1 de maio de 2006


Caríssimos Paroquianos e Amigos de Telheiras:

Numa paróquia cuja padroeira é Nossa Senhora, duas coincidências me ocorrem relativamente à reabertura da nossa igreja paroquial ao culto, no próximo Domingo da Ascensão, 28 de Maio, com a presença do Senhor Cardeal Patriarca.

Em primeiro lugar, que se realize num dia do mês dedicado especialmente à devoção à Virgem Santíssima.

Depois, que a padroeira seja Nossa Senhora da Porta do Céu e o dia aprazado para esse evento coincida com a solenidade da Ascensão do Senhor ao Céu. Poderá argumentar-se que quando Jesus para aí subiu, ela ainda se encontrava aqui na terra. No entanto, se O não acompanhou nessa altura, foi por que o próprio Filho a quis manter como Mãe dos Apóstolos e de todos os primeiros cristãos, a fim de exercer com a sua autoridade e com o seu amor maternal todo o processo de educação na fé, na esperança e na caridade que o próprio Jesus experimentou ao tornar-Se homem.

Deste modo, Maria cumpria aqui em baixo uma missão única, encomendada por Cristo. E quando se faz a vontade de Deus, está-se onde se deve, porque se faz o que a divina providência nos determina.

Podemos imaginar que a Mãe de Deus e nossa Mãe deverá rejubilar na Porta do Céu com a reabertura da sua igreja ao culto, depois de tanto tempo em obras e após tantos anos – quase dois séculos – onde houve acontecimentos menos gratos, motivados por razões que ela, uma vez mais, como intercessora de todos os homens, teve de pedir ao Filho e à Trindade para perdoar. Nossa Senhora, como todas as mães, quer ver os seus filhos bem situados na vida. E que melhor lugar do que o Céu para poder manifestar, mesmo aos filhos ingratos, o Amor incomparável da sua maternidade e, sobretudo, o da Trindade Santíssima. Além disso, já se viu alguma mãe verdadeira dizer mal dos seus filhos? Onde os outros vêem defeitos, ela encontra virtudes.

S. Josemaría Escrivá contava, a este propósito, que, quando numa reunião de senhoras amigas, um miudinho, filho de uma delas, metia o dedo no nariz, havia comentários negativos sobre esse gesto: "Olha o porcalhão!"; "Não o educam"?, etc. Mas a mãe daquela criança não perdia a oportunidade para observar: "Se calhar, ainda vai ser investigador!"

Quantas vezes não terá procedido assim Maria connosco no céu. As nossas mãos vazias de méritos eram preenchidas com o seu amor, a fim de que Jesus voltasse a olhar com misericórdia para os que passaram a ser filhos de Nossa Senhora desde a Cruz.

A presença do nosso Pastor diocesano nesse dia, será para todos nós um outro grande motivo de regozijo, porque unirá mais a paróquia a quem, por vontade de Deus, tem o encargo de nos orientar superiormente. Saibamos ser gratos por esta presença, rezando com mais intensidade pela sua pessoa e intenções.

Por fim, a própria população de Telheiras terá a alegria de ver, finalmente, a velha igreja restaurada com simplicidade, o que é sempre razão de satisfação e de apreço.

O vosso pároco e amigo,
P. Rui Rosas da Silva

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