1 de janeiro de 2007

Abre-se o ano de 2007 com as esperanças que todos temos num futuro melhor. E, dum modo particular, os que acreditam em Cristo e na Sua mensagem de salvação, certos de que a mão misericordiosa de Deus, nosso Pai providente, conduzirá os homens para lugares onde a caridade que n’Ele tem a sua origem e a sua essência, se exercitará do modo mais adequado.

No entanto, se esta certeza é para nós, crentes, uma realidade que - sabemos - se vai realizar, os caminhos humanos nem sempre parecem palmilhar por sendas onde se veja a mão de Deus derramar a Sua graça. Parece até que, ou por ignorância ou por acinte, os nossos semelhantes se acirram contra o que Ele nos pede a respeito de realidades fundamentais, como a vida humana. Refiro-me, obviamente, ao próximo referendo sobre o aborto, que pretende liberalizar, duma forma inimputável, o direito de pôr termo à existência de seres inocentes, que necessitam do seio materno para subsistir, tal como um astronauta da sua nave para poder viajar no espaço e chegar a bom termo.

Os nossos bispos, dum modo claro e inequívoco, convidaram-nos a dar o nosso apoio ao NÃO e todos os apelos e sugestões que a Santa Sé e o Santo Padre, nos últimos tempos têm feito, vão no sentido de defender a doutrina do NÃO MATAR, que constitui o conteúdo e a mensagem única consignada no 5º Mandamento do Decálogo.

Voltando, porém, ao teor do início destas linhas, e porque sabemos que Deus não desampara o homem, Sua criatura preferida, criada à Sua imagem e semelhança, o que nos abre o tempo numa perspectiva de futuro é sempre um motivo de agradecimento e de mais confiança no Senhor de todo o universo. O Seu Amor por nós é tão grande que, se fosse perniciosa a nossa continuação no tempo, Ele, Senhor de todas as coisas e, por isso mesmo, também do próprio tempo, fá-lo-ia desaparecer.

Pode-nos parecer, por vezes, ao contemplarmos um panorama de comportamentos humanos tão desagradáveis e aberrantes, que Deus Se desentendeu da sorte de todos nós. Não só não é verdade, como vai contra tudo aquilo que o passado nos ensina. Sobretudo através da Sagrada Escritura, podemos aperceber-nos das atitudes constantes de misericórdia e de reaproximação por parte do Senhor em relação ao homem. Este foge-Lhe e Ele procura-o; este nega-O e Ele manifesta-Se-lhe; este ofende-O e Ele perdoa-lhe.

Em Cristo, através do Seu Coração manso e humilde, que aprendeu a ser generoso na escola de Maria, enquanto Sua Mãe e Sua principal educadora, vemos palpitar a linguagem da misericórdia e do perdão, da providência e da entrega. Assim, quando cura os doentes, perdoa à mulher adúltera, multiplica os pães e morre na Cruz para a nossa Redenção. E Cristo não morre e não se distrai da sorte de todos nós. É o mesmo, que nasceu em Belém, morreu no Calvário e ressuscitou ao fim de três dias, de acordo com o que tinha prometido. O Seu Amor por nós não esmorece, não faz pausas, não se distancia das nossas necessidades, nem manifesta a mínima mácula de falta de fidelidade. É esta a principal razão pela qual o futuro que Ele nos dá, apesar de todos os nossos erros e diatribes, continua a ser um dom divino generoso para que todo o homem se santifique e se salve.

Nesta ordem de ideias, e confiando na misericórdia infinita de Cristo, devemos sorrir e confiar que o nosso futuro será tanto melhor, quanto mais o coloquemos nas mãos de Jesus.

O vosso pároco e amigo,

P. Rui Rosas da Silva


Conversão de S. Paulo, Michelangelo Merisi Caravaggio (1573-1610), c.1601, óleo sobre tela, 230 x 175 cm, San Maria del Popolo, Roma

Sem comentários:

Enviar um comentário