25 de abril de 2006

São Marcos, Evangelista

Tinha também o nome de João e era oriundo de Jerusalém onde a sua mãe tinha uma casa na qual se reuniam os primeiros cristãos da cidade (cf. Act 12,12); segundo a Tradição foi discípulo do Senhor ainda na Palestina e talvez se identifique com o rapaz que, na noite da prisão de Jesus, sai à rua envolvido num lençol e foge quando é apanhado (cf. Mc 14,51-52); mais tarde foi companheiro da primeira viagem de São Paulo e São Barnabé, seu parente, mas ao chegar à Panfilia abandona-os e regressa a Jerusalém (cf. Act 13,13), pelo que Paulo, na segunda viagem, se recusa a tê-lo por companheiro e se separa de Barnabé, que prossegue a pregação com Marcos (cf. Act 15,37-39). Anos mais tarde, São Paulo, na prisão escreverá a Timóteo: «Toma contigo Marcos e trá-lo porque me é muito útil para o ministério» (2 Tm 4,11). Provavelmente São Paulo reconsiderou a sua opinião sobre João Marcos e reconheceu as suas qualidades particularmente notáveis durante a prisão do Apóstolo (cf. Col 4,10).
Segundo a Tradição, depois da morte de Pedro e Paulo em Roma (ca. ano 67) Marcos ainda haveria de fundar a Igreja de Alexandria, e teria sido ele quem traduziu para escrito a pregação do primeiro Papa, sendo assim o autor de um dos Evangelhos Canónicos, que é aquele que a Igreja lê nos domingos dos anos B, como 2006.
A figura de São Marcos fala-nos de uma fidelidade a Cristo feita talvez de alguns tropeços ou hesitações mas que se foi fortalecendo e amadurecendo cada vez mais. Assim seja também a nossa.

22 de abril de 2006

Viver o tríduo sacro em família

Estes dias Santos que vamos viver são particularmente ricos em graças de Deus. Aproveitá-los requer algum esforço mas a alma pode chegar a participar um pouco melhor da Morte e da Ressurreição de Nosso Senhor, centro da vida cristã. As sugestões que aqui se fazem pretendem ajudar essa participação frutuosa em família, sabendo que muitos estarão fora do seu lugar habitual de residência, aproveitando as férias escolares. De qualquer modo, mesmo estando longe, seria bom ajudar a viver estes dias especiais.
Quinta-Feira Santa: se possível, assistir à Missa da Ceia do Senhor e fazer algum tempo de adoração diante do Monumento, isto é, o local onde fica reservada Eucaristia depois da Missa até à distribuição da Comunhão do dia seguinte. Explicar o significado da Última Ceia de Jesus com os Apóstolos: a sua despedida, o mandamento do amor - «amai-vos uns aos outros como Eu vos amei» -, a instituição da Eucaristia - «isto é o meu Corpo (...) este é o cálice do meu Sangue» - e a instituição do Sacerdócio - «Fazei isto em memória de Mim». Ao adorar Jesus no Monumento estamos a fazer-Lhe companhia na sua oração de agonia no Horto das Oliveiras
Sexta-Feira Santa: se possível, assistir às cerimónias; explicar o significado do beijar a Cruz e de a adorar: embora seja um instrumento de horrível tortura Ela foi, por força do amor com que Jesus A desejou, a forma de nos perdoar os pecados e de nos abrir o Céu. Se existe algum crucifixo em casa pode-se dar as beijar a todos, caso não se possa ir às cerimónias. É um dia para fazer alguns sacrifícios.
Sábado Santo: se possível, assistir à Vigília Pascal; explicar que Jesus está sepultado; é um dia de luto, mas também um dia para nos lembrarmos muito de Nossa Senhora, Ela continuava a acreditar em Jesus e na sua Ressurreição.
Domingo de Páscoa: se não se foi à Vigília ir à Missa. É o dia mais importante do ano para os cristãos: hoje Jesus ressuscitou, «A Vida pôde mais do que a morte» (São Josemaría, Santo Rosário 11). Explicar o significado do Círio Pascal (Luz que é Cristo que brilha nas trevas da morte), e das outras simbologias (o ovo, que indica fecundidade da nova Vida que Jesus possui, ou o cordeiro que recorda aquele que os Hebreus comeram ao sair do Egipto, e mais Jesus que é «o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo»).

1 de abril de 2006

Caríssimos Paroquianos e Amigos de Telheiras:

"Cristo vive. Esta é a grande verdade que enche de conteúdo a nossa fé. Jesus, que morreu na cruz, ressuscitou, triunfou da morte, ressuscitou, do poder das trevas, da dor e da angústia. Não temais - foi a invocação com que um anjo saudou as mulheres que se dirigiam para o sepulcro. Não temais. Vindes buscar Jesus Nazareno, que foi crucificado. Já ressuscitou; não está aqui (Mc 16,6). Hæc est dies quam fecit Dominus, exsultemus et lætemur in ea: este é o dia que o Senhor fez, alegremo-nos (Salmo 118, 24)." (S. Josemaría Escrivá, Cristo que passa, n. 102).

No mês de Abril, pede-nos o Senhor que aliemos aos tempos sacrificados da Paixão do Senhor, a alegria imensa da Sua Ressurreição. O Domingo de Páscoa, após os dias de luto pesado de 6ª Feira e Sábado Santos (os nossos pecados, mesmo os já perdoados, foram a sua causa), sacode-nos por dentro e enche-nos de júbilo. Uma vez mais, verificámos como os compromissos de Cristo se cumprem. A Ressurreição, diz S. Paulo, é um dos motivos fundamentais da certeza da nossa fé: (...) se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, é também vã a nossa fé (1 Cor 15,14).

Sabemos, pelos textos evangélicos, que não foi fácil para os Apóstolos aceitar a realidade deste derradeiro milagre do Mestre. Parecia-lhes um disparate, uma ilusão, uma realidade que os alegraria tanto que não saberiam conter o seu contentamento. Dir-se-ia: "Era bom demais para que isso pudesse acontecer". Mas a realidade impôs-se e Cristo, Senhor da vida e da morte, ressuscitou. A partir de então, a Ressurreição erigiu-se, duma maneira informal e sem premeditação, como um dos centros mais comuns e apelativos da evangelização das primeiras gerações dos cristãos, a começar pelos apóstolos.

Para viver tão grande alegria é necessário protagonizar os momentos dolorosos do Calvário. A uma grande dor e a uma grande perplexidade sucede uma sensação indelével de satisfação: Cristo teve o poder sobre a Sua própria morte e o Seu regresso à vida corporal transforma-se em penhor de que também nós, homens como Ele, veremos o nosso corpo juntar-se à nossa alma no final dos tempos.

Uma piedosa tradição, que a arte cristã tantas vezes reproduziu, diz-nos que a primeira pessoa a quem Jesus apareceu ressuscitado foi a Sua Mãe. É justo que tenha sido assim. Maria surge à nossa consideração como a única criatura humana que jamais pôs em causa as promessas de Cristo. Por outro lado, sendo a caridade uma virtude ordenada, era lógico que o Filho aparecesse a quem mais O amou e a quem mais n’Ele confiou.

A Maria Santíssima peçamos a graça de viver muito bem estes dias únicos da Paixão e da Ressurreição do Senhor. No primeiro caso, a Mãe de Jesus poderá ser invocada como Nossa Senhora das Dores: ela acompanhará todos os nossos esforços por não fugirmos da Cruz Redentora e animar-nos-á a ser fortes, como o seu Filho, na dor e no sofrimento. Depois, ela será a nossa companheira no júbilo, ao vermos Cristo triunfar sobre a morte, que o demónio trouxe ao mundo com as suas mentiras e o seu incitamento ao pecado. E também nos ajudará a comunicar a nossa alegria a todos os seus filhos, que tantas vezes se esquecem destas verdades tão cativantes. Como Rainha dos Apóstolos, animar-nos-á a realizar uma evangelização profunda entre os nossos semelhantes, acudindo-lhes nas suas necessidades espirituais e materiais, sempre que for necessário.

O vosso pároco e amigo,
P. Rui Rosas da Silva

A Ceia de Emaús, Pinacoteca de Brera, Caravaggio - Milão (estampa XII)