18 de dezembro de 2006

Advento

O Advento é um tempo de esperança e a esperança é uma virtude que Deus infunde na nossa alma, se assim o quisermos.
Esperamos o nascimento do nosso Salvador, esperamos a nossa Salvação que começa quando Ele nascer, esperamos a nossa felicidade que é Jesus.
É um tempo de alegria. De uma alegria por algo que ainda não possuímos mas que vamos possuir. Está-nos prometida e a gravidez da Virgem Maria é o sinal mais delicioso de que essa promessa não é um sonho. Por isso o Advento é um tempo mariano.
Desde o início do Advento, desde o primeiro Domingo, é muito bom montar o Presépio. Nessas imagens tão ingénuas, mais do que nas prendas ou no bolo-rei, ou na consoada, ou nos enfeites de brilhantes e bolas luzidias, está a esperança e a alegria do Natal.
Há quem não ponha a imagem do Menino Jesus até à própria noite de Natal, há quem faça deslocar-se os Reis Magos ao longo de um percurso do Presépio numa aproximação lenta, há quem coloque a prendas debaixo, há quem monte cidades, acenda luzes, mova azenhas, espalhe ovelhas, distribua musgo… Tudo isso é bom. Mas o essencial é mesmo o Presépio. Feliz Natal!

13 de dezembro de 2006

São João Apóstolo e Evangelista

Deste Apóstolo possuímos mais informação do que sobre qualquer um dos outros: em primeiro lugar porque Jesus o escolheu para ser um dos três que mais de perto O seguiram, em segundo lugar porque escreveu um Evangelho que tem o seu nome, e em terceiro lugar, porque foi o que mais tempo permaneceu sobre a terra (até perto do ano 100).
Era muito aguerrido. Segundo a tradição teria sido o mais novo dos Doze, mas não é só a juventude de João o que o torna tão fogoso: é o carácter. João é um homem de tudo ou nada. Cristo cativou-o de uma forma tão absoluta que sentiu e escreveu que se sentia aquele dos discípulos por quem Jesus tinha mais afecto (cf. Jo 13,23; 19,26; 21,7.20).
João seguiu Jesus e meteu-se na vida de Jesus onde os outros não souberam ou não quiseram introduzir-se, e por isso nos narra tantos episódios desconhecidos dos Sinópticos (cf. Jo 2,1ss; 3,1ss; 4,1ss; etc.). Mas a sua presença e o seu testemunho é particularmente importante em três momentos da vida do Mestre.
O primeiro é a última ceia: João inclina a sua cabeça sobre o peito do Senhor e conhece o batimento do seu Coração. João vive aquela ceia de um modo especialmente intenso depois de sentir como Jesus estava e como os amava.
O segundo é a Cruz: João é o único dos Apóstolos que está junto de Jesus no momento da agonia final e recebe d’Ele o maior presente que o Senhor podia ter feito a alguém, a sua Mãe.
O terceiro é a pesca milagrosa: quando alguns dos Apóstolos se unem a Pedro para pescar no Mar da Galileia, enquanto esperam sinais do seu Senhor já ressuscitado, João é o único que O reconhece da barca. Descobre que é Jesus aquele homem que lhes falava da margem.
O Apóstolo João é único pelo amor jovem que não sabe de cálculos. E nós, que queremos também apaixonar-nos por Cristo, podemos tomá-lo como especial intercessor.

1 de dezembro de 2006

Mais uma vez, o tempo que avança e faz pensar na vida, nos aproxima a passos largos do acontecimento mais original e bonito da história humana: o Natal.

Para o prepararmos melhor, a Igreja sugere-nos o tempo do Advento, que é de expectativa e de aproximação do grande facto ocorrido há mais de 2000 anos, na pequena cidade do Rei David, Belém, onde se dá o nascimento de Jesus num presépio anónimo e impróprio para um ser humano vir ao mundo.

O que nos ensina o Natal?

Em primeiro lugar, o grande amor que Deus tem por nós e o Seu sentido de responsabilidade. Ele criou-nos para o Céu. O homem, ao pecar, tornou-se inapto para a recepção de tal dom. Jesus, ao vir à Terra, inicia o processo de reconquista dessa possibilidade para todos e cada um de nós. Deus não perdeu a esperança, ao ver o homem embrenhar-se pelo caminho do pecado, de o retirar de situação tão triste. Foi para isso que pediu ao Filho que encarnasse e nos redimisse.

Em segundo lugar, Deus manifesta uma grande confiança no homem para realizar obras boas e meritórias. Jesus, no presépio de Belém, é uma criança recém-nascida. E, como tal, totalmente inerme, pendente para sobreviver da dedicação e dos cuidados dos seus pais. Exactamente igual a todos os seres humanos que nascem. E como eles também, aprende a ser homem com a educação exemplar que recebe de Maria e de José, na simplicidade de um lar humilde e discreto. E assim Se torna Jesus no Cristo que prega, e enche a terra com a semente do verdadeiro Amor e da compreensão. Não é surpreendente que o Criador de todo o universo aposte tanto nas capacidades com que dotou o ser humano para realizar o bem, e não tenha pejo de aprender a ser homem com o próprio homem? Que profunda lição de humildade e de confiança nos dá o Senhor!

Por fim, ao nascer como nasceu, na mais completa pobreza – um presépio, recorde-se, é um curral de gado –, Jesus manifesta-nos que as realidades deste mundo só são boas se nos ensinam o caminho até ao Céu. Agarrar-nos a elas de forma inadequada, faz-nos esquecer que tais realidades acabam com a nossa vida terrena e que não as podemos levar para a eternidade. Se o lugar do seu nascimento em Belém é um convite ao desprendimento, o Filho do Homem, que não tem onde reclinar a cabeça, acrescenta com a Sua morte na Cruz a lição que inicia no presépio: aqui, não temos morada para sempre, esta vida é transitória, o nosso lugar definitivo é, por desígnio divino, a eternidade, onde Cristo nos espera nas muitas moradas que nos preparou.

Meditemos, no calor das nossas casas, as lições do Natal. E também aproveitemos a vida familiar do Menino Jesus, junto de Maria e de José, para encher o lar de confiança no Deus que tantas provas nos deu do Seu Amor, ao querer ser um de nós para nos salvar: “Natal (...) depois de contemplar como Maria e José cuidam do Menino, atrevo-me a sugerir-te: - Olha-O de novo, olha-O sem descanso”. (S. Josemaria Escrivá: Forja, n. 549).

Com votos de Bom Natal e Boas Festas, despede-se o vosso pároco e amigo,

P. Rui Rosas da Silva