18 de julho de 2006

Promover a Leitura

Aproximam-se as férias grandes. As férias são uma ocasião para descansar e para melhorar a nossa formação e a nossa cultura. Por isso são também uma ocasião para a leitura.

A leitura é uma tarefa mais árdua do que a visão de um filme ou de um programa de televisão, ou que um jogo se cartas ou de computador. É necessário obrigar os olhos a seguir linhas de letras, como estas que eles agora estão a seguir. Os olhos preferem imagens coloridas e que se movam. As letras são negras e quem se move são os olhos na leitura.

No entanto, a leitura tem grandes vantagens. Ao ler, o leitor está sempre em condições de parar e pensar. Ele é mais livre. Ao ler, o leitor não está limitado à imagem, mas tem acesso directamente à palavra, ao significado, à mensagem. Ele é mais verdadeiro. Ao ler, o leitor não usa outros sentidos, como o ouvido. Ele está concentrado e por isso elevado.

Vale a pena promover a leitura. Primeiro a nossa pessoal e depois a dos nossos familiares e amigos. Pode-se promover comprando livros, pedindo livros emprestados numa Biblioteca ou a amigos, perguntando sobre o livro que outro está a ler, comentando aquele que nós estamos a ler. Ler uma passagem escolhida de um livro é uma forma muito eficaz de abrir o apetite.

Entre os livros que podemos ler contam-se aqueles que os Santos escreveram, aqueles cujo conteúdo edifica a alma, aqueles que sabemos tratarem-se de livros que já fizeram bem a outras pessoas. É muito bom aconselhar-se antes de ler.

13 de julho de 2006

Santa Marta

Os poucos dados que os Evangelhos nos fornecem desta mulher permitem conhecer alguns pormenores do seu modo de ser.
São Lucas (cf. Lc 10,38-42) refere que Marta é uma dona de casa. Uma dona de casa piedosa e que crê em Jesus até ao ponto de O acolher em sua casa. Uma dona de casa zelosa que se preocupa por que tudo esteja agradável e acolhedor para quando o Senhor vier. A sua ânsia de servir, no entanto, tropeça com alguma intolerância ou rigidez, ou talvez o desejo excessivo pela perfeição. Marta tem uma irmã chamada Maria e esta está sentada aos pés de Jesus a escutá-l'O. Marta impacienta-se e quer que Jesus diga à sua irmã que a venha ajudar. Jesus tem que a corrigir.
São João (cf. Jo 11,1-44) por seu lado, narra que Marta tinha ainda outro irmão chamado Lázaro e que este adoece e morre. Marta apressou-se em avisar Jesus da doença e pedir-Lhe que viesse. Quando Jesus chegou já Lázaro estava sepultado há quatro dias. Marta vai ao seu encontro e lamenta-Se que o Senhor tenha chagado tarde demais. Mas Jesus diz que tenha fé, que o seu irmão há-de ressuscitar. Quando Jesus está diante da sepultura manda retirar a pedra que tapa a entrada e Marta aflige-se: «Senhor, já cheira mal! Já tem quatro dias!» (Jo 11,39). Jesus acalma-a e ressuscita o irmão.
Em ambos os casos admiramos em Santa Marta a sua energia e o seu espírito incansável de serviço. É uma mulher cheia de generosidade. Mas também nos apercebemos que chegou a ser santa na luta por se acalmar e não perder a cabeça quando os acontecimentos pareciam que a ultrapassavam. Talvez ela possa ser uma boa intercessora quando nos sentimos em situações parecidas.

1 de julho de 2006

Caríssimos Paroquianos e Amigos de Telheiras:

Reaberta a Igreja de Nossa Senhora da Porta do Céu ao culto, após cerca de um ano e meio de encerramento, coincidiu a sua abertura com um período final do ano pastoral e de trabalho.

Existe agora a tentação de se adiar para o próximo ano laboral as decisões que custam, tanto mais que o mês de Julho, para muitos de nós, já é realmente tempo de férias.

Convém, pois, que façamos um, exame de consciência incisivo sobre o valor do trabalho e do descanso na nossa vida

O homem, diz o Génesis (2, 15), foi posto no jardim do paraíso para o cultivar. O trabalho é, pois, um bem, uma função a que o ser humano, por vontade divina, está chamado a efectuar. Não se trata de "uma pena, ou de uma maldição ou castigo; os que assim falam não leram bem as Escrituras" (S. Josemaria Escrivá, Cristo que passa, n.47), mas de uma forma fundamental através da qual a pessoa realiza os desígnios divinos de contribui para o bem comum, empregando uma boa parte das suas energias e da sua criatividade para tornar mais humana e mais agradável a vida social e a sua própria existência. A relação do trabalho com a vontade de Deus parece óbvia. Trata-se de uma realidade santificadora e santificável. Santificadora, por tornar santo quem o faz com rectidão de intenção e com competência; santificável, por se tratar de uma tarefa nobre querida por Deus para a própria santificação do homem.

Contudo, nos nossos tempos de uma maneira especial e com alguma insistência, o trabalho humano situa-se numa perspectiva abusiva do seu sentido. Transformou-se numa espécie de ídolo ao qual se presta um culto indevido. A profissão subordina a nossa existência, subalternizando todos os outros valores e obrigações.

Por isso, não é raro que vendamos a alma ao trabalho, ou melhor, à profissão, sacrificando valores e obrigações igualmente primordiais, como os do culto devido a Deus, a atenção à família, a deferência que temos de prestar às pessoas das nossas relações, por dever de justiça e de caridade,.

Quando isto acontece, o homem perde dignidade e torna-se numa formiga laboriosa ou numa máquina de prestar serviços à entidade que lhe paga. Mal tem tempo para a família, Deus é acantonado para os momentos de ócio e à gente amiga reserva alguns possíveis instantes de pausa, sempre que possível.

Nesta perspectiva, quando a sua produtividade começa a decair, a própria empregadora se encarrega de o convidar a desistir da brega, ofertando-lhe uma reforma antecipada, na melhor das hipóteses. Já não serve para os seus fins. É mercadoria gasta e deteriorada, que convém mandar para a prateleira das coisas que não são rentáveis.

Mês de Julho. Vamos entrar em férias, tempo de descanso, que Deus quer para o homem. Não será bom pensarmos em todas estas realidades? Em que medida não estaremos já a vender a nossa alma ao trabalho? Damos a Deus o culto devido? Como me ocupo das minhas obrigações familiares? Tenho tempo para me dedicar aos meus amigos e de corresponder a todas manifestações que os laços de amizade exigem?

Que bom exame de consciência nos pode proporcionar o tempo de férias. Descansemos com Deus: tiraremos decerto muitas conclusões. E façamo-nos acompanhar sempre pela presença amável de Nossa Senhora, pois é nossa Mãe e ajudar-nos-á a encontrar as respostas mais adequadas para as nossas interrogações.

O vosso pároco e amigo,
P. Rui Rosas da Silva