1 de fevereiro de 2006

Caríssimos Paroquianos e Amigos de Telheiras:

Com a recente publicação da Encíclica de Bento XVI, "Deus Caritas est" – Deus é Amor, vem a propósito lembrar que uma das mais maravilhosas expressões dessa capacidade humana se realiza na vida matrimonial, que dá origem à família.

É vontade de Deus que a maior parte dos seres humanos contraiam matrimónio, para aí se santificarem. O primeiro casal humano, Adão e Eva, homem e mulher, criados à imagem e semelhança do Criador (Gén. 1, 26-27) aparece aos olhos divinos como a condição fundamental para que a criação seja gerida pelo mesmo homem, através da procriação sucessiva, que havia de crescer, encher e dominar todas as criaturas (Gén 1, 28-30).

A família humana, cada uma delas, reflecte também aquilo que Deus é: uma família composta pelo Pai, origem de toda a paternidade, o Filho, origem de toda a filiação, e o Espírito Santo, o Amor de Deus perfeitíssimo, de que o homem é um espelho, quando, como diz Bento XVI na sua primeira Encíclica, vive a caridade, que "é o amor que renuncia a si mesmo a favor do próximo". Lembremo-nos, a este propósito, de tudo o que Cristo sofreu na Cruz, onde não pensou em Si, mas em todos e cada um e nós, que redimia.

A família que os homens criam pelo matrimónio, reflecte naturalmente o seu modelo familiar divino: unidade, indissolubilidade do vínculo estabelecido e amor entre os seus protagonistas, que são capazes de dar origem a novos seres. Deus cria, em primeiro lugar, e dá ao homem a faculdade de gerar prole, servindo-se de todas as potencialidades que Ele lhe doou no acto criador.

Os filhos são sempre uma manifestação da confiança que Deus tem na capacidade de os pais os criarem e os educarem. Prova evidente de que Deus quer a família como berço e lugar próprio para a criação e educação de seres humanos normais, virtuosos e santos, podemos descobri-la no nascimento de Jesus, o Verbo Encarnado, que veio ao mundo como criança inerme, entregue aos cuidados dos seus pais, Maria e José, que O alimentaram, O ensinaram a falar, a rezar, a relacionar-Se com os outros, a trabalhar, etc. Foi deste modo que Jesus, como diz o Evangelho, cresceu em "sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens" (Luc 2, 53).

Por todas estas razões é que quem é chamado ao matrimónio cumpre uma vocação, um chamamento divino, que quer que essas pessoas se santifiquem vivendo bem, com esforço e no dia a dia, as virtudes próprias de quem se casa e constitui família. Um lar cristão é, por isso, um alfobre de santificação para todos os seus elementos.

Rezemos intensamente pelas famílias e pelas autoridades que têm o direito de publicar as leis que as regem, a fim de que não prejudiquem a unidade e a estabilidade dos casais, não confundam caricaturas de famílias – uniões de facto, uniões de indivíduos do mesmo sexo, etc. - com a verdadeira família natural, que Deus formou e quis para o bem do homem e da sua dignidade. O matrimónio cristão é o paradigma da sua eficácia.

O vosso pároco e amigo,
P. Rui Rosas da Silva