1 de setembro de 2006

Setembro cada vez se conta mais, no nosso país, como o tempo do recomeço da vida habitual de todos os cidadãos. Também na vida eclesial se pode dizer que ele se tornou o mês onde se reiniciam as actividades pastorais. Assim na nossa paróquia. Pela primeira vez, graças a Deus, com a Igreja renovada, o que é um motivo de profundo agradecimento ao Pai de toda a misericórdia, que assim nos permite viver uma existência mais normalizada em relação ao culto litúrgico.

Certamente que as actuais instalações são escassas e carentes para a vida de uma paróquia com a dimensão de Telheiras, pelo que, passada esta primeira etapa de obras, é necessário, com a prudência e a celeridade necessárias, começar a pensar na nova igreja. Vai exigir de todos nós, quando nos abalançarmos a tal cometimento, um fôlego e uma capacidade muito mais exigentes e pertinazes.

Vamos recomeçar o ano pastoral considerando a graça de Deus como motor principal das nossas actividades e das nossas intenções. Na sua ausência, tudo o que se fizesse seria inútil, porque sem o seu concurso faríamos obra humana e não divina. As comunidades paroquiais existem para esta última finalidade e não outra.

Por isso, o optimismo deve ser o nosso fundamento. É a força do Deus omnipotente que quer que nós ajamos, sob o Seu signo. Deus não perde batalhas. Ele é o Senhor de todas as coisas, incluindo da história humana, ainda que possa parecer que, por vezes, em face da actuação menos nobre de nós mesmos e dos nossos semelhantes, Ele prime pela ausência ou pela ineficácia. Criou-nos livres para que usemos bem a nossa liberdade, embora nós possamos voltar-Lhe as costas e usá-la de modo inadequado. No entanto, a mão de Deus não se esgota com as nossas fraquezas ou com as nossas más acções, porquanto Ele sabe retirar dos grandes males de que somos capazes de praticar bens muito superiores.

É o que nos ensina a Paixão e Morte de Jesus. Contemplando-a sem visão sobrenatural, a estadia de Cristo no Calvário afigura-se-nos um fracasso rotundo. É posto entre dois malfeitores como um condenado execrável, que não merece viver. Pregou o Amor incondicional entre os homens e nada mais conseguiu do que uma morte indecorosa no cadafalso mais reprovável do tempo e da sociedade em que viveu. Tal condenação por parte das autoridades religiosas judaicas e pela autoridade romana de Pôncio Pilatos, são a prova aparente do Seu falhanço.

A Cruz, porém, foi a chave da nossa Redenção. Ela reconquistou o que os nossos primeiros pais tinham perdido: a graça e a condição de filhos de Deus. E com ambas estas prerrogativas, a possibilidade de podermos voltar a pensar na felicidade do Céu.

Começa um novo ano pastoral. Tantas coisas boas que temos de agradecer ao Senhor na nossa paróquia. Confiemos na Sua ajuda e na Sua graça, já que “a tarefa que Seu Pai Lhe encomendou, está a realizar-se” (S. Josemaria, Cristo que Passa, n. 113). Recorramos ao auxílio maternal de Maria Santíssima, que, da Porta do Céu, nos vê e nos acarinha em todas as situações que nos esperam. Há só razões para estarmos confiantes e optimistas. Mesmo as nossas faltas, fraquezas e infidelidades – e as de quem nos cerca -, se tanto nos chocam e desanimam, encontram em Cristo o Coração manso e humilde, que perdoa até setenta vezes sete. Não Se assusta com elas, como o pai do filho pródigo em relação ao comportamento do filho rebelde, quando o vê arrependido e disposto a recomeçar o dia a dia junto da família onde nascera, se educara e rejeitara. A sua condição de pai esqueceu todas as afrontas e todos os ultrajes, porque onde impera o amor verdadeiro, o resto torna-se acessório. E é exactamente assim que Deus nos trata e nos ama.

O vosso pároco e amigo,
P. Rui Rosas da Silva

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