1 de agosto de 2006

Caríssimos Paroquianos e Amigos de Telheiras:

Todo o mês de Agosto, na vida da Igreja, aponta para uma solenidade que a todos nos enche de especial satisfação: A Assunção de Nossa Senhora, que tem como data o dia 15. A ida para o Céu de Nossa Senhora em corpo e alma, de acordo com o ensinamento do Magistério, manifesta, por um lado, o grande amor que o Seu Filho Jesus lhe devotava, ao querê-la junto de Si tal como a conheceu na terra; mais, tal como foi escolhida, para gerar nas suas entranhas, por obra do Espírito Santo, o nosso Redentor. Mas significa também o grau altíssimo de santidade que ela alcançou, na sua vida terrena. Maria, Mãe de Deus, foi isenta de todo o pecado na sua concepção. Mas o grau de santidade aumentou constantemente no dia a dia da sua vida, desde o seu nascimento, nos anos da infância e da sua adolescência, ao casar com José, ao conceber Jesus, ao educá-Lo duma forma ímpar na companhia do seu esposo e, por fim, ao aceitar a nossa maternidade, na Cruz, para nos ajudar a ser mais semelhantes ao próprio Filho, modelo de todas as virtudes, que possuiu e viveu em plenitude.

A santificação da Virgem Santíssima obedeceu, fundamentalmente, àquilo que o Senhor reserva para cada um de nós: no nosso dia a dia, cumprindo as obrigações que cada um tem nos seus deveres de estado, profissionais e no mundo de relação.

Maria foi uma excelente Mãe, uma esposa dedicadíssima, uma dona de casa modesta e exemplar e tratou sempre o seu semelhante com a caridade e o carinho que Deus espera de um bom cristão. Lembremos, por exemplo, a ida até junto da sua parente, Isabel, a fim de a ajudar a encarar uma situação embaraçosa, ao conceber no seu seio o Percursor de Jesus, numa idade em que a mulher já não espera tal graça de Deus. Não poupou nenhum esforço para acudir a quem de si necessitava. Este foi sempre o procedimento de Nossa Senhora. Por isso, quando o Filho, pouco antes de falecer, lhe pede que seja mãe de todos os seus discípulos, ela não recusa e imediatamente começa a exercitar as suas funções maternais. Dum modo discreto e nada chamativo, quanto não deverá a fidelidade dos apóstolos à presença física da Mãe de Jesus nos dias complexos da sua Paixão e Morte, mantendo-os junto de si e evitando a debandada geral, que os acontecimentos tão dramáticos da 5ª e da 6ª Feira Santa produziram nas suas almas. Encontra-­se também com eles no dia do Pentecostes, quando o Espírito Santo surge de forma impetuosa e os leva a vencer o medo de anunciarem Jesus.

Maria é o paradigma do espírito de serviço. Faz sempre o que Deus lhe pede sem reservas. E duma maneira inteligente, quando solicita um esclarecimento para poder realizar melhor o que o Senhor quer. É este o verdadeiro significado da pergunta feita ao anjo que lhe anuncia a vontade que Deus tem de ela vir a ser a Mãe do Messias: "Como será isso, se eu não conheço homem?" (Luc 1, 35). Não sabe os passos exactos que deve dar por si mesma para concretizar o desígnio divino. E porque o quer cumprir da melhor forma, pergunta para se subordinar por inteiro ao que o Senhor lhe sugerir.

Temos a nossa Mãe no Céu, que pede incessantemente por todos e cada um dos seus filhos com verdadeiro amor maternal. Por isso, tantas vezes poderíamos testemunhar que, perante as dificuldades, quando recorremos ao seu auxílio e à sua intercessão, o que parecia um impossível torna-se uma tarefa mais fácil de realizar. Como escreve S. Josemaria: "Antes, só, não podias... - Agora, recorreste à Senhora, e, com Ela, que fácil!" Caminho, n. 513.

O vosso pároco e amigo,
P. Rui Rosas da Silva

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