1 de dezembro de 2006

Mais uma vez, o tempo que avança e faz pensar na vida, nos aproxima a passos largos do acontecimento mais original e bonito da história humana: o Natal.

Para o prepararmos melhor, a Igreja sugere-nos o tempo do Advento, que é de expectativa e de aproximação do grande facto ocorrido há mais de 2000 anos, na pequena cidade do Rei David, Belém, onde se dá o nascimento de Jesus num presépio anónimo e impróprio para um ser humano vir ao mundo.

O que nos ensina o Natal?

Em primeiro lugar, o grande amor que Deus tem por nós e o Seu sentido de responsabilidade. Ele criou-nos para o Céu. O homem, ao pecar, tornou-se inapto para a recepção de tal dom. Jesus, ao vir à Terra, inicia o processo de reconquista dessa possibilidade para todos e cada um de nós. Deus não perdeu a esperança, ao ver o homem embrenhar-se pelo caminho do pecado, de o retirar de situação tão triste. Foi para isso que pediu ao Filho que encarnasse e nos redimisse.

Em segundo lugar, Deus manifesta uma grande confiança no homem para realizar obras boas e meritórias. Jesus, no presépio de Belém, é uma criança recém-nascida. E, como tal, totalmente inerme, pendente para sobreviver da dedicação e dos cuidados dos seus pais. Exactamente igual a todos os seres humanos que nascem. E como eles também, aprende a ser homem com a educação exemplar que recebe de Maria e de José, na simplicidade de um lar humilde e discreto. E assim Se torna Jesus no Cristo que prega, e enche a terra com a semente do verdadeiro Amor e da compreensão. Não é surpreendente que o Criador de todo o universo aposte tanto nas capacidades com que dotou o ser humano para realizar o bem, e não tenha pejo de aprender a ser homem com o próprio homem? Que profunda lição de humildade e de confiança nos dá o Senhor!

Por fim, ao nascer como nasceu, na mais completa pobreza – um presépio, recorde-se, é um curral de gado –, Jesus manifesta-nos que as realidades deste mundo só são boas se nos ensinam o caminho até ao Céu. Agarrar-nos a elas de forma inadequada, faz-nos esquecer que tais realidades acabam com a nossa vida terrena e que não as podemos levar para a eternidade. Se o lugar do seu nascimento em Belém é um convite ao desprendimento, o Filho do Homem, que não tem onde reclinar a cabeça, acrescenta com a Sua morte na Cruz a lição que inicia no presépio: aqui, não temos morada para sempre, esta vida é transitória, o nosso lugar definitivo é, por desígnio divino, a eternidade, onde Cristo nos espera nas muitas moradas que nos preparou.

Meditemos, no calor das nossas casas, as lições do Natal. E também aproveitemos a vida familiar do Menino Jesus, junto de Maria e de José, para encher o lar de confiança no Deus que tantas provas nos deu do Seu Amor, ao querer ser um de nós para nos salvar: “Natal (...) depois de contemplar como Maria e José cuidam do Menino, atrevo-me a sugerir-te: - Olha-O de novo, olha-O sem descanso”. (S. Josemaria Escrivá: Forja, n. 549).

Com votos de Bom Natal e Boas Festas, despede-se o vosso pároco e amigo,

P. Rui Rosas da Silva

Sem comentários:

Enviar um comentário