13 de maio de 2006

São Filipe, Apóstolo

De Filipe quem nos dá mais informações é o Evangelista João. Era natural de Betsaida (cf. Jo 1,44), cidade situada no extremo Norte da Galileia, na fronteira com a Tetrarquia vizinha que era governada por um filho de Herodes o Grande também chamado Filipe. Este nome é grego e geralmente imortaliza o pai de Alexandre da Macedónia. Não admira, por isso, que uns gregos que queriam conhecer Jesus se tivessem dirigido em primeiro lugar a este Apóstolo (cf. Jo 12,20-21). Devia falar grego e talvez possuísse formação helenística. No entanto, os seus conhecimentos ultrapassavam a terra natal: Filipe era muito amigo de Natanael que procedia de Caná, no coração da Galileia (cf. Jo 1,45; 21,2). E o próprio Jesus parece já ter algum trato com ele antes de iniciar a sua vida pública pois logo que passa por ele, na Judeia, junto às margens do Jordão, quando mal terminara os quarenta dias no deserto, logo o chama para que O siga (cf. Jo 1,43). Esta multiplicidade de contactos – gregos, Natanael, de Caná, Jesus, de Nazaré – faz pensar num homem que se desloca com frequência.
Além disso, é a Filipe que Jesus pergunta: «Onde compraremos pão, para que estes possam comer?» (Jo 6,5). Encontram-se num sítio isolado e aproxima-se uma grande multidão. A resposta de Filipe é pronta – «Duzentos denários de pão não chegam para que cada um coma um bocadinho» (Jo 6,7) – e parece indicar um homem habituado a fazer contas. Filipe aparece-nos com o perfil de um comerciante, alguém de espírito muito terra a terra. Não admira que tenha dito a Jesus, na última ceia: «Senhor, mostra-nos o Pai que isso nos basta» (Jo 14,8). Poderia até ser um fornecedor de Jesus quando o Senhor trabalhava na sua oficina em Nazaré. Na Palestina escasseava a madeira; ela tinha que ser importada e a região ao Norte, o Líbano, era famosa pelos seus cedros.
Seja como for, Filipe é um Apóstolo que está longe de ser um místico. E, no entanto, a sua correspondência à graça e aos ensinamentos de Cristo, levaram-no a dar a vida pelo Mestre. A vida profissional, a vida de comércio, a vida empresarial, não nos afasta da santidade, desde que nós saibamos procurar o Senhor, nos Sacramentos, e também no nosso trabalho.

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