua Paixão e Morte a maior prova de amizade que alguém pode dar ao seu próximo.

Jesus incita-nos a acompanhá-Lo no percurso doloroso do Calvário. Quer que vamos com Ele, dando-nos a companhia de Sua Mãe, que nos ensinará a ser generosos na dor, serenos no sofrimento, generosos na entrega. Maria é a companhia inestimável que nos ensina o que é preciso saber para amar o Seu Filho. Se, porventura, por cobardia ou medo, quisermos fugir da Cruz que Jesus transporta, com a sua mão de mãe, vigorosa pelo sentimento e pelo carinho, não nos deixará partir e fará de nós companheiros de Simão de Sirene, que diminuiu com a sua ajuda o peso do madeiro.

Já no alto do monte, se chorarmos lágrimas amargas ao vermos Jesus crucificado e, num gesto de revolta, quisermos tirar o Senhor da Cruz, com firmeza de mãe consciente e boa educadora, dir-nos-á que mortifiquemos a nossa imaginação deletéria de sonhos quixotescos, lembrando-nos que o seu divino Filho está onde e como está para cumprir um mandato imperativo do Pai, que Lhe pediu o sacrifício supremo: "Pela mão de Maria - escreve S. Josemaría -, tu e eu queremos também consolar Jesus, aceitando sempre e em tudo a Vontade de Seu Pai, do nosso Pai" (Via Sacra, IV Estação). Por isso, a nossa presença amiga, se serve para suavizar o Seu sofrimento, deverá servir sobretudo para O acalentar a sofrer até à morte o que Deus Lhe pede, a fim de que a Sua vontade se cumpra integralmente e a obra da Redenção se ultime.

Não fujamos ao sacrifício nestes dias quaresmais, cumprindo com desvelo e humildade o que a Igreja determinou: o jejum e a abstinência de 4ª Feira de Cinzas e 6ª Feira Santa, além do dever de guardar abstinência obrigatoriamente todas as 6ªs Feiras destes quarenta dias. Não é muito o que se nos pede, apesar de a nossa tibieza, nesses momentos, exagerar os custos de tais renúncias. Funda-mental: passar um pouco de fome nos dias de jejum; escolher uma alimentação simples e pobre, que poderá ser não comer carne, nos dias de abstinência. Como fazem muitos bons cristãos, procuremos evitar as festas e as comemorações que se marquem para as 6ªs Feiras, a fim de vivermos com devoção e integridade o que nos está indicado para este dia da semana na quadra quaresmal.

E, por fim, recordemos que a Igreja nos estimula, neste tempo, a recorrer ao Sacramento da Reconciliação, sempre que necessário. Um exame de consciência criterioso, mostrar-nos-á, ajudados pelo Espírito Santo, como é oportuno, no início da Eucaristia, rezarmos assim: "Irmãos, reconheçamos as nossas culpas (...)". E prosseguindo: "Confessemos os nossos pecados".

Para quem, como Deus, é capaz de perdoar sempre e nos ama mais do que as mães aos seus filhos (Is 49, 15), com que alegria não assistirá do trono celeste à nossa contrição e, depois, à confissão íntegra dos nossos pecados. O perdão virá, como sempre, generoso, universal, sem ressentimentos, cheio de compaixão e de misericórdia. E a nossa alma, movida pela graça reconquistada, sentirá a alegria e a paz imensa que só Deus, origem e Senhor de toda a felicidade, pode dar.

O vosso pároco e amigo,

P. Rui Rosas da Silva