22 de maio de 2006

Viver o mês de Maria

O mês de Maio é tradicionalmente dedicado à Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe. Em todo o mundo os cristãos costumam honrar Nossa Senhora, vivendo esta filiação de muitos modos. Em família há alguns costumes que se podem implantar, com naturalidade, respeitando a legítima devoção de cada um e a sua forma pessoal de se relacionar com a Senhora.
Uma dessas devoções é o Terço. Maria, aparecida em Fátima, pediu-nos que o rezássemos diariamente, e que o rezássemos em família. Muitas vezes não será fácil pelo desencontro de horários (profissional, extra-escolar, doméstico, etc.). No entanto, desde que alguém tome a iniciativa, a uma hora mais ou menos fixa, por exemplo, a seguir ao jantar, de fazer o convite – «Vou rezar o Terço, queres rezar comigo?» – o costume pode arraigar. Pode-se rezar na cozinha, pode-se rezar na sala de estar, pode-se rezar num quarto, numa varanda, numa marquise, em viagem, onde quer que nos encontremos.
Outra das devoções é a das imagens de Nossa Senhora. Todos temos experiência de como o nosso coração é tão sensível às imagens. Uma imagem bem situada, numa parede, num nicho, num armário, feita de azulejo, ou de madeira, uma fotografia ou uma escultura, suaviza a nossa existência como a presença de uma mãe suaviza a vida de um filho.
Ainda outra devoção é a das visitas para lhe levar flores. Sabemos que Nossa Senhora é mulher, é «bendita entre as mulheres» (cf. Lc 1,42), e que lhe agradam estas pequenas manifestações de carinho e de delicadeza que se adequam ao seu carácter feminino. Podemos visitar as suas imagens em Santuários ou Ermidas, ou na própria igreja paroquial, que Lhe está dedicada, ou mesmo na nossa casa, no nosso quarto.
Não poderia deixar de mencionar a devoção de pedir a Nossa Senhora a virtude da Santa Pureza, através da recitação das três Avé Marias. "Virgem Santa Maria, Mãe do Amor Formoso, aquietará o teu coração, quando te fizer sentir que é de carne, se recorreres a Ela com confiança" (São Josemaría, Caminho, 504).

13 de maio de 2006

São Filipe, Apóstolo

De Filipe quem nos dá mais informações é o Evangelista João. Era natural de Betsaida (cf. Jo 1,44), cidade situada no extremo Norte da Galileia, na fronteira com a Tetrarquia vizinha que era governada por um filho de Herodes o Grande também chamado Filipe. Este nome é grego e geralmente imortaliza o pai de Alexandre da Macedónia. Não admira, por isso, que uns gregos que queriam conhecer Jesus se tivessem dirigido em primeiro lugar a este Apóstolo (cf. Jo 12,20-21). Devia falar grego e talvez possuísse formação helenística. No entanto, os seus conhecimentos ultrapassavam a terra natal: Filipe era muito amigo de Natanael que procedia de Caná, no coração da Galileia (cf. Jo 1,45; 21,2). E o próprio Jesus parece já ter algum trato com ele antes de iniciar a sua vida pública pois logo que passa por ele, na Judeia, junto às margens do Jordão, quando mal terminara os quarenta dias no deserto, logo o chama para que O siga (cf. Jo 1,43). Esta multiplicidade de contactos – gregos, Natanael, de Caná, Jesus, de Nazaré – faz pensar num homem que se desloca com frequência.
Além disso, é a Filipe que Jesus pergunta: «Onde compraremos pão, para que estes possam comer?» (Jo 6,5). Encontram-se num sítio isolado e aproxima-se uma grande multidão. A resposta de Filipe é pronta – «Duzentos denários de pão não chegam para que cada um coma um bocadinho» (Jo 6,7) – e parece indicar um homem habituado a fazer contas. Filipe aparece-nos com o perfil de um comerciante, alguém de espírito muito terra a terra. Não admira que tenha dito a Jesus, na última ceia: «Senhor, mostra-nos o Pai que isso nos basta» (Jo 14,8). Poderia até ser um fornecedor de Jesus quando o Senhor trabalhava na sua oficina em Nazaré. Na Palestina escasseava a madeira; ela tinha que ser importada e a região ao Norte, o Líbano, era famosa pelos seus cedros.
Seja como for, Filipe é um Apóstolo que está longe de ser um místico. E, no entanto, a sua correspondência à graça e aos ensinamentos de Cristo, levaram-no a dar a vida pelo Mestre. A vida profissional, a vida de comércio, a vida empresarial, não nos afasta da santidade, desde que nós saibamos procurar o Senhor, nos Sacramentos, e também no nosso trabalho.

1 de maio de 2006


Caríssimos Paroquianos e Amigos de Telheiras:

Numa paróquia cuja padroeira é Nossa Senhora, duas coincidências me ocorrem relativamente à reabertura da nossa igreja paroquial ao culto, no próximo Domingo da Ascensão, 28 de Maio, com a presença do Senhor Cardeal Patriarca.

Em primeiro lugar, que se realize num dia do mês dedicado especialmente à devoção à Virgem Santíssima.

Depois, que a padroeira seja Nossa Senhora da Porta do Céu e o dia aprazado para esse evento coincida com a solenidade da Ascensão do Senhor ao Céu. Poderá argumentar-se que quando Jesus para aí subiu, ela ainda se encontrava aqui na terra. No entanto, se O não acompanhou nessa altura, foi por que o próprio Filho a quis manter como Mãe dos Apóstolos e de todos os primeiros cristãos, a fim de exercer com a sua autoridade e com o seu amor maternal todo o processo de educação na fé, na esperança e na caridade que o próprio Jesus experimentou ao tornar-Se homem.

Deste modo, Maria cumpria aqui em baixo uma missão única, encomendada por Cristo. E quando se faz a vontade de Deus, está-se onde se deve, porque se faz o que a divina providência nos determina.

Podemos imaginar que a Mãe de Deus e nossa Mãe deverá rejubilar na Porta do Céu com a reabertura da sua igreja ao culto, depois de tanto tempo em obras e após tantos anos – quase dois séculos – onde houve acontecimentos menos gratos, motivados por razões que ela, uma vez mais, como intercessora de todos os homens, teve de pedir ao Filho e à Trindade para perdoar. Nossa Senhora, como todas as mães, quer ver os seus filhos bem situados na vida. E que melhor lugar do que o Céu para poder manifestar, mesmo aos filhos ingratos, o Amor incomparável da sua maternidade e, sobretudo, o da Trindade Santíssima. Além disso, já se viu alguma mãe verdadeira dizer mal dos seus filhos? Onde os outros vêem defeitos, ela encontra virtudes.

S. Josemaría Escrivá contava, a este propósito, que, quando numa reunião de senhoras amigas, um miudinho, filho de uma delas, metia o dedo no nariz, havia comentários negativos sobre esse gesto: "Olha o porcalhão!"; "Não o educam"?, etc. Mas a mãe daquela criança não perdia a oportunidade para observar: "Se calhar, ainda vai ser investigador!"

Quantas vezes não terá procedido assim Maria connosco no céu. As nossas mãos vazias de méritos eram preenchidas com o seu amor, a fim de que Jesus voltasse a olhar com misericórdia para os que passaram a ser filhos de Nossa Senhora desde a Cruz.

A presença do nosso Pastor diocesano nesse dia, será para todos nós um outro grande motivo de regozijo, porque unirá mais a paróquia a quem, por vontade de Deus, tem o encargo de nos orientar superiormente. Saibamos ser gratos por esta presença, rezando com mais intensidade pela sua pessoa e intenções.

Por fim, a própria população de Telheiras terá a alegria de ver, finalmente, a velha igreja restaurada com simplicidade, o que é sempre razão de satisfação e de apreço.

O vosso pároco e amigo,
P. Rui Rosas da Silva