1 de outubro de 2006

Normalizado no mês passado o decurso habitual da vida das pessoas, sobretudo quando o começo das aulas trouxe novamente às nossas ruas a cor da juventude, entramos neste mês de Outubro com vontade de fazer mais e melhor.

E estamos muito bem acompanhados, porquanto é um tempo dedicado ao Rosário, com o qual seguimos de perto, ao lado de Nossa Senhora, a vida do seu Filho, desde a infância até à sua gloriosa Ascensão ao céu. Daí chamou, algum tempo depois, tal como a conhecera na terra, em corpo e alma, Maria Santíssima, para olhar a todos os seus discípulos com a benevolência e o amor maternais, deles falar bem e a eles atender nas suas necessidades diárias e ocasionais.

Nestes dias de Outubro, mês do Rosário, certamente que na paróquia se procurará rezar com mais fervor o terço diário, como sempre se tem feito. Mas é uma altura para que as famílias se unam em torno de Maria, solicitando-a através dos diversos mistérios que nessa oração se contemplam. Escrevemos “se contemplam”, na convicção certa de que o terço não é apenas uma oração vocal entre outras, mas uma verdadeira forma de prestar culto a Deus, através de Nossa Senhora, com a nossa mente e todo o nosso ser, numa verdadeira oração contemplativa, como tão bem recordava João Paulo II.

Nas intenções deste mês, que as famílias, em casa, podem nomear, não poderá faltar a pessoa e intenções do actual Santo Padre, Bento XVI, tão mal entendido e tratado recentemente, por algumas palavras que citou e que, retiradas do seu contexto, foram objecto de especulação indevida e facciosa, como, felizmente, o reconheceram tantos e insuspeitos articulistas dos mass media. “Acolhe a palavra do Papa com uma adesão religiosa, humilde, interna e eficaz: serve-lhe de eco” (S. Josemaria, Forja, n. 133).

Um bom católico não pode deixar de amparar em todas as circunstâncias o sucessor de Pedro, sabendo que sobre ele pesa a ingente, mas essencial tarefa de orientar todo o rebanho que Cristo confiou a Simão Pedro, o pescador do lago de Tiberíades, determinando que apascentasse, em Seu Nome, todas as ovelhas que Ele lhe entregava (Jo 21, 16.18). E na sequência dessas petições, não deverá faltar o nosso pastor comum, o Senhor Cardeal Patriarca, que, juntamente com os seus bispos auxiliares, determina os caminhos que a Igreja de Lisboa deve seguir para servir melhor a Cristo, Sua razão de ser. Não esquecendo como intenção muito importante, que é necessário solicitar a Maria Santíssima, enquanto se desfiam as Ave Marias, que suscite na nossa diocese uma vaga abundante de vocações sacerdotais que renove os quadros existentes com sangue jovem e generoso, à semelhança do que o Senhor verteu na Cruz por todos e cada um de nós e foi causa fundamental da nossa Redenção.

Lembremos ainda todas as famílias do mundo e, dum modo especial e por óbvia obrigação, as da nossa paróquia, a fim de que haja caridade, unidade, compreensão, e um clima de oração acolhedor e natural nos seus lares. É a melhor catequese que uma pessoa pode receber ao longo da sua vida.

E já que o Senhor ama igualmente todos os homens, não esquecer aqueles a quem o sofrimento bate à porta, ou por razões económicas, ou por razões sociais, ou ainda porque nesta vida, onde não temos morada permanente, andar com a dor debaixo do braço é uma constante e, com frequência, uma forma de purificação. Se é preciso saber aceitá-la, como Jesus na Sua Paixão, temos obrigação de minorá-la aos que a suportam, tanto quanto está na nossa mão. E se não pode ser doutra maneira, pelo menos através da oração, que é um meio muito eficaz de atrair a graça de Deus para os seus filhos em dificuldades.

O vosso pároco e amigo,

P. Rui Rosas da Silva

A Virgem e o Menino com Seis Anjos (A Virgem da Romã), BOTICELLI, cerca de 1485

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