1 de novembro de 2006

O mês de Novembro é, tradicionalmente, o tempo que a Igreja, nossa Mãe, dedica, de um modo especial, ao sufrágio pelas almas de todos os fiéis defuntos. No primeiro dia, porém, exulta com os seus filhos que já conquistaram a plenitude do Reino dos Céus e vivem, para sempre, na participação plena da felicidade da Santíssima Trindade, ou seja, que já chegaram ao Céu.

Em família, cada um de nós pode promover o que a Igreja nos propõe, lembrando todos os parentes, familiares e amigos que devem ser sufragados. Na nossa oração por essas intenções, quantas recordações amáveis da sua convivência aqui na terra a memória não nos suscitará. Mas tal invocação leva-nos também a pensar que a sua ausência no outro mundo é uma realidade a que nós, mais tarde ou mais cedo, não nos podemos furtar, pois, não fomos criados para permanecermos sempre na terra. Quantos ensinamentos práticos e de orientação para a nossa vida contém esta verdade!

A partir deste mês, também somos convidados a reflectir e a rezar generosamente por uma temática fracturante, que tem também profunda relação com a vida eterna, já que, no nosso país, vamos ser chamados a participar, com o nosso voto, num segundo referendo sobre o aborto.

O Senhor Patriarca disse corajosamente que a doutrina da Igreja, nesta matéria, não mudou nem vai mudar. E acrescentou com todo o acerto que não é um problema de moral religiosa católica a questão do aborto. Ela insere-se no direito natural à vida que tem o ser humano, pelo que abrange todo o homem, independentemente do seu credo religioso. Tal direito deve ser defendido em qualquer dos estados evolutivos da existência humana, requerendo uma maior atenção e um maior cuidado a protecção daqueles que se encontram em situações de precária defesa ou subsistência.

Um embrião da nossa espécie, por mais próximo que esteja da sua concepção, é um ser humano, com todas as possibilidades de desenvolvimento que o tornarão, com a evolução própria que a natureza determina, um recém-nascido, uma criança encantadora, um adolescente com a sua problemática complexa, uma pessoa adulta responsável e produtiva.

Determinar, legalmente, que a mãe pode decidir sobre a vida ou a morte de um filho que cresce nas suas entranhas, é o mesmo que lhe conceder o direito a decretar a pena de morte a um ser humano indefeso. O aborto provocado e voluntário “é sempre uma violência injusta contra um ser humano, que nenhuma razão justifica eticamente”, diz uma esclarecedora nota da Conferência Episcopal Portuguesa. E não é a determinação legal que o liberaliza ou despenaliza, como parecem defender os mentores do SIM do Referendo, que torna o acto abortivo voluntário bom, sob o ponto de vista moral. Continua a ser absolutamente reprovável, observa-se no mesmo documento dos nossos bispos, pois lesa um direito fundamental, que a moral natural evidencia: o direito à vida de todo e qualquer ser humano.

Por estas e por outras razões, a nota episcopal acrescenta que “não podemos, pois, deixar de dizer ais fiéis católicos que devem votar “não” e ajudar a esclarecer outras pessoas sobre a dignidade a vida humana, desde o seu primeiro momento”.

O vosso pároco e amigo,

P. Rui Rosas da Silva

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