Com
o mês de Junho, começam as férias escolares e, com elas, as férias dos
profissionais que aproveitam o sol de verão para descansar. No entanto, é bom
não esquecer que nunca poderemos fazer férias dos nossos compromissos cristãos.
Por exemplo: não poderemos fazer férias do cumprimento do preceito dominical,
nem sequer de deixarmos de rezar diariamente a Quem adoramos e a Quem devemos
“amar sobre todas as coisas”, como dizemos no 1º Mandamento da Lei de Deus. Se
eu amo a Deus como devo, não é possível encerrá-Lo na gaveta do esquecimento
durante as minhas férias. Seria uma negação absoluta daquilo que acabámos de
enunciar.
Mas
as férias podem e devem ser também tempo de aprofundamento da nossa Fé. Às
vezes, tratamos esta virtude como se fosse uma conquista nossa resultante
exclusivamente dos esforços pessoais por estudá-la melhor e aprofundar naqueles
pontos que são mais difíceis de entender.
Deus
não nos dispensa desta tarefa, mas, como sempre, manifesta a sua generosidade e
amor por nós com a magnanimidade de Quem é Todo-poderoso, concedendo-nos a Fé
como um dom. Efectivamente, quando fomos baptizados, recebemos as três virtudes
teologais – Fé, Esperança e Caridade –, além dos dons do Espírito Santo, entre
outros benefícios que nos concede o Senhor, gratuitamente, na recepção deste
Sacramento.
A
Fé, como se disse, começa por ser um dom. Cabe, depois, reforçá-la, em primeiro
lugar com a nossa conduta cristã, que não é isenta de exigências morais que
custam, como a Cristo custou a sua entrega por nós, dando a sua vida para a
redenção de todos os homens de todos os tempos. Nosso Senhor advertiu-nos
claramente que um seu discípulo não é mais do que o Mestre e que deve pegar na
sua Cruz todos os dias e levá-la onde Deus lhe pedir.
A
Fé necessita, portanto, de ser estudada e aprofundada com as possibilidades da
nossa inteligência e vontade, tal como os conhecimentos que cada um foi
adquirindo, quando era criança e dava os seus primeiros passos. Não seria justo
da nossa parte que, em matéria de cultura religiosa, nos satisfizéssemos com
aquilo que nos informaram na catequese, ou mesmo com o que, provavelmente, nos
ensinaram carinhosamente os nossos pais.
Muitas
vezes, neste último caso, o que nós recordamos com mais gratidão são todas as
manifestações de Fé cristã que deles aprendemos em família, duma forma
espontânea e muito natural, e o seu exemplo abnegado de paciência para
connosco, de amor verdadeiro, que acudia com os seus desvelos a todas as nossas
inquietações. Além disso, ficaram gravadas na nossa memória e no nosso coração,
tantas manifestações de piedade cristã que aí aprendemos, como o terço
familiar, o mês de Maria ou as orações da infância que bebemos dos lábios da
mãe ou do pai. Tudo isso são pontos de referência inesquecíveis que nos
acompanharam pela vida fora e estiveram presentes nos momentos de tomarmos
decisões fortes e difíceis, ou mesmo fundamentais para o futuro das nossas
opções mais relevantes
Aprendemos
depois na Catequese belas lições sobre as verdades da nossa Fé... Mas, em
muitos casos, a nossa informação sobre esse tema por aí ficou. E, se estudámos,
fomos frequentemente confrontados com opiniões, teorias, preconceitos, críticas
e más vontades, que podem ter posto a nossa Fé em risco, porque, com o evoluir
da idade e do conhecimento, aquilo que nos era agora apresentado, já não tinha
o carácter de um rudimento, de uma explicação adaptada à capacidade de
entendimento da infância ou do início da adolescência, mas uma informação
aparentemente mais fundamentada, mais trabalhada e mais sólida, quer como
argumentação, quer ainda como alicerce de uma opção fundamental da nossa vida.
Eis
por que é necessário solidificar com constância e determinação os fundamentos
da nossa Fé.
Decerto
que não temos todos de ser teólogos ou pensadores consumados. É bom começar
pelos aspectos fundamentais. Para isso, há tantas obras boas que a Igreja põe à
nossa consideração. É uma questão de querermos vencer a inércia cómoda de irmos
adiando esta tarefa tão necessária para um dia brumoso... que nunca mais chega.
Vamos
para férias. Por que não procuramos levar algumas dessas obras? Por exemplo, o
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, ou o seu resumo, o COMPÊNDIO DA IGREJA CATÓLICA.
São livros base e acessíveis. Com um pouco de dedicação diária à sua leitura e
ao seu estudo, tantas e tantas verdades
da nossa Fé que poderemos reaprender e fundamentar. E assim, no descanso
estival, ganharmos uma maior intimidade com Deus, porque passamos a conhecê-Lo
com mais profundidade e a compreender melhor os seus desígnios de misericórdia
e de amor para connosco.