1 de setembro de 2005

Caríssimos Paroquianos e Amigos de Telheiras:

Duc in altum! Com que entusiasmo referia esta expressão de Jesus o anterior Romano Pontífice,João Paulo II, querendo animar todos os cristãos a seguirem de perto e com exigência a Pessoa e a mensagem de Cristo. O mesmo se poderá dizer de todas as palavras cheias de ânimo com que o novo Papa, Bento XVI, nas Jornadas Mundiais da Juventude de Colónia, entusiasmou os jovens de todo o mundo que aí acorreram, chamados pelo apelo que o Senhor lhes dirigiu, ao convidá-los a estar presentes.

Vamos iniciar um novo ano pastoral, cheio de boas perspectivas no horizonte, não tanto pelo mérito do nosso empenho, que Deus não despreza, mas pela certeza de que a providência divina, sempre atenta às nossas necessidades, vai satisfazer por inteiro o esforço e os meios de que dispomos para levar a bom termo tudo o que Ele nos pedir.

Olhando para trás deste ano que passou, desde os inícios de Setembro de 2004, vemos que a paróquia,no aspecto material, está a tomar corpo com as obras que na nossa Igreja se têm desenvolvido e que, Deus mediante, ainda terão de continuar durante mais alguns meses. Custa mais edificar do que destruir. Por isso, é possível que achemos que elas deveriam desenrolar- se num ritmo mais rápido e intenso. Mas como não dar graças a Deus por assistirmos à reconstrução dum templo que, praticamente, desde 1833, data da extinção do Convento de Nossa Senhora da Porta do Céu, apenas sobreviveu pela boa vontade de algumas pessoas e poucos trabalhos de manutenção e de restauro conheceu! Além disso, não esqueçamos que, no dia a dia, a vida paroquial é sempre objecto das graças constantes que o Senhor lhe dá, às vezes de uma forma que nós sentimos, outras de modo subtil e inesperado, que só uma visão de fé pode entender e captar em todo o seu significado.

Claro que não basta a reconstrução material. Uma paróquia, não nascendo essencialmente para isso, necessita de se apetrechar, humana e espiritualmente, com todos os instrumentos de modo a que o seu trabalho frutifique em prol de Deus, e, por Deus, em prol de todos os homens que a ela recorram e nela experimentem a possibilidade de servir a Igreja e os irmãos, numa vivência profunda do Evangelho.

O ano que agora se inicia verá certamente reforçar esses instrumentos, melhorando os que já existem, como os Escuteiros, a Catequese, o Conselho Económico, os Cursos de Formação Doutrinal Cristã, etc., e abrindo o passo a novos, que são necessários, quer para a vida litúrgica e pastoral da paróquia, quer para satisfazer as necessidades humanas e materiais dos irmãos que, num ambiente onde prima habitualmente um nível considerável de vida, são desfavorecidos e necessitam de auxílio.

A Deus tudo entregamos, sabendo que da Sua parte não faltará o apoio que necessitarmos. Precisamos, realmente, de nos meter com todo o entusiasmo "Mar adentro!" - Duc in altum! -, pondo as nossas energias ao Seu serviço. E veremos como as expectativas com que iniciámos o caminho ficarão muito aquém do que imaginávamos, porque Deus sabe e pode muito mais e melhor do que nós. Que Nossa Senhora da Porta do Céu seja a nossa companheira constante neste segundo ano da vida paroquial.

Do vosso pároco e amigo,
P. Rui Rosas da Silva

DUCCIO, Maestà: Aparição no Lago de Tiberíades, 1308-1311, Museu da Catedral, Siena

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