18 de agosto de 2006

Espírito de Serviço

As férias são uma das melhores ocasiões para se saborear a felicidade de pertencer a uma família. O tempo passado a passear, a jogar, a conviver com outras pessoas, faz-nos pressentir como será o Céu, onde poderemos gozar eternamente da própria Família de Deus sem nada que se oponha.

No entanto, esse clima não tem porque aparecer sozinho. Pode requerer algum esforço. E esse esforço traduz-se no espírito de serviço. O espírito de serviço é especialmente luminoso na mãe: ela não pensa em si mesma e apressa-se em tudo o que lhe parece que pode vir a tornar a vida mais agradável aos outros. As suas filhas aprendem dela rapidamente e sentem uma espécie de contágio do mesmo espírito, de modo que ajudam com prontidão e entusiasmo.

Mas é importante que este espírito seja vivido por todos. Existe uma arte muito cristã, e até poderíamos dizer que muito de Maria, em conseguir que outros sejam capazes de servir: uma sugestão - «serias capaz de lavar o carro?», «poderias ir despejar o caixote do lixo à rua?», «aposto que consegues pendurar este quadro na parede» - com alguma compensação, um «muito obrigado» sincero ou um comentário sobre o bem que ficou.

Quanto mais servimos mais saboreamos as férias. Por isso deve ser preocupação que todos sejam capazes de o fazer, que ninguém se feche no seu egoísmo onde se acabará por aborrecer. O espírito de serviço destrói o tédio.

13 de agosto de 2006

São Bartolomeu, Apóstolo

Sabemos pouca coisa deste Apóstolo. Parece que tinha dois nomes - Bartolomeu (filho de Ptolomeu) e Natanael, nome hebraico que pode significar «dádiva de Deus» - o que era comum na Palestina e mesmo entre os Judeus que viviam dispersos pelo Império. Paulo, por exemplo, que era de Tarso na Cilícia, também se chamava Saúl, porque os Judeus eram como que cidadãos de duas cidades: a civil que falava o grego, ou o latim ou o aramaico, e a religiosa que tinha herdado a Revelação em hebraico.
Bartolomeu aparece nas listas dos Doze que Jesus escolheu, logo a seguir a Filipe (cf. Mt 10,3; Mc 3,18; Lc 6,14). E o Evangelho de São João confirma esta amizade entre os dois (cf. Jo 1,45-50). Embora Natanael fosse de Caná e Filipe de Betsaida, talvez pelos afazeres profissionais deste último, chegaram a ser bons amigos pelo que se depreende do diálogo entre eles. Filipe fala-lhe de «Jesus de Nazaré, Filho de José» como «Aquele de quem escreveu Moisés na Lei e os Profetas anunciaram» (Jo 1,45), e o outro reagiu cheio de sinceridade embora de modo um tanto brusco: «De Nazaré pode vir alguma coisa boa?» (Jo 1,46). Filipe devia conhecê-lo bem. Em vez de responder à letra e conduzir a conversa para a discussão, disse-lhe «Vem ver» (ib.). E Natanael foi.
Ao chegar onde estava Jesus, o Senhor fez dele este elogio: «Eis um verdadeiro Israelita, em quem não há fingimento» (Jo 1,47). E Natanael reagiu de novo ao seu modo: «De onde me conheces?» (Jo 1,48). Jesus mostra­lhe que o conhece de há muito e Natanael rende-se (cf. Jo 1,48-49).
Para nós pode ficar-nos o exemplo da simplicidade, da transparência deste homem. E de como essas virtudes agradam a Deus. Peçamos a São Bartolomeu que nos ajude a ser sempre sinceros, sobretudo connosco próprios, com Deus e com os outros.

1 de agosto de 2006

Caríssimos Paroquianos e Amigos de Telheiras:

Todo o mês de Agosto, na vida da Igreja, aponta para uma solenidade que a todos nos enche de especial satisfação: A Assunção de Nossa Senhora, que tem como data o dia 15. A ida para o Céu de Nossa Senhora em corpo e alma, de acordo com o ensinamento do Magistério, manifesta, por um lado, o grande amor que o Seu Filho Jesus lhe devotava, ao querê-la junto de Si tal como a conheceu na terra; mais, tal como foi escolhida, para gerar nas suas entranhas, por obra do Espírito Santo, o nosso Redentor. Mas significa também o grau altíssimo de santidade que ela alcançou, na sua vida terrena. Maria, Mãe de Deus, foi isenta de todo o pecado na sua concepção. Mas o grau de santidade aumentou constantemente no dia a dia da sua vida, desde o seu nascimento, nos anos da infância e da sua adolescência, ao casar com José, ao conceber Jesus, ao educá-Lo duma forma ímpar na companhia do seu esposo e, por fim, ao aceitar a nossa maternidade, na Cruz, para nos ajudar a ser mais semelhantes ao próprio Filho, modelo de todas as virtudes, que possuiu e viveu em plenitude.

A santificação da Virgem Santíssima obedeceu, fundamentalmente, àquilo que o Senhor reserva para cada um de nós: no nosso dia a dia, cumprindo as obrigações que cada um tem nos seus deveres de estado, profissionais e no mundo de relação.

Maria foi uma excelente Mãe, uma esposa dedicadíssima, uma dona de casa modesta e exemplar e tratou sempre o seu semelhante com a caridade e o carinho que Deus espera de um bom cristão. Lembremos, por exemplo, a ida até junto da sua parente, Isabel, a fim de a ajudar a encarar uma situação embaraçosa, ao conceber no seu seio o Percursor de Jesus, numa idade em que a mulher já não espera tal graça de Deus. Não poupou nenhum esforço para acudir a quem de si necessitava. Este foi sempre o procedimento de Nossa Senhora. Por isso, quando o Filho, pouco antes de falecer, lhe pede que seja mãe de todos os seus discípulos, ela não recusa e imediatamente começa a exercitar as suas funções maternais. Dum modo discreto e nada chamativo, quanto não deverá a fidelidade dos apóstolos à presença física da Mãe de Jesus nos dias complexos da sua Paixão e Morte, mantendo-os junto de si e evitando a debandada geral, que os acontecimentos tão dramáticos da 5ª e da 6ª Feira Santa produziram nas suas almas. Encontra-­se também com eles no dia do Pentecostes, quando o Espírito Santo surge de forma impetuosa e os leva a vencer o medo de anunciarem Jesus.

Maria é o paradigma do espírito de serviço. Faz sempre o que Deus lhe pede sem reservas. E duma maneira inteligente, quando solicita um esclarecimento para poder realizar melhor o que o Senhor quer. É este o verdadeiro significado da pergunta feita ao anjo que lhe anuncia a vontade que Deus tem de ela vir a ser a Mãe do Messias: "Como será isso, se eu não conheço homem?" (Luc 1, 35). Não sabe os passos exactos que deve dar por si mesma para concretizar o desígnio divino. E porque o quer cumprir da melhor forma, pergunta para se subordinar por inteiro ao que o Senhor lhe sugerir.

Temos a nossa Mãe no Céu, que pede incessantemente por todos e cada um dos seus filhos com verdadeiro amor maternal. Por isso, tantas vezes poderíamos testemunhar que, perante as dificuldades, quando recorremos ao seu auxílio e à sua intercessão, o que parecia um impossível torna-se uma tarefa mais fácil de realizar. Como escreve S. Josemaria: "Antes, só, não podias... - Agora, recorreste à Senhora, e, com Ela, que fácil!" Caminho, n. 513.

O vosso pároco e amigo,
P. Rui Rosas da Silva