1 de abril de 2006

Caríssimos Paroquianos e Amigos de Telheiras:

"Cristo vive. Esta é a grande verdade que enche de conteúdo a nossa fé. Jesus, que morreu na cruz, ressuscitou, triunfou da morte, ressuscitou, do poder das trevas, da dor e da angústia. Não temais - foi a invocação com que um anjo saudou as mulheres que se dirigiam para o sepulcro. Não temais. Vindes buscar Jesus Nazareno, que foi crucificado. Já ressuscitou; não está aqui (Mc 16,6). Hæc est dies quam fecit Dominus, exsultemus et lætemur in ea: este é o dia que o Senhor fez, alegremo-nos (Salmo 118, 24)." (S. Josemaría Escrivá, Cristo que passa, n. 102).

No mês de Abril, pede-nos o Senhor que aliemos aos tempos sacrificados da Paixão do Senhor, a alegria imensa da Sua Ressurreição. O Domingo de Páscoa, após os dias de luto pesado de 6ª Feira e Sábado Santos (os nossos pecados, mesmo os já perdoados, foram a sua causa), sacode-nos por dentro e enche-nos de júbilo. Uma vez mais, verificámos como os compromissos de Cristo se cumprem. A Ressurreição, diz S. Paulo, é um dos motivos fundamentais da certeza da nossa fé: (...) se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, é também vã a nossa fé (1 Cor 15,14).

Sabemos, pelos textos evangélicos, que não foi fácil para os Apóstolos aceitar a realidade deste derradeiro milagre do Mestre. Parecia-lhes um disparate, uma ilusão, uma realidade que os alegraria tanto que não saberiam conter o seu contentamento. Dir-se-ia: "Era bom demais para que isso pudesse acontecer". Mas a realidade impôs-se e Cristo, Senhor da vida e da morte, ressuscitou. A partir de então, a Ressurreição erigiu-se, duma maneira informal e sem premeditação, como um dos centros mais comuns e apelativos da evangelização das primeiras gerações dos cristãos, a começar pelos apóstolos.

Para viver tão grande alegria é necessário protagonizar os momentos dolorosos do Calvário. A uma grande dor e a uma grande perplexidade sucede uma sensação indelével de satisfação: Cristo teve o poder sobre a Sua própria morte e o Seu regresso à vida corporal transforma-se em penhor de que também nós, homens como Ele, veremos o nosso corpo juntar-se à nossa alma no final dos tempos.

Uma piedosa tradição, que a arte cristã tantas vezes reproduziu, diz-nos que a primeira pessoa a quem Jesus apareceu ressuscitado foi a Sua Mãe. É justo que tenha sido assim. Maria surge à nossa consideração como a única criatura humana que jamais pôs em causa as promessas de Cristo. Por outro lado, sendo a caridade uma virtude ordenada, era lógico que o Filho aparecesse a quem mais O amou e a quem mais n’Ele confiou.

A Maria Santíssima peçamos a graça de viver muito bem estes dias únicos da Paixão e da Ressurreição do Senhor. No primeiro caso, a Mãe de Jesus poderá ser invocada como Nossa Senhora das Dores: ela acompanhará todos os nossos esforços por não fugirmos da Cruz Redentora e animar-nos-á a ser fortes, como o seu Filho, na dor e no sofrimento. Depois, ela será a nossa companheira no júbilo, ao vermos Cristo triunfar sobre a morte, que o demónio trouxe ao mundo com as suas mentiras e o seu incitamento ao pecado. E também nos ajudará a comunicar a nossa alegria a todos os seus filhos, que tantas vezes se esquecem destas verdades tão cativantes. Como Rainha dos Apóstolos, animar-nos-á a realizar uma evangelização profunda entre os nossos semelhantes, acudindo-lhes nas suas necessidades espirituais e materiais, sempre que for necessário.

O vosso pároco e amigo,
P. Rui Rosas da Silva

A Ceia de Emaús, Pinacoteca de Brera, Caravaggio - Milão (estampa XII)

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