1 de dezembro de 2005

Caríssimos Paroquianos e Amigos de Telheiras:

Todos ainda temos bem presentes os dias vibrantes com que toda a diocese de Lisboa viveu o ICNE. Inesquecíveis todos os momentos, mas particularmente apelativa foi a procissão da Luz, com a imagem de Nossa Senhora da Capelinha das Aparições de Fátima, que motivou o concurso inusitado de muitas centenas de milhares de pessoas ao longo do percurso. Assim saudaram a Mãe de Deus e nossa Mãe. Quando ela se mostra aos seus filhos, há sempre um afluxo incontornável de gente, que se sente confortada com a sua presença maternal e a ela lhe confidencia, mesmo no meio de uma multidão, as suas alegrias e as suas tristezas, as incidências da vida que só uma Mãe pode entender.

Terminado o ICNE, decerto que a alma evangelizadora dos fiéis recebeu um forte sinal de missão, no sentido de saber que cada um no seu sítio deve ser testemunho de Cristo.

Em primeiro lugar, no seu meio familiar. O ditado "santos de casa não fazem milagres" não é cristão. Se perguntarmos, por exemplo, onde é que a Igreja vai buscar, de um modo habitual, as vocações de serviço para o Reino de Deus, em todos os seus tipos, a resposta está na qualidade cristã da vida familiar, que passa também, com frequência, pela generosidade no número de filhos que aceita de Deus.

Depois, no mundo profissional. Quando não se evangeliza os colegas que compartilham diariamente o nosso trabalho, de pessoas passam a concorrentes e, desta condição, a inimigos que podem fazer perigar a nossa situação profissional. Invejas, desconfianças, incompreensões e até ódios são o pasto próprio que transforma as relações laborais numa competição desagradável. O cristão é um semeador de paz e de alegria. Para tanto, porém, não se esqueça que deve primar pela competência e honestidade profissional. Não precisa de ser um génio, mas alguém que se respeita pela sua diligência e pelo bom trabalho que executa.

Por fim, no seu mundo de relação: amigos, conhecidos, vizinhos. Todos têm o direito a receber a palavra amável de quem conhece e vive o Amor de Cristo. Quantas conversões se poderiam contar por alguém ter tido a caridade de mostrar a quem passa pela sua vida o amável rosto de Jesus e o carinho maternal de Maria Santíssima.

Com estas boas intenções vamos entrar no Advento. Tempo de penitência e de oração, tempo de preparação do Natal. Jesus quer relembrar-nos, com a data do Seu nascimento, que nasceu paupérrimo, num Presépio, na cidade dos seus antepassados, Belém de Judá. Ele sabe que o nosso coração, onde se quer anichar, é um presépio tosco e impróprio para O receber. Mas contenta-se com a nossa boa vontade. Asseemo-lo, recorrendo ao Sacramento da Penitência. Com uma boa confissão, tiremos da alma tudo aquilo que impede a nossa relação franca e filial com Deus. Digamos muitas vezes uma jaculatória: "Meu Deus, afasta de mim tudo o que me afasta de Ti". E assim viveremos o melhor Natal da nossa vida, com a bênção da Sagrada Família de Nazaré, a Trindade da Terra, que levará à Trindade do Céu todos os nossos bons propósitos de sermos verdadeiros filhos de Deus.

Um Santo e Feliz Natal para todos os paroquianos e amigos!

Do vosso Pároco e Amigo,
P. Rui Rosas da Silva

Mestre de Ávila, Anúncio aos Magos (pormenor de tríptico), Museu Lázaro Galdeano, Madrid

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